É equivoco falar em “escola sem partido”.  O que há, é escola com ideologia neomarxista. Nisso é multipartidária. E isso, em geral, sem educadores conscientes que, estão sutilmente a serviço de uma ideologia. Estão formatados com a visão de mundo do neomarxismo. Eleição de presidente é um passo significativo. Mas nada mudará historicamente sem o resgate da escola do cativeiro ideológico.

O panorama atual foi moldado por décadas de militância esquerdista sobre a “inteligência” nacional. Quanto a educação, um indicador é Paulo Freire, o “Patrono da Educação” e o seu livro, “Pedagogia do Oprimido”, é o sinalizador maior. É nobre se preocupar com o oprimido. Há dois mil anos o Evangelho de Cristo introduziu essa bandeira na sociedade ocidental. Porém, isso num sentido bem divergente do marxismo. É preciso questionar a definição do termo empregado. Em seu livro, Freire revela sua dependência de pensadores comunistas como o Stalinista György Lukács. Freire vê “Oprimido” pela ótica da luta de classes de Karl Marx.

Para Freire, o educador tradicional serve a educação “bancária”; ele é um representante da “dominação”, ou capitalismo, e “vai enchendo os educandos de falso saber.” Deve haver, diz ele, uma educação na qual “Ninguém educa ninguém… os Homens se educam entre si…” Uma educação em que “os ´argumentos de autoridade´ já não valem.”  Freire enxerga os lares com a mesma perspectiva e quer que o estado intervenha. Para ele os pais “…refletem… condições autoritárias, rígidas, dominadoras… que incrementam o clima de opressão.”  Entretanto, esse professor que é um aprendiz igualitário, e apenas um facilitador, é uma ilusão. Na proposta de Freire, o novo tipo de professor é, sutilmente, ativo e perigoso. É subversivo.

O que Freire realmente quer é formar a sociedade marxista. A palavra “problematizar” é um termo chave, repetidas vezes usado em seu livro. Esse termo, nas mãos dos marxistas atuais, é uma arma ideológica tenebrosa. Para Freire, um ícone por excelência da “Pedagogia do Oprimido”, ou mestre da “problematização”, foi o sanguinário Che Guevara. Aliás, Freire justifica, pedagogicamente, a eliminação dos “desertores” feita por Guevara, ou, dos que não se conformavam à causa/educação dele.

“Problematizar” é um equivalente da “teoria crítica” de alguns neomarxistas. O alvo de “problematizar” é “desconstruir”, ou aniquilar, a base do capitalismo. Os marxistas concluíram que não adianta apenas combater o sistema econômico. E, tendo também concluído, imprecisamente, que o sustentáculo do capitalismo é a moral herdada dos valores judaico-cristãos, querem eliminar essa moral, tendo por primeiros alvos os conceitos de casamento, família e sexo. E com isso, a desconstrução do gênero sexual. Os neomarxistas acreditam que, esses conceitos morais caírem, cai o capitalismo, também.

Então, a luta não deve ser através do empunhar armas, mas pela tática de dominar as instituições formadoras de opinião, especialmente a escola. Assim, “problematizar”, ou estimular a “teoria crítica, não é ensinar o aluno a pensar. “Problematizar” é esvaziá-lo das ideias que sustentam o capitalismo, e doutrina-lo na ideologia neomarxista. É preciso retirar do aluno a cosmovisão e ética judaico-cristã e formatá-lo como “progressista” moral-social.

Em 2017 foi finalizada aprovação da Base Nacional Comum Curricular – BNCC e ela é um golpe no pacto federativo. Educação pertence aos estados e prefeituras. Haviam algumas diretrizes, amplas e suscintas, necessárias de se adotar,mas, obviamente a BNCC não é isso. Ela é um documento que engessa, em mais de 400 páginas, o que deve acontecer dentro da sala de aula em todas as etapas e matérias, de norte a sul. E é trágico e pernicioso o conteúdo desse documento.

Na BNCC não aparece termos como marxismo ou comunismo, nem mesmo, explicitamente, menciona o seu objetivo, “abaixo capitalismo”, e não abrange sobre “globalismo”, mas a BNCC é orientada e subserviente a essas causas. Um sinalizador mor é a repetição infinda do termo “problematizar”. Num aparente objetivo de se construir uma sociedade solidaria e democrática, atrás está o alvo do coletivismo neomarxista. Na BNCC, da primeira série do fundamental 1, ao ensino médio, é preciso “problematizar” em todas as matérias, seguindo o neomarxismo, a BNCC atrela, ilicitamente, os termos “gênero” e “orientação sexual” ao termo “racismo” e “etnias”.

Já nos tenros anos da criança, a BNCC estabelece que a escola deve proporcionar uma “educação complementar à da família” no que tange o ensino de gênero. É relevante lembrar que Freire julga a educação nos lares como “opressiva”. A BNCC quer salvar os filhos de seus pais, com um tal “completar” que significa ensinar as criancinhas através do “problematizar”. Dá-lhe ideologia de gênero! É o neutralizar dos valores morais que a criança recebeu no lar e o incutir de outros diferentes.

Na BNCC, longe da Educação Física se preocupar com o condicionamento físico, pateticamente ela deve “assegurar a superação de estereótipos e preconceitos expressos nas práticas corporais.” E, no ensino da Arte, a BNCC se torna perigosíssima. O ensino da Arte deve “refletir sobre experiências corporais pessoais… de modo a problematizar as questões de gênero, corpo e sexualidade…”. O aluno deve aprender “fruir” todo tipo de arte e para isso acontecer, este é exposto a todo tipo de música perniciosa. Absurdamente, até a Física e Matemática precisam ser um ensino “problematizador”. O ensino de Inglês deve ignorar as pátrias desse idioma, procurando promove-lo apenas como um instrumento do “interculturalismo” – a causa “globalista neomarxista”.

Enfim, refém da ideologia, não é surpresa o fracasso da educação brasileira. E a decadência moral da sociedade segue junto. No livro “Quando Ninguém Educa”, fazendo uma crítica à aplicação da “Pedagogia do Oprimido” no Brasil, o educador Dr. Ronai Rocha denuncia que com as “teorias de ação social” dominando a educação, a “ideia de currículo escolar foi esvaziada.” Didática foi abandonada para se ater a assuntos “políticos, sociais e antropológicos”. E, deixando de ser o “professor” do conhecimento, o educador se tornou um figurante do “sindicalismo”. Sem um rompimento com essa abordagem, o futuro é sombrio.