Na cerimônia do Oscar 2017 de Hollywood aconteceu um esquisito erro. Foi anunciado como filme vencedor o já superpremiado La La Land para em seguida se corrigir o equívoco, informando que o real vencedor era pequena obra Moonlight. Explicações têm conseguido suavizar a gafe do anuncio, mas a escolha de Moonlight como o melhor filme é outra história.

Do ponto de vista artístico e técnico, Moonlight não deixa a desejar, ainda que seu custo de 1,5 milhão de dólares seja baixo quando comparado com os 30 milhões do La La Land. Entretanto, se Moonlight tinha arrecadado 2.63 milhões de dólares, significando que 0.82% dos americanos foram assisti-lo, La La Land havia arrecadado 369 milhões de dólares. Como La La Land foi sucesso de bilheteria, bem como foi aplaudido pela crítica e agraciado com muitos prêmios, deve haver uma razão muito forte para a vitória do Moonlight sobre La La Land.

Ainda que haja justificativas diversas para essa premiação do Moonlight, o fato é que a premiação de Moonlight foi política. Alguns dizem que foi um voto anti-Trump, mas na essência foi um voto pelo politicamente correto. Um dos votantes chegou a declarar que nem tinha assistido o filme, mas que tinha votado no Moonlight pelo que o filme representava. O esforço midiático é doutrinar todos na cartilha do politicamente correto.

Escolheu-se o filme não primeiramente pela dimensão cinematográfica, mas pela agenda política-ética dos hollydianos. Moonlight serviu bem a causa e militância deles. E serviu bem porque o filme utiliza uma artimanha já muito comum no politicamente correto. É a artimanha de atrelar o homossexualismo ao racismo. Uma artimanha tão em voga que o uso dela não significa necessariamente uma articulação organizada. Já acontece espontaneamente.

Moonlight é a história de um jovem negro que, além de sofrer com atitudes racistas, tem também seu drama homossexual. É injustificável julgar os valores e caráter de alguém por um aspecto físico inerente – a cor da pele. Ela em nada define o modo com o qual a pessoa há de agir, ou, o seu comportamento.  Valores e caráter dependem de como a pessoa age. Portanto, julgar os valores e caráter de uma pessoa pela pele, é um preconceito, isto é, julga-se o valor e caráter antes dela agir. E ainda, a cor natural da pele da pessoa lhe é dada geneticamente, portanto, nunca é uma opção dela.

Homossexualismo é comportamental. Homossexualismo é conduta, e conduta escolhida. As posições pró ou contra homossexualismo não são preconceitos, mas pós-conceitos, tendo em vista que são avaliações sobre ações e atitudes sexuais. O posicionamento que discorda da homossexualidade é um posicionamento quanto a algo que se pratica. E de tudo o que se sabe e já se pesquisou, não há nenhuma descoberta que estabeleça o homossexualismo como inerente a pessoa. É comportamento adotado pela pessoa de seus dramas existenciais.

Obviamente que isso não significa que a opção pelo homossexualismo não deva ser considerada como uma questão, ou opção, privada numa sociedade democrática. E nem significa que a integridade de quem faz tal opção não deva ser garantida. Mas, colocar o racista e quem discorda do homossexualismo no mesmo balaio é falácia lógica. E é uma trapaça do politicamente correto.

Como é moralmente inaceitável o racismo, considerando que todos são igualmente criados à imagem e semelhança de Deus, o engodo é atrelar a questão do homossexualismo a do racismo.  Nesse jogo, a posição contra ao homossexualismo é sorrateiramente igualada a posição racista. Assim, força-se a aceitação do homossexualismo ao tornar, tal aceitação, semelhante a moralmente correta aceitação das pessoas de outras raças. Tal artimanha se parece com aquela de usar uma colher de açúcar para se levar a criança a engolir uma pílula. Ela nem percebe que ingeriu a pílula.

Moonlight ganhou o Oscar. Deve haver mais de uma razão para essa premiação. Porém, diante dos fatos do filme e da evidente mentalidade e militância que domina Hollywood, a premiação de Moonlight foi primeiramente mais uma artimanha para avançar a agenda do politicamente correto quanto ao homossexualismo. Uma artimanha talvez espontânea, mas muito desonesta. Ela utiliza confusão lógica. Comportamento sexual e características físicas são categorias distintas.