Moldada pelo politicamente correto, a mídia censura notícias com algumas táticas. Uma delas é lidar com algumas notícias através do ignorar. Uma notícia recente teria feito muito barulho se o fato fosse ao contrário. No lugar de fazer barulho, não se divulgou uma decisão da European Court of Human Rights (Corte Europeia dos Direitos Humanos) – a suprema corte de justiça da comunidade europeia composta de 47 nações.

Dia 09 de junho de 2016, julgando uma ação movida por dois franceses, a corte europeia bateu o martelo no veredito que casamento entre homossexuais não é um direito humano. A corte permaneceu com a posição que já afirmara em outras ações anteriores, da mesma natureza, vindas de outros países. Em alguns casos a corte precisou tratar de situações e alegações estonteantes.

Em 2009 o finlandês Heli Hämäläinen e sua esposa levaram o caso deles para a corte europeia. Eles estavam casados há 10 anos e já tinham um filho. Então, o marido Heli, decidindo que não deveria mais ser homem, resolveu partir para cirurgia de remoção do pênis, mas tudo em concordância com sua esposa, inclusive quanto a permanecerem num novo casamento como transexuais.

Porém, a lei da Finlândia não permitia casamento homossexual, ainda que possibilitasse um contrato civil entre homossexuais e transexuais. O casal Hämäläinen, insistente em ser casado,  apelou para a corte europeia com o seguinte argumento: sendo já heterossexualmente casados, não podiam celebrar um contrato civil de convivência transexual porque a crença religiosa deles não permitia o divórcio, ou desfazer o casamento original. Teriam que apenas alterar a certidão. O que era, já não seria mais, mas seria.

No recente caso da França, acima citado, julgado pelo corte europeia, os cidadão franceses Chapin and Charpentier processaram o governo francês por não permitir o casamento homossexual deles. O processo iniciou-se em 2004, antes da França legalizar esse tipo de casamento, mas foi finalizado em 2016. O fato é que, independente do que países decidam dentro da sua jurisdição, a corte europeia negou que o casamento homossexual seja um direito humano universal. 

A decisão da corte europeia pautou-se pelo artigo 12 da “Convenção Europeia dos Direitos Humanos” que rege: “Homem e mulher na idade casável têm o direito de contrair o matrimonio e fundar uma família, de acordo com as leis nacionais sobre esse direito.” Esse artigo seguiu o artigo 16 da “Declaração Universal dos Direitos Humanos”: “Homem e mulher na idade plena, sem limitação devido a raça, nacionalidade ou religião, têm o direito de casar e fundar uma família.”

Esses estatutos sobre direito ao casamento fazem a milenar leitura, sensata e autoevidente, que casamento é heterossexual, ainda que respeitando o direito democrático das pessoas, desde que na sua particularidade, tomarem caminhos inusitados, como um contrato civil de convivência homossexual, mas nunca um matrimonio.  Enfim, a corte europeia, orientada por esse entendimento milenar, choca-se com o doutrinamento do politicamente correto.

A corte correu o risco de ser escrachada, como sempre se faz na mídia e academia nesses casos, com a acusação de ser homofóbica. Mas foi tratada com a outra tática do politicamente correto dominador da mídia, isto é, a decisão da corte foi ignorada. É a “tolerância repressiva” ensinada por Herbert Marcuse, um dos grandes mentores do novo marxismo, movimento basilar do politicamente correto. É a conversa da livre expressão, mas desde que concorde com a nova esquerda cultural.

Em meio ao momento em que densas trevas descem sobre a sociedade ocidental, a lucidez desse entendimento da corte europeia brilha como um farol em meio a uma tempestade fatal. O arguto pensador G. K. Chesterton alertou sabiamente: “Este triangulo de truísmos, de pai, mãe e criança, não pode ser destruído; Ele destrói aquelas civilizações que o desconsidera. ” Se luzes como a da corte europeia não abalizar a trilha da civilização, consequências desastrosas virão.