Religiões têm seus fundadores. O Islamismo foi fundado por Maomé, o Budismo por Gautama Buda, e o Espiritismo por Alan Kardec. Numa categoria especial existe o Judaísmo que tem em Moisés não um fundador, mas um estruturador.  E em outra categoria está o Hinduísmo por não ter um fundador conhecido, pois foi formado numa cacofonia de místicos através da história. Um exercício proveitoso é verificar como as religiões consideram os fundadores das demais.

Fazendo esse exercício comparativo, ele demonstra que as religiões não se preocupam ou reconhecem a contribuição espiritual dos fundadores das demais. Por exemplo, o Budismo não se interessa por Maomé, Moisés ou Alan Kardec. O Islamismo não abre nenhum espaço para Buda ou Alan Kardec. Uma exceção é o Islamismo reconhecer Moisés como um profeta, mas com as próprias peculiaridades que investe sobre ele.

Esse quadro, de cada religião desconsiderar os fundadores das demais, muda completamente quando se trata de Jesus Cristo. O Budismo, na tradição “Mahayana”, considera Cristo um “bodhisattava”, isto é, alguém com tal compaixão que moveu a porta de Nirvana a retroceder para apontar o caminho a quem carece da iluminação.

No Hinduísmo muitos eruditos e mestres têm afirmado Cristo como um dos dez “avatars” de Vishnu. “Avatar” é “um que desce” e “Vishnu” é uma das maiores divindades do panteão Hindu, por isso não é incomum ver Cristo apresentado como uma encarnação de Vishnu. No Espiritismo, Cristo é visto como um espírito evoluído e um referencial moral para essa crença. O Judaísmo reconhece Cristo como um profeta.

Relevante é o fato que Maomé é o profeta fundador do Islamismo, porém, Cristo é reconhecido como um profeta com um currículo superior ao de Maomé. Para o Islamismo, Cristo nasceu de uma virgem, realizou milagres, não morreu, mas foi arrebatado ao céu por Alá e retornará de forma visível no dia do julgamento final.

Esse afirmar de Jesus Cristo é encontrado também em outras religiões, tais como Bahaísmo, Sikhismo, Jainismo, Mormons, Nova Era etc. Ainda que o comum seja as pessoas desconsiderarem Cristo, dando a Ele uma atenção superficial, a postura das religiões em relação a Cristo indica que essa desconsideração é inadvertida.

Cristo aparece como essa figura universalmente reivindicada, em alguma forma, por todas as religiões. Isso deixa óbvio que Cristo é único na história humana e no cenário espiritual. A pessoa e obra de Cristo deve envolver algo que transcende as outras propostas. Se Cristo é disputado por todas as religiões, então faz todo sentido considerar a sua mensagem e obra de forma primordial. Ou seja, é sabiamente recomendável examinar profundamente o Evangelho, ou a doutrina apostólica na Bíblia.

É recomendável porque o Evangelho, contido na Bíblia, é a fonte original da fé, verdade e historicidade de Cristo na qual a fé cristã se baseia. Quando as outras religiões reivindicam Cristo, ainda que seja de forma incoerentemente seletiva e desonestamente alterada, elas estão autenticando o valor supremo dos Evangelhos e a doutrina apostólica, a fonte original sobre a mensagem e obra de Jesus Cristo encontrada nos registros bíblicos. Se todos querem Cristo em alguma forma, então o caminho sensato é conhecer primeiramente a Cristo, ou, os Evangelhos. Porém, neles se encontrará que Cristo é exclusivo e suficiente.

Para o Cristão, instruído pela Palavra de Deus, a Bíblia, esse foco universal em Cristo não é uma surpresa. Cristo afirmou: “Mas eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a mim” (João 12:32). O ser humano não consegue ignorar a Cristo.

Porém, infelizmente a maioria se comporta mais como Pilatos (João 18:28-40). Totalmente impressionado com a pessoa de Cristo, Pilatos não sabia o que fazer com Ele. Então manteve uma postura evasiva e distante. E Pilatos terminou seus dias numa triste condição. Terminou assim porque a única reação que estruturaria a vida para Pilatos teria sido ele se render diante da mensagem e obra transformadora de Cristo, o salvador.

Cristo é oportunidade única e maravilhosa oferecida por Deus a todo ser humano que o busca verdadeiramente. O apostolo João escreveu: “…aos que o receberam, aos que creram em seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus, os quais não nasceram… pela vontade de algum homem, mas nasceram de Deus.” (João 1:12-13, Bíblia)