portrait beautiful happy woman

O “Dia da Mulher”, 08 de março, de origem polêmica, ainda que com potencial para ser muito digno, ficou pernicioso. Ele está dominado pelo feminismo atual, um braço do neomarxismo, ou, marxismo cultural. Então, antes de se pronunciar um alegre e ingênuo “feliz Dia da Mulher”, é preciso se atentar para a natureza do feminismo atual. É fácil a mulher incauta ser ingenuamente usada por uma ideologia nefasta.
É entendido que o feminismo já passou por três fases históricas. E a fase atual é muito distinta da primeira fase, ou, do feminismo original.
Na primeira fase, fins do século XIX e início do século XX, o objetivo do feminismo era eliminar discriminações injustas quanto aos direitos cívicos e legais da mulher. Foi um movimento digno e vitorioso em diversos lugares, mas bem marcante nos EUA e Inglaterra. Grande parte das lideres, nesses dois países, sendo religiosas, eram movidas pelo princípio cristão de que o ser humano, homem e mulher, é fruto de uma criação especial: “Deus …à sua imagem …homem e mulher os criou.” (Gn1:17) Então, homem e mulher estabelecidos como igualmente dignos. E harmoniosamente complementares. Era um feminismo muito pró-humanidade.
Hoje, na terceira fase, o movimento abandonou as premissas originais. Não é mais orientado pela visão bíblica-cristã. A formatação do feminismo atual vem da ditadura do politicamente correto. É a soma da “pós-modernidade” com o “neomarxismo”, ou, marxismo cultural.
A pós-modernidade afirma a verdade como construída, então, relativa e fluida. Por isso, propaga o absurdo do “gênero como construção”, relativizando o gênero natural. Ou seja, masculinidade e feminilidade, ou qualquer outra coisa que o ser humano afirme ser sexualmente, está aberto para ser alterado pela construção social e individual. Se desconstrói e reconstrói como quiser. O feminismo quer refazer a engenharia dos gêneros. No feminismo pós-moderno a humanidade esvaece.
A visão pós-moderna se junta, no feminismo atual, à teoria neomarxista através da bandeira do “oprimido” – a mulher é “oprimida”. Porém, se “opressão” é condenável, é preciso destacar que esse “oprimido” do feminismo tem uma definição própria do neomarxismo. Tendo postergado a prioridade da luta pelo “materialmente oprimido” pregada pelo marxismo clássico, o neomarxismo estrategicamente foca no “oprimido sociocultural” como arma para destruir o capitalismo. Assim, qualquer grupo social que se construa, à volta de algum rotulo de “minoria”, passa a ser um grupo “oprimido” pelos outros – surge uma vitimização geral e quase um “todos contra todos.” Nesse sentido neomarxista, “luta” permanece como palavra de ordem para o feminismo.
Para ele, o oprimido “grupo mulher” está em guerra contra os homens, ou melhor, contra a masculinidade. O alvo é um alterar da situação sociocultural a partir da regência e referência da mulher como normativa. É preciso esvaziar os homens da masculinidade. E as mulheres assumirem a política e comando. O feminismo atual quer reconstruir a mulher com outra identidade. E quer fazer o mesmo com o homem, o reconstruindo desprovido de masculinidade. É o jogo pelo poder.
Esse pernicioso feminismo tem tido muito sucesso. A nova geração de homens já está marcada por uma visível parcela significativa de rapazes andróginos, bem como muitos confusos sobre o que são. E isso é crescente. E mais, avançando em sua tese, o feminismo atual olha negativamente o matrimônio e a maternidade como entidades opressoras da mulher.
Esse danoso caminho de valores, inclusive sexuais, como mera “construção social”, adotado pelo feminismo atual, é uma alternativa perigosa para todos, inclusive para a mulher. Sem valores objetivos e transcendentes como os dados pela criação divina, reduzindo os valores a relatividades, tudo pode ainda se voltar contra as mulheres. Nenhum dos dois sexos está permanentemente a salvo. É possível surgir, em algum momento, uma força social reacionária com uma construção de gênero avesso à mulher. A mulher corre sérios riscos.
Além de si mesmo, o feminismo não quer nenhuma ingerência, especialmente dos homens, na questão do fruto do útero. E o grito é “deixe a mulher liquidar o bebê em seu útero”. Argumentam que defendem a saúde da mulher. Aparentemente uma causa legítima. Mas na verdade a premissa desse protesto nada tem a ver com saúde. Muito falando sobre mulheres que buscam o aborto no beco, o grito é realmente pelo direito ao aborto por demanda. Afirmam que a mulher tem a autonomia para fazer o que quer com o seu corpo, mesmo quando envolver outro ser humano. A mulher que se diz oprimida, quer oprimir, ou melhor, trucidar o bebê indefeso.
Como conviver com essa contradição? Bem, para o feminismo pós-moderno tudo está aberto à reconstrução social para atender às conveniências e egocentrismos. O bebê no útero pode ser redefinido, ou reconstruído, arbitrariamente, como não sendo uma pessoa. Ele não tem inerentemente um valor objetivo e transcendente de “criatura” especial de Deus. E assim, não sendo uma pessoa, o “bebê incomodo” pode ser descartado. Esse feminismo é desumano.
A mulher será plenamente elevada quando a dignidade de toda humanidade orientar o movimento feminista. E a dignidade vem através do parâmetro da criação: “à sua imagem… homem e mulher os criou.” O conceito da criação resgata homem e mulher, com suas distinções, para um convívio de conciliação e complementação na dignidade igual de seres criados. E essa base beneficiará a todo injustiçado, seja homem, mulher ou o ser humano no útero. Será uma dignidade da mulher que promoverá a harmonia da humanidade.