Os jornais do mundo anunciaram com destaque que na quarta-feira passada faleceu Billy Graham aos 99 anos de idade. Cabe perguntar porque tanta atenção para a morte desse homem. Não é sem motivo que a morte do pastor Batista Billy Graham receba tanta atenção. Um indicador disso é que ele sempre aparecia entre os primeiros colocados nas pesquisas norte-americanas sobre “as pessoas mais admiradas.”

Filho de um pai fazendeiro, logo jovem entendeu que devia dedicar sua vida ao ministério evangélico, mas acabou não atuando como pastor de uma igreja Batista local. Já no início ele começou a se destacar como “evangelista”, um título muito reconhecido entre as igrejas evangélicas, e comumente conhecido entre o povo americano. É um termo para alguém que tem um chamado para particularmente proclamar o Evangelho de Jesus Cristo a quem não o conhece, Evangelho esse estabelecido pelas Escrituras Sagradas.

Foi fenomenal o alcance de Billy Graham como evangelista. Ele transitou e foi apoiado pelas diversas denominações evangélicas. E contou com o apreço da Igreja Católica Romana, inclusive se relacionando e encontrando com o papa João Paulo II. Atuando por 70 anos, Billy Graham pregou o Evangelho pessoalmente a cerca de 70 milhões de pessoas e a outros 215 milhões por meio da televisão e rádio. Pregou em 185 países.

Estádios e outros enormes auditórios, nos EUA e à volta do mundo, se encheram para ouvir Billy Graham, inclusive locais renomados como o Madison Square Garden em Nova York. É dito que a maior lotação do antigo Maracanã se deu em 1970 quando Billy Graham ali pregou o Evangelho. Mais de um milhão de pessoas se reuniram em 1973 na Yoido Plaza em Seoul, Coreia do Sul, para ouvir Billy Graham pregar o Evangelho. E ele foi convidado para pregar em lugares inusitados, como na antiga Rússia quando ainda no regime comunista, como também uma vez foi convidado para pregar na fechada Coréia do Norte, pregando dentro das limitações típicas desses regimes políticos.

Treze dos 45 presidentes dos EUA buscaram conselhos de Billy Graham e oraram com ele, tanto democratas como republicanos. Aliás, o presidente Trump e todos os ex-presidentes vivos já manifestaram profundo pesar pela morte dele. Billy Graham também foi recebido por muitos presidentes e primeiros-ministros de diversos países. A recente série “Crown”, na Netflix, encenou o episódio histórico quando a rainha Elizabeth solicitou a presença de Billy Graham para aconselha-la. Entre muitas atividades evangelísticas, ele foi autor de dezenas de livros.

Ao fundar a organização “Billy Graham Association”, no início de sua vida como evangelista, ele estabeleceu um conselho independente para administra-la, bem como a organização sempre passou por auditoria anual independente. É fato que essa associação foi generosamente apoiada pelos norte-americanos, inclusive por muitos milionários, tendo em vista a credibilidade de Billy Graham. Mas, desde o início a organização estabeleceu um salário fixo, com valores sensatos, para Billy Graham. Ele viveu, e teve posses, dentro do padrão da classe média americana.

Billy Graham não construiu um império religioso, como, lamentavelmente, muitos fazem nestes dias. A organização dele não possui estações de TV ou rádio. Billy Graham nunca se filiou a partidos políticos e nem aceitou, ainda que convidado algumas vezes, a concorrer a cargos políticos. E nunca apoiou algum candidato político em particular. A personalidade dele era marcada pela humildade. Foi marido fiel e dedicado pai de 5 filhos. Viveu uma vida longa e integra, nunca chamuscada por escândalos.

O Evangelho pregado por Billy Graham era autêntico, fiel às Escrituras Sagradas e à ortodoxia evangélica histórica. Nada tinha de manipulação “milagreira” e nem de prosperidade fantasiosa. Ele apresentou sempre a mensagem do Evangelho de forma relevante, pura e simples, mas foi dotado por Deus com uma eloquência e comunicação extraordinária. Ele anunciava o Cristo crucificado em benefício de pecadores arrependidos para lhes proporcionar o perdão e acerto com Deus, assim lhes dando paz com Deus e uma vida transformada e com dimensão eterna.

A verdade do Evangelho foi crida por Billy Graham e ela moldou a vida dele. Uma vez ele advertiu: “Um dia você vai ler ou ouvir que Billy Graham está morto. Não acredite numa palavra sequer. Eu estarei mais vivo que estou hoje. Terei apenas mudado de endereço. Terei ido para a presença de Deus”.