Em novembro de 1994, a revista Newsweek trouxe uma matéria especial intitulada “A Busca do Sagrado”. O artigo principal tratava do ressurgimento da busca espiritual. Isso numa era quando o cientismo mecanicista reduzira o ser humano a uma máquina. Esse artigo iniciava narrando a peregrinação espiritual de Rita McClawins.

Rita frequentou uma igreja “evangélica” pentecostal na juventude e, depois de abandonar essa igreja, foi buscar paz em atividades junto à natureza. Numa próxima etapa, após passar por um divórcio, se envolveu com os rituais dos índios nativos da América do Norte. Em seguida se refugiou no Budismo, inclusive frequentando retiros que exigiam silêncio de oito dias. Depois de tudo, aos cinquenta anos de idade, a condição espiritual de Rita se reflete num altar na casa dela. Nele estão uma estátua de um anjo, outra de Buda, uma garrafinha com água consagrada numa “vigília feminista”, uma vela votiva, uma oração hebraica e uma foto do lugar sagrado de Rita – uma árvore na sua vizinhança.

Dialogando com o argumento do pensador inglês G. K. Chesterton, Émile Cammaerts argutamente concluiu: “O primeiro efeito de não se crer em Deus é passar a se crer em qualquer coisa.” A pessoa não passa a crer em nada quando não crê no Deus revelado na Bíblia em Cristo – único, supremo, transcendente e gracioso. Na verdade, a pessoa parte para todo tipo de crenças. E ainda diz crer em Deus, um deus inadequado e projetado por ela mesma. Rita MClawins é um exemplo típico disso, mas ela não é um caso isolado. Ela é um ícone destes tempos.

O simples fato de se existir levanta naturalmente e inevitavelmente perguntas fundamentais e inquietantes diante da finitude e imanência humana: De onde eu vim? Quem sou eu? Como devo viver? Para que devo viver? Para onde estou indo? Isso remete o ser humano ao transcendente – Deus. O coração humano é solidário com Filipe que apelou a Cristo: “Mostra-nos o Pai e isso nos basta.” (Bíblia, João 14:8) Sentir-se saciado, poder dizer “basta”, exige chegar ao “Pai” – Deus.

Porém, há um duplo problema. O primeiro é como o ser humano, limitado à sua imanência, pode se achegar a Deus, o transcendente. E o segundo é como o ser humano, moralmente fracassado e devedor, pode se encontrar e ser aceito pela santidade transcendente de Deus.

Quanto ao primeiro problema, da imanência diante da transcendência, a resposta de Cristo ao apelo de Filipe é solucionadora. Porém, é uma resposta exclusiva que nenhum fundador de religião pode oferecer. Cristo respondeu: “Você não me conhece… Quem me vê, vê o Pai. Como pode você dizer- mostra-nos o Pai?”  (Bíblia, João 14:9). Há apenas uma forma para o transcendente ser conhecido pelo imanente. É preciso que o transcendente (Deus) tome a iniciativa de se manifestar ao imanente (o ser humano). O contrário é impossível. Deus fez isso em Cristo.

E quanto ao segundo problema, a do moralmente fracassado ser humano poder ser aceito diante da santidade de Deus, Cristo veio para trazer a solução. Nele Deus se manifesta em seu amor e graça, propiciando o perdão através da morte substitutiva na cruz. A morte do justo pelo injusto. E assim Deus, em Cristo, propiciando o perdão pleno, abre ao ser humano a convivência com a santidade transcendente dele. Em Cristo, e somente nele, o ser humano pode finalmente chegar ao “isso nos basta.”