O que dizer dos desastres naturais que acontecem com frequência em várias partes do mundo? Muitos cristãos suscetíveis têm sérias dificuldades relativas à vasta gama de desastres naturais em grande escala que acontecem ao redor do mundo – um terremoto num lugar, a fome em outro, tufões e enchentes em outro lugar. Milhares de pessoas morrem imediatamente, outras morrendo lentamente de fome. Regiões inteiras são devastadas, plantações são arruinadas, lares são destruídos. Podemos perguntar: “porque Deus permite tais coisas?” Ou “porque Deus permite que todas aquelas crianças inocentes morram de fome?”.

Não é errado lutar com tais questões, contanto que façamos isso com uma atitude reverente e submissa a Deus. Na verdade, deixar de lutar com a questão da tragédia em grande escala pode até mesmo indicar uma falta de compaixão da nossa parte para com os outros. Entretanto, precisamos cuidar para, em nossa mente, não tirar Deus de Seu trono da soberania absoluta ou colocá-lo no banco dos réus e levá-lo para o nosso tribunal a fim de julgá-Lo.

Enquanto escrevia este capítulo, assisti ao noticiário da TV certa noite. Uma das matérias principais foi de uma série de grandes tornados que varreu a parte central do estado de Mississipi, matando 7 pessoas, ferindo pelo menos outras 145 e deixando aproximadamente 500 famílias desabrigadas. Enquanto eu assistia as imagens das pessoas mexendo nos escombros daquilo que fora seus lares, meu coração se compadeceu delas. Pensei comigo mesmo: “algumas dessas pessoas certamente são cristãs. O que eu diria a elas a respeito da soberania de Deus sobre a natureza? Será que eu mesmo creio nisso em momentos assim? Não seria mais fácil simplesmente aceitar a afirmação do rabino Kushner de que isso é apenas um ato da natureza – Uma natureza moralmente cega que se agita de acordo com suas próprias leis? Por que trazer Deus para dentro de tal caos e sofrimento?”.

Mas o próprio Deus é quem faz tais eventos acontecerem. Ele disse em Isaías 45.7:

Eu formo a luz e crio as trevas;

Faço a paz e crio o mal;

eu, o SENHOR, faço todas estas coisas.

O próprio Deus aceita a responsabilidade dos desastres, por assim dizer. Na realidade, Ele vai além de aceitar a responsabilidade; Ele de fato reivindica a responsabilidade. No fundo, Deus diz: “Eu, e Eu apenas, tenho o poder e a autoridade de trazer à existência tanto a prosperidade quanto o desastre, tanto a felicidade quanto o pesar, tanto o bem quanto o mal”.

É uma verdade difícil de aceitar quando você assiste pessoas olhando cuidadosamente no meio dos escombros de seus lares ou – mais forte ainda – se você está remexendo no meio dos escombros da sua casa. Porém, conforme comentou o Dr. Edward J. Younge sobre Isaías 45.7: “Nós nada ganhamos procurando minimizar a força do presente versículo”. Precisamos deixar que a Bíblia diga o que diz, e não o que achamos que ela deveria dizer.

Obviamente não compreendemos por que Deus cria desastres, ou porque Ele os provoca em uma cidade específica e não em outra. Reconhecemos também que, assim como Deus envia o Seu sol e a Sua chuva tanto para o justo quanto para o injusto, Ele também envia o tornado, o furacão ou o terremoto sobre ambos. Tenho amigos, colegas da missão “Os Navegadores”, que estavam no meio do terremoto de 1985, na Cidade do México.

A soberania de Deus sobre a natureza não significa que cristãos jamais enfrentarão as tragédias de desastres naturais. A experiência e a observação claramente ensinam o contrário.

A soberania de Deus sobre a natureza significa de fato que, qualquer coisa que experimentemos seja por causa do tempo ou de outras forças da natureza (assim como pragas ou invasão de insetos em nossa plantação), todas as situações estão debaixo do olhar atento e do controle soberano do nosso Deus.

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Dr. Jerry Bridges (04/12/1929 – 06/03/2016) foi um autor cristão evangélico, palestrante e membro da equipe da organização “Os Navegadores” nos Estados Unidos. Graduado em engenharia na Universidade de Oklahoma, serviu como oficial da Marinha durante a Guerra da Coréia e ingressou na organização “Os Navegadores” em 1955. Bridges faleceu em Colorado Springs, Colorado, aos 86 anos de idade.

Texto extraído do livro Confiando em Deus Mesmo Quando a Vida nos Golpeia, Aflige e Fere (Jerry Bridges – NUTRA Publicações, 2019).

Reproduzido e adaptado com permissão da editora NUTRA Publicações.

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