O “Dia da Mulher” se tornou o dia do feminismo atual. Antes de se pensar num alegre e ingênuo “feliz dia da mulher”, é preciso se entender a essência do feminismo atual.  É dito que o feminismo já passou por três fases históricas. E a fase atual é muito distinta da primeira fase.

Na primeira fase, fins do século XIX e início do século XX, o esforço era para resgatar a dignidade da mulher, eliminando as distorções dos direitos cívicos e legais em relação a elas. Foi um movimento forte e vitorioso em diversos lugares, mas bem marcante nos EUA e Inglaterra. As lideres nos dois países, sendo religiosas na sua maior parte, eram movidas pelos princípios cristãos que afirmam que o ser humano é fruto de uma criação especial. E por isso homem e mulher são iguais perante Deus. Foi um movimento muito edificante.

Hoje, na terceira fase, o movimento abandonou as raízes originais. O feminismo não se resume mais a luta pelos direitos legais da mulher equitativos aos do homem. Na verdade, para o movimento, o que se conhece por homem e mulher é inaceitável. A argumentação do feminismo atual é a do politicamente correto, sendo baseada na tal da construção de gênero. Ou seja, masculinidade e feminilidade, ou qualquer outra coisa que o ser humano afirme ser sexualmente, é uma questão de construção social. Gênero é fluido e passível de tomar qualquer forma conforme o que a humanidade desejar construir.

O feminismo atual quer reconstruir a mulher com outra identidade do que se conhece historicamente como mulher. E ele labuta também para uma desconstrução do homem a fim de construir um ser desprovido de masculinidade. A nova geração já é marcada por uma parcela de rapazes andróginos. O feminismo atual é uma de guerra de gênero.

Esse danoso caminho da construção social é uma realidade perigosa para todos, inclusive para a mulher. Num mundo sem valores objetivos, tudo pode ainda se voltar contra as mulheres. Como tudo é fluido, pode surgir, em algum momento, uma força reacionária e dominadora com uma construção de gênero que menospreze a mulher.

O problema do raciocínio de construção social é que ele não se aplica somente ao gênero. Tal raciocínio atinge primeiramente a definição do que é um ser humano.  Sendo tudo uma construção social, até o ser humano é uma construção. Ele, ou ela, não é um ser inerentemente digno e com uma condição ontológica, de ser humano, definida a partir de uma criação. O ser humano é o qualquer coisa que se construir. O resultado desse pensamento são aberrações lógicas e éticas, como se ouve nos protestos do Dia da Mulher.

Um dos gritos do Dia da Mulher, movido pelo feminismo atual, é o direito ao aborto. O protesto feminino tem sido marcado por dois gritos dominantes. As mulheres foram para as ruas gritar “abaixo a opressão masculina”, e ao mesmo tempo gritar “deixe-nos liquidar os bebês nos nossos úteros”. Não se trata de um grito pelo cuidado da saúde da mulher. O grito é pelo direito ao aborto por demanda. Ou seja – Não me oprimam, e me deixem liquidar o indefeso.

Como se conviver com uma contradição dessas? Bem, o construtivismo social ajeita tudo. A construção social é quem define o que o ser humano é. Tudo está aberto à remodelação para se tornar adequado às conveniências e egocentrismos. Nessa fluidez caprichosa, o bebê no útero pode ser redefinido ou reconstruído, arbitrariamente, como não sendo uma pessoa. Então pode ser descartado.

Diante dessa onda poderosa do feminismo atual, embalado no politicamente correto que domina mídia e círculos acadêmicos, o bebê no ventre é vítima de opressão e morte, mas não tem um dia dele e não tem como protestar. Sofre e é levado à morte na solidão e silencio do interior de quem o gera. E sobra a tristeza de se ver que longe vai a primeira fase do feminismo que afirmava que todo ser humano é uma criação especial de Deus, portanto, todos têm uma dignidade e direito a vida inerentes.

O “Dia da Mulher” irá resgatar a dignidade da mulher quando se livrar do feminismo atual e retornar ao feminismo da primeira fase. A mulher será plenamente resgatada quando a humanidade for resgatada. A mulher é parte integrante da humanidade. Isso exige que homem e mulher sejam resgatados para um convívio de conciliação e complementação. E com dignidade equitativa por serem seres humanos igualmente criados. E assim não será deixado de fora da grande humanidade nem mesmo os indefesos, como o ser humano denominado de feto.