O Brasil deu um passo crucial na direção certa. Mas foi apenas um passo. Mantendo a direção correta, o Brasil ainda tem uma longa caminhada. E muito longa. Particularmente, vencida a “esquerda”, destaca-se a necessidade de corrigir a “direita”.

O passo inicial basilar foi dizer não ao socialismo-marxismo, elegendo um presidente contraponto. Porém, há muito mais à frente. Há a imoralidade e corrupção culturalmente sistêmica. Há a questão se o novo presidente e equipe serão eficientes na administração, e se terão sucesso em suas propostas, bem como no lidar com um Congresso sofrível.

Mas, um desafio basilar é revelado pelos números da votação nessa eleição presidencial. O candidato eleito, Jair Bolsonaro, recebeu 56% dos votos. Porém, a chapa perdedora, de Fernando Haddad, contou com 44% dos votos. O problema não é que 44% não votaram no candidato vencedor. O problema, que impressiona, é que 44% votaram numa chapa definitivamente marxista.

Assim votando, 44% votaram inclusive numa candidata a vice-presidente declaradamente comunista ortodoxa radical (PCdoB). Se eleita a chapa da “esquerda”, numa eventualidade da falta do presidente dela, o Brasil passaria a ser governado por uma comunista ferrenha. 44% dos brasileiros não viram nenhum problema nisso. E, pior ainda, é se votaram sem saber que optavam por essa possibilidade.

É assustador esse aval de 44%, ao comunismo-marxismo, diante do fato que essa teoria política, que já foi mais que testada, foi abortada mundo a fora. É uma teoria essencialmente ateísta e que faz um reducionismo da vida, e ser humano, ao material. É uma proposta que subjuga o indivíduo ao Estado. E na versão atual da teoria, o neomarxismo, ela promove o arrebentar dos valores que sustentam a humanidade, particularmente detonando sexo e família, como meio de conduzir a sociedade ao marxismo. É uma teoria cruel e fracassada. Uma teoria que condenou 100 milhões à morte (o Nazismo matou cerca de 25 milhões). Marxismo é uma péssima e maldosa teoria, mas cheia de tantas ilusões que cativam incautos.

A fracassada Cuba, da ditadura “castrista”, atualmente em processo de aprovar uma nova constituição, incluiu, no proposto texto, o direito à propriedade privada e a lei de mercado (novidades por lá, e que sempre foram tidas como aberrações para o comunismo). E mais, até poucos dias havia sido decidido a retirada do termo “comunismo” do texto da carta magna cubana. Esse passo foi revertido, no texto ainda a ser aprovado, devido a um esforço significativo dos donos e velha guarda do “partido” único.  Enquanto isso, 44% do Brasil estavam dispostos a eleger uma chapa marxista, com uma candidata a vice-presidente comunista radical. E que apregoa Cuba como modelo para o Brasil.

Entretanto, ainda que o risco de um governo comunista, ou marxista, ou de seus assemelhados, estar por enquanto afastado do Brasil, as décadas de estratégia e doutrinação neomarxista formataram uma geração toda nesse pensamento. A mídia, em geral, está moldada por essa ideologia. O meio artístico está dominado. O sistema educacional foi aparelhado com essa teoria política. E professores e didática foram formados nessa orientação. Nessas esferas, alguns são filosoficamente informados, e a maioria é de influenciados superficiais e inconsequentes.  Será preciso reverter essa doutrinação de massa, ou o risco continuará rondando.

Mas os desafios se movem da “esquerda” marxista para a “direita”. Ainda que a “esquerda”, orientada pelo marxismo, seja uma proposta equivocada e rejeitável, a crítica que a “esquerda” faz, a algumas características da estrutura socio-político-econômica do Brasil, está correta em muitos aspectos (Porém, no poder, a “esquerda” brasileira adaptou e adotou para si muito que há nos males que critica).

Em geral, a “direita” no Brasil destoa em muitas facetas do que o termo significa na forma clássica. Se “direita” significa lei-de-mercado justa, liberdade individual, oportunidade igualitária, responsabilidade individual, empreendedorismo e descentralização, a “direita” histórica do Brasil é uma versão viciada. É uma “direita” sofrível por incluir na sua composição o patrimonialismo, compadrio público-privado, domínio de coronéis, estatismo oportunista, governo centralizador, elite juridicamente privilegiada, capitalismo estilo predador, paternalismo manipulador e etc. E nesse quadro se desenrola um conluio entre governo centralizador e elites privilegiadas.

Derrotada a “esquerda”, o novo governo precisa corrigir os desmandos da tal “direita”. Ele precisa estabelecer uma sociedade justa – justiça nos relacionamentos sociais e econômicos é a tarefa primordial do governo (Se fizer somente isso, já será muito positivo). Se é necessário reformar a economia, a carga tributária e o sistema político, também há a necessidade de transformar a plástica socioeconômica. É necessário formar uma sociedade que abre para todos as portas da possibilidade, com responsabilidade individual, recompensando os méritos, e nunca premiando a indolência ou oportunismo. E precisa ser incansável no combate contra toda corrupção e criminalidade.

É necessário ser um governo que estende a oportunidade do emprego através da implementação de desenvolvimento em todas regiões, rejeitando a maléfica solução do assistencialismo. E que cria oportunidade de capacitação, e não imorais programas de dependência. É preciso viabilizar a oportunidade de uma vida digna para aquele que se empenha. E o novo governo precisa implementar eficiência e objetividade no serviço estatal, nas diversas esferas. Também precisa eliminar os privilégios descabidos. E necessita conscientizar a máquina estatal da natureza da sua função como “servidor público”. Em meio a tanto a ser feito, o novo governo é um frescor na longa caminhada ao ser um passo na direção certa.