Em março de 1999, na High School Columbine, Denver, EUA, dois alunos assassinaram doze colegas e um professor. 20 anos depois, em março de 2019, na Escola Prof. Raul Brasil, Suzano, dois alunos mataram cinco colegas e 2 funcionárias, além de assassinarem um parente.

Estarrecidos, todos perguntam sobre o porquê dessas barbáries. Logo aparecem os especialistas das ciências humanas, em entrevistas repentinas, tateando para apontar uma possível explicação. O comum é os perpetradores serem vistos como vítimas de alguma circunstância.

As soluções passam, em geral, pela pedagogia, psicologia, sociologia e economia. O ser humano anseia por uma explicação dentro de suas dimensões. E anseia por uma explicação cuja solução esteja ao alcance de seus poderes. A humanidade salva a si mesma, pensam. É apenas necessário um pouco mais de escola, terapia, reengenharia social e dinheiro no bolso.

Passados 20 anos, Columbine lança luz sobre Suzano. E lança luz sobre muito mais. Dr. Peter Langman é um psicólogo que tem estudado longamente essas tragédias em escolas. E muito se debruçou sobre o caso de Columbine. Diferente de quase tudo que se disse, e noticiou, logo após aquele massacre, Dr. Lang aponta três fatos fundamentais sobre os dois alunos assassinos.

Primeiro, eles não faziam parte da subcultura “gótica”, integrando a uma tal “máfia do trench coat” (gang escolar que se veste com capas pretas). Uma subcultura interessada no oculto e mutilação, fascinada por Marilyn Manson e Hitler. O fato é que eles não integravam uma cultura alternativa e tétrica. Eram socialmente normais.

Segundo, os assassinos não era solitários e marginalizados. Eles tinham muitos amigos. Eles se envolviam nas atividades da escola, inclusive nas esportivas. E, como é comum nos EUA, trabalhavam junto com amigos numa pizzaria. E mais, suas famílias eram economicamente estruturadas.

Terceiro, os assassinos não se vingaram do bullying. Eles não eram os oprimidos da roda, humilhados constantemente. Aliás, eles perpetravam bullying nos outros mais do que recebiam bullying. E não é verdade que foram à escola para matar especialmente aqueles que os incomodavam. Mataram aleatoriamente. Inclusive tinham ciência que, na empreitada, matariam algum amigo.

Depois de admitir sua frustração, Dr. Langman relata que os escritos deixados pelos assassinos informam que eles tinham variadas motivações para o que fizeram. Uma somatória ampla e terrível de razões. Eles queriam ver a si mesmos como “a lei” acima de todos. Tinham prazer sádico. Entendiam que a raça humana serve apenas para ser morta. E desejavam matar os estranhos.

Qual é a explicação para esses caminhos do coração humano? As ciências humanas fracassam em dissecar o drama por desconsiderarem um fator crucial. E as pessoas comuns e sociedade, formatadas por essas ciências, fracassam conjuntamente em suas ponderações. As ciências humanas são “naturalistas”, o que significa que são “materialistas”. Ignoram a dimensão espiritual da revelação cristã-bíblica. E assim, veem o ser humano como inerentemente neutro quanto ao mal e bem, sendo apenas produtos de circunstâncias.

Com essa visão materialista, as ciências humanas descartam o fator crucial denominado de “mal”. Independente de circunstâncias, a Bíblia afirma a presença do mal e revela que no coração humano indistintamente habita o mal: “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá?” (Jr 17:9). O escritor russo Solzhenitsyn, prêmio Nobel, aponta que o mal passa por todos corações humanos, não respeitando nenhum limite social.

A filosofa Hannah Arendt, comentando sobre o julgamento do terrível comandante nazista Adolf Eichmann, fala da “banalidade do mal”. Isto é, o mal não é prerrogativa de algum especialista. O mal tem lugar comum na vida humana, podendo ganhar dimensões medonhas e sendo negado, ele corre solto. Assim, se torna ainda mais banal; as pessoas, e então, a sociedade, descem velozmente a ladeira da decadência, como se vê a olho nu na atualidade.

O mal é supra-humano. O ser humano não se livra do mal pelo poder humano. Ele não salva a si mesmo. O ser humano precisa se recolher a sua humildade. Ele necessita de quebrantamento. Ele precisa urgentemente de um salvador supra-humano. Não falando a corruptos, mas à elite moral e religiosa de Jerusalém, Jesus os chocou ao descrevê-los como escravos: “…aquele que comete pecado é escravo do pecado.” E chocou mais ainda ao apontar que somente nele, Jesus, há libertação: “Se o Filho os libertar, verdadeiramente sereis livres.” (João 8:36)