Quatorze pessoas se reuniram num pequeno salão na rua Theophilo Leme, 212, em Bragança Paulista, na noite de 07 de setembro de 1935 para se organizaram formalmente. Tal grupo seguia os passos e princípios de uma longa história que se inicia no ano de 1612 na Inglaterra, quando outro pequeno grupo também se organizou convicto de princípios fundamentais.

Uma das convicções daquele movimento inglês era o princípio da liberdade religiosa e consciência. Isto é, defendiam que a fé, seja qual fosse, não podia ser imposta por lei. Em 1612, esse clamor por liberdade tinha implicações de vida ou morte. Aliás, a luta pela liberdade de consciência religiosa implicava a liberdade em outras esferas, inclusive política. Mesmo perseguido, o movimento prosperou vindo a ser conhecido por “Igrejas Batistas”, sendo sempre um movimento e não uma organização. A identidade Igreja Batista não vem da filiação a uma instituição. O grupo bragantino de 1935 pertencia a esse movimento.

O movimento Batista tem raiz inicial no ato de rompimento, em 1534, entre a Igreja Católica Romana na Inglaterra e o Vaticano, dando origem a Igreja Anglicana. Como a separação foi apenas administrativa, e não doutrinária, muitos ingleses passaram a pedir que a doutrina da Igreja Anglicana se “purificasse” pelas verdades da Bíblia. Esses foram chamados de “Puritanos”. E alguns “Puritanos” exigiam que a Igreja se separasse do Estado inglês. E esses foram chamados de “Puritanos Separatistas”.

Sofrendo com as turbulências políticos-religiosas na Inglaterra, um grupo separatista se refugiou na Holanda. Lá interagiu com outro movimento, de anseios semelhantes, conhecido por “Anabatista” (rebatizador). Era assim chamado porque, à luz da Bíblia, eles não reconheciam o batismo ministrado a bebês, e exigiam um batismo na fase de consciência própria do indivíduo, por livre vontade. Convictos que esse era o modelo bíblico, os separatistas ingleses adotaram esse modelo batismal.

Quando em 1612 os separatistas regressam à Inglaterra, mas já com um conjunto de convicções bíblicas bem definidas, recebem o apelido de “Batistas” – uma versão abreviada de “Anabatista”. O apelido “Batistas” vingou, mas a questão do batismo é apenas uma fração das convicções dos Batistas. Primeiramente, a distinção maior dos Batistas é a convicção que o ensino apostólico na Bíblia é a regra suprema para a crença e vida, sendo a autoridade acima dos líderes e tradições cristãs.

Grupos Batistas, baseados na Bíblia, com a convicção do princípio da separação entre igreja e governo, sentido a falta de liberdade na Inglaterra, imigraram para as colônias norte-americanas. Em 1636, Roger Williams, que se tornou Batista, fundou a colônia de Rhode Island, hoje um estado norte-americano. Além de ser considerado o primeiro abolicionista da América, foi Roger Williams que decretou a liberdade de religião e consciência em Rhode Island. Assim, em Rhode Island, pela primeira vez nas Américas, se desfrutou dessa liberdade inusitada.

Nos EUA a liberdade religiosa foi garantida na emenda constitucional denominada de “Bill of Rights” em 1791, resultante particularmente da luta dos Batistas do estado da Virginia. Os Batistas se tornaram o maior grupo religioso nos EUA. Dentre os vultos históricos americanos Batistas estão o ex-presidente Jimmy Carter e o pastor Martin Luther King Jr.

Rui Barbosa, mentor da constituição brasileira quando da proclamação da República, se inspirou na constituição norte-americana. E por isso, em 1891, se estabeleceu na República brasileira a separação entre Igreja Católica Romana e Estado brasileiro. Assim, a luta dos Batistas pela emenda constitucional nos EUA em 1791 repercutiu na história da liberdade de consciência no Brasil.

Abalizados pelo ensino apostólico, na Bíblia, o movimento Batista entende que a salvação – perdão, reconciliação, vida transformada e eterna com Deus – é possível somente pela dádiva da graça de Deus propiciada pela morte substitutiva de Cristo na cruz, na qual ele tomou sobre si a culpa e pena do pecador. Ou seja, a salvação não pode ser obtida pelos méritos religiosos e morais do pecador. (Bíblia, Ef 2:8-10) Salvação não pode ser imposta, pois o encontro com Deus vem do arrependimento, clamor por perdão com fé na eficácia de Cristo em sua morte vicária. E entende que nesse encontro o arrependido nasce para uma nova vida para Deus e com Deus, sempre inconformada com o pecado.

A forma batismal é a da imersão, sendo a dramatização do encontro com Deus através da fé em Cristo e sua morte; O submergir simboliza a morte para o pecado – morrer com Cristo; E o emergir das águas representa o nascer para a nova vida com Deus – vida pelo Cristo ressurreto (Bíblia, Rm 6:4). Por isso, o batismo é sempre de pessoas já em idade de livre e capaz consciência para crer por si mesmas. Os Batistas creem que as igrejas devem ser locais e autônomas, tendo Cristo por cabeça. Porém, afirmam a irmandade com outras igrejas que estejam firmes na fé apostólica-bíblica. E os Batistas creem que o governo de cada Igreja é através da assembleia de seus membros locais.

Por desconhecimento sobre os princípios do nome e movimento, ou por terem se desviado dos princípios que adotavam quando foram fundadas, há muitas igrejas que carregam o nome “Batista” mas que realmente não são Batistas, ainda que possam ser igrejas cristãs. Particularmente, as igrejas Batistas são bem distintas das atuais populares igrejas neo-carismáticas. O fato é que os princípios e identidade “Batista” estão seguramente preservados na história, distinguindo claramente as reais igrejas Batistas.

O movimento Batista está presente no mundo todo. Há um órgão de congraçamento internacional dos Batistas denominado “Aliança Batista Mundial”. Os Batistas realizam obras missionárias, educacionais e filantrópicas. A Igreja Batista de Bragança Paulista, organizada pelo grupo bragantino de 14 pessoas em 07 de setembro de 1935, está atualmente localizada no Jardim do Lago. E, a Igreja de Bragança já organizou outras duas igrejas na cidade, uma na Planejada II e outra na Vila Bianchi.