“Os professores estão sofrendo de fobia escolar, antes um distúrbio psicológico exclusivo das crianças”, apontou Raymundo de Lima, professor de fundamentos da educação na Universidade Estadual de Maringá. A causa de tal fobia é total falta de valores e comportamentos recomendáveis por parte dos alunos, tanto nas escolas públicas como nas escolas tradicionais particulares. Havia erros no passado, mas a situação é pior hoje.

O diagnóstico dessa situação revela duas causas. Uma causa foi o surgimento da visão psicologizada do indivíduo. E, conectado a esta, vem a outra causa que é o desaparecimento de pais que eduquem seus filhos. A visão psicologizada atual explica todos os comportamentos através da adoção de uma das “chaves” psicológicas dentre as diversas correntes de psicologia.

Essas “chaves” são divergentes, mas têm em comum a ação de eliminar a responsabilidade moral de cada individuo diante de seu comportamento. A responsabilidade e causa de atitudes erradas são sempre de outrem ou algo mais. O indivíduo se torna vítima, inimputável e intocável. E mais, prega-se que o bem-estar dele está acima de qualquer responsabilidade, acima até de valores morais, gerando um indivíduo auto-centralizado.

Os pais, formados numa sociedade com essa visão, adotam essa perspectiva de vida auto-centralizada e se tornaram irresponsáveis no compromisso conjugal, bem como confusos e inoperantes na educação de seus filhos. E mais, com o surgimento do “especialista” psicológico, como o único que tem o “segredo” da “cura”, foi roubada dos pais a segurança milenar de que eles são os que realmente entendem de filhos, da educação deles.

Diante das variadas definições das diversas psicologias sobre o que é o ser humano, os pais já não sabem que ser é o seu filho. Nessa incerteza só ficou certo o fato que o ser humano como ser moral e responsável, seja no papel de pai ou de filho, desapareceu. Os pais não são mais capazes de corrigir e disciplinar, bem como não têm referência para estabelecer limites. Eles não têm convicções morais em si mesmos e por isso também não têm o que dar a seus filhos. O ato de amar que, além do orientar, deve incluir o disciplinar consistente e de forma sábia, foi suprimido.

Como o filho não educado é insuportável, e isso já na tenra idade, a experiência de ser pai é considerada um martírio, e assim se deseja no máximo um filho. Pais separados, estando focados em “encontrar o novo amor” e sobreviver à duplicação de compromissos sentimentais, empurram a responsabilidade da educação do filho de um para o outro.

Quando são notificados do comportamento repreensível de seus filhos, os pais se manifestam com atitudes réprobas. Uma resposta comum é que os outros é que estão errados, pois os filhos são ótimos, ou são “reizinhos” do mundo, ou são vítimas. Outra resposta comum é que, se estão pagando, então o profissional é quem deve resolver o problema, seja a escola, seja o terapeuta. E, por estarem “ocupados demais”, ou frustrados diante de filhos indomados, e vendo a si mesmos como “psicologicamente incapazes”, os pais transferem os filhos para outros, bem como os entrega à perversão da mídia.

Essa atitude de ver a escola como “a educadora” é um dos maiores equívocos. Educação tem dois significados. Um é a educação informativa, que é o transmitir dados. A outra é a educação formativa, que é o transferir valores morais e espirituais. Hoje, resguardadas as exceções, a escola é apenas informativa. A educação formativa desapareceu da escola. Primeiro porque a escola também está psicologizada, por isso não tem nenhuma convicção e referência moral que a guie em formar os alunos. Segundo, como os pais também estão psicologicamente neutralizados, a escola se torna impotente por não poder contar com os pais. Aliás, se o aluno tiver alguma formação no lar, é comum o ambiente escolar destruir essa formação.

A escola só pode ser formativa enquanto braço auxiliar dos pais, como foi no passado. Os pais são os verdadeiros educadores, e a eles pertencem os filhos. Mas, isso exige pais moralmente convictos que tenham direção segura e edificante para dar a seus filhos. E exige pais que, negando o materialismo e o hedonismo, conheçam a verdade espiritual cristã para a transmitirem aos filhos, assim dando a eles o que satisfaz e dá o propósito adequado à vida.

Porém, nessa miséria atual de um mundo de adultos moralmente neutralizados e ausentes, as crianças são entregues a si mesmas. Os pais as abandonaram, ainda que sejam bons provedores materiais. Elas estão à mercê de todo tipo de força exploradora e interesseira. Ninguém as protege. Ninguém as ajuda a se libertar do egoísmo, desrespeito, vazio e imoralidade. Não recebem o amor que se conhece somente através da disciplina e princípios. Ainda não formadas, portanto, despreparadas, encontram-se sós num mundo terrível. É muito triste ser criança hoje. Os pais que conseguem resistir a esse tsunami social desorientador têm um filho feliz e abençoado, mas são poucos.