“Era o melhor dos tempos, era o pior dos tempos, era uma época de sabedoria, era uma época de tolices, era um momento de crença, era um momento de descrença…” Assim, no século XIX, Charles Dickens descreveu os dias da sua época, em seu livro clássico “Um Conto de Fadas”. Essas justaposições de realidades tão distintas, e até paradoxais de Dickens, também definem bem como será o novo ano.

Neste novo ano haverá de estar presente o pior do ser humano, porém, mais escassamente, o melhor também poderá ser achado. A sociedade continuará avançando tanto para o mal, como para o bem, mas certamente predominando o progresso do mal. O indivíduo não tem nenhum domínio sobre os caminhos e opções da coletividade. Entretanto, quanto a sua vida particular, a condição é outra. O individuo pode escolher viver o pior ou o melhor.

A questão é como alcançar um ano no qual o ser humano viva a melhor experiência. Isso remete o assunto para o que é que pode levar para melhor a vida humana. O que proporciona o melhor para o individuo é aquilo que edifica a sua vida, e o pior é o que destrói a vida. E a edificação deve ser medida pelo todo da vida. Então, primeiramente, o edificar de uma faceta da vida não deve danificar outras facetas. Segundo, é preciso encontrar aquilo que edifica harmoniosamente todas as facetas da existência humana, sem fragmentar a vida do indivíduo. Essa abordagem exige que “o melhor”, ou o construtivo, seja holístico, isto é, possa abranger e direcionar o total da existência.

Então, por exemplo, a visão de ano melhor não pode ser reduzida a um progresso financeiro, como é comumente visto atualmente. A maior parte dos que estão em amplo progresso financeiro vive a miséria em outras facetas da vida. Por exemplo, alguns abonados estão com a vida moral destroçada por causa dos meios pelos quais conquistaram seus recursos. E outros abonados vivem uma vida familiar disfuncional e perturbada. Focar no progresso financeiro como a medida do que é “melhor” fracassa porque isso entroniza o financeiro como fator organizador do projeto todo de vida. Torna o financeiro em o bem maior da existência humana. Assim equivocadamente tomado, o financeiro distorce e desiquilibra a vida.

O melhor dos anos será experimentado por aqueles que encontrarem o fator organizador adequado para conduzir corretamente e construtivamente o progresso de todas as facetas da vida. E será esse fator que dará o valor e lugar devido a cada uma das facetas, evitando assim a fragmentação e desarmonia. Esse fator organizador central será capaz de conduzir o ser humano a uma atitude sábia nas finanças, família, trabalho, relacionamentos, emoções, entretenimento, e nas muitas outras facetas. E tudo equilibradamente interconectado.

As tarefas e missão desse fator estruturador são de uma dimensão tão crítica e ampla que nada mais pode ocupar esse papel a não ser Deus. Somente Ele pode estar no centro da vida e responder a necessidade e missão de uma construção holística do ser humano. Sem Deus no centro, algum aspecto da vida se apossa desse centro tornando-se um ídolo. E ídolos fragmentam e delapidam o ser humano. O resultado é sempre reprovável.

Porém, Deus, aquele que é adequado para ocupar o centro, não é um ser indefinido que pode ser delineado como cada um desejar. A identidade de Deus não está sujeita a imaginação e capricho humano. Equivocadamente, esse definir de Deus conforme a preferência humana é comumente feito. E o que é chamado de “deus” é apenas um ídolo formado pela conveniência ou ignorância. Deus tem sua própria existência e identidade. E Ele é conhecido no conteúdo e medida em que Ele se tem revelado ao ser humano. Essa revelação divina se culmina em Cristo.

Então é preciso que o centro da vida seja ocupado pelo Deus manifesto em Cristo, conforme as Escrituras Sagradas. Viver neste ano o melhor dos anos exige uma vida com Deus no centro da vida, governando o todo dela. É o senhorio de Deus revelado em Cristo, aquele que afirmou: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida…” (Bíblia, João 14:6) “Vida” real, ou a condição melhor, para este ano depende de Deus manifesto em Cristo. Então, como conhecer e chegar a esse Deus? Cristo também disse: “Eu sou o caminho…” O encontro com Deus, através de Cristo, produz um renascer da pessoa, resultando numa vida centrada na vontade de Deus. E assim se vive um ano para melhor.