Na saga da Psicologia para descobrir a raiz dos males comportamentais do ser humano, a “autoestima” foi colocada no pedestal. Autoestima se refere a atitude da autovalorização, mostrando-se o indivíduo satisfeito com sua maneira de ser, resultando em segurança em seus atos e avaliações. A conclusão da Psicologia foi que poderia se esperar o melhor dos comportamentos da humanidade quando todos fossem providos de autoestima.

Esse pensamento dominou a mentalidade social. Modificou a abordagem pedagógica. Definiu as explicações e táticas sociológicas. E moldou a atitude dos pais quanto a forma de educar seus filhos – nada de contrariar e repreender. Não foi pouca coisa esse impacto. Dr. Nathaniel Branden, o renomado psicoterapeuta canadense-americano, um baluarte da autoestima, declarou: “Eu não posso pensar sobre um problema psicológico – da ansiedade e depressão, do medo de intimidade ou sucesso, até abuso físico matrimonial e abuso de criança – que não seja traçado a partir da baixa estima.”

Um momento fundamental para essa visão psicológica da autoestima foi a obra do psicólogo William James, falecido em 1910, rotulado por alguns como o “pai da psicologia americana”. Teorizando, estabeleceu que o “eu” chega a três tipos de conhecimento: material, social e espiritual. E a definição dele do “conhecimento social” gerou a base para o entronizar da autoestima.

Na década de 60, o sociólogo Morris Rosemberg desenvolveu a escala da autoestima (RSES) que se tornou um referencial nas ciências sociais. A teoria cresceu no século XX. Ela dominou politicas governamentais. Em diversos países, especialmente nos EUA, uma fortuna foi gasta para promover a autoestima na população.

“Uma geração, e muitos milhões de dólares, depois, acontece que nós erramos”, afirmou o Dr. Roy Baumeister, ex-chefe do departamento de Psicologia da Universidade da Florida e atualmente na Universidade de Queensland na Austrália. Isso ele revela em seu artigo “The Lowdown on High Self-Esteem”. Ele e colegas foram encarregados de analisar o enorme volume de trabalhos sobre a autoestima. Dr. Baumeister, que era um adepto da autoestima, viu uma revolução acontecer na visão dele sobre o mal e autoestima. Entendeu que o mal não é erradicado pela forma com a qual as pessoas enxergam a si mesmas.

Reconhecendo que alguns são mais, e outros menos, confiantes sobre si mesmos, Dr. Baumeister afirma que a conclusão é que autoestima não melhora as notas na escola e nem melhora o comportamento profissional. Também descobriu que autoestima não é a causa de bullying, violência de gangs e nem do comportamento criminoso. E mais, autoestima não impede o uso de drogas, colar nas provas e libertinagem sexual. Aliás, ele notou que as crianças com elevada autoestima entram mais cedo por esses caminhos tortos.

Qual é, então, a solução? “Esqueça a autoestima e concentre no autocontrole e disciplina”, aponta Dr. Baumeister. Mas isso não é novidade. Enquanto as teorias humanistas vêm e vão, permanece a sabedoria milenar das Escrituras Sagradas. Elas vêm ensinando isso há muito tempo. O mal é comum ao ser humano, revelando-se principalmente no egocentrismo comum a todos. É lamentável o estrago que a doutrina da autoestima causou a toda uma geração, especialmente na educação de filhos.

É oportuno notar o mandamento de Jesus Cristo: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Bíblia, Mateus 22:39). O mandamento não é sobre amar a si mesmo. Esse amor próprio é assumido por Jesus Cristo como um fato comum. O que ele aponta, no mandamento, é a necessidade de fazer o mesmo para com o próximo. O problema do ser humano, seja o prepotente (autoexaltação), ou seja o ressentido (autocomiseração), é que ambos estão focados apenas em si mesmos como o centro da vida.

O centro do ser humano nunca pode ser ele mesmo. Ele foi criado para ter Deus como o centro. E quando isso acontece, as afeições e comportamentos caem no lugar certo. Surge o equilíbrio, interior e exterior. Ao se encontrar com Deus na morte de Cristo na cruz, o pecador egocêntrico aceita que seu ego foi crucificado com Cristo – morte substitutiva. E dadiva graciosa. É a experiencia humilde e quebrantada de reconhecer que se é diante de Deus.

Assim, Apóstolo Paulo ensina aos cristãos: “Ninguém tenha a si mesmo um conceito mais elevado do que deve ter… ao contrário, tenha um conceito equilibrado… com a medida da fé…” (Bíblia, Romanos 12:3). Dr. Baumeister aponta que a vitória sobre o mal vem do autocontrole e disciplina. Essas são dimensões espirituais. O Evangelho ensina que por si só o ser humano terá sempre uma condição sofrível diante do egocentrismo.

A solução vem do morrer, pela fé, com Cristo. Ego sacrificado em Cristo, nascendo para uma nova vida, vivida para e com Deus no centro da existência. Surge a nova vida, não no poder do ser humano, mas no poder do Espirito Santo que ensina a cada dia o mortificar do ego. O Apóstolo Paulo aponta o resultado libertador: “o fruto do Espirito é amor, alegria, paz, paciência… e domínio próprio.” (Bíblia, Gálatas 5:22)