Na primeira fase, fins do século XIX e início do século XX, o objetivo do feminismo era eliminar discriminações injustas quanto aos direitos cívicos e legais da mulher. Foi um movimento forte e vitorioso em diversos lugares, mas bem marcante nos EUA e Inglaterra. As líderes, nesses dois países, sendo religiosas na sua maior parte, eram movidas pelos princípios cristãos de que o ser humano, homem e mulher, é fruto de uma criação especial: “Deus …à sua imagem …homem e mulher os criou.” (Gn1:17) Homem e mulher vistos como igualmente dignos. O feminismo inicial foi um movimento muito edificante.

Hoje, na terceira fase, o movimento abandonou as premissas originais. Não é mais orientado pela visão bíblica-cristã. A formatação do feminismo atual vem, em primeiro lugar, da ditadura do politicamente correto. Ele impõe o absurdo “gênero como construção”, relativizando o gênero natural. Ou seja, masculinidade e feminilidade, ou qualquer outra coisa que o ser humano afirme ser sexualmente, está aberto para ser alterado pela construção social. Se desconstrói e reconstrói como quiser. Gênero é fluido e passível de tomar qualquer forma.

Em segundo lugar, a formatação do feminismo atual vem do neomarxismo com a nova versão de “oprimido”. Tendo deixado a figura do “materialmente oprimido” do marxismo clássico, o neomarxismo adotou o “oprimido cultural”. Assim, qualquer grupo social que se construa, à volta de alguma identidade, passa a ser um grupo “oprimido” pelos outros. Porém, a “luta de classe” do velho marxismo continua valendo no neomarxismo – “luta” é palavra de ordem. Assim, para o feminismo atual, o oprimido “grupo mulher” está em guerra contra outros grupos distintos dele, especialmente contra os homens. O alvo é um nivelar cultural-social a partir da regência e referência da mulher como normativa.

O feminismo atual quer desconstruir e, então, reconstruir a mulher com outra identidade do que se conhece tradicionalmente como mulher. E quer fazer o mesmo com o homem, o reconstruindo desprovido de masculinidade. A nova geração já está marcada por uma parcela significativa de rapazes andróginos. E isso é crescente. E mais, o feminismo olha negativamente o matrimônio e a maternidade como entidades opressoras da mulher.

Esse danoso caminho de valores como mera “construção social”, adotado pelo novo feminismo, é uma alternativa perigosa para todos, inclusive para a mulher. Numa proposta assim concebida, sem valores objetivos e transcendentes como os da criação divina, reduzindo os valores a relatividades, tudo pode ainda se voltar contra as mulheres. Como tudo é fluido, é possível surgir, em algum momento, uma força social reacionária com uma construção de gênero prejudicial a mulher. Com o feminismo atual a mulher corre sérios riscos.

O agravante do raciocínio da construção social é que ele não se aplica somente ao gênero. Antes, tal raciocínio atinge primeiramente a definição do que é um ser humano.  Sendo tudo uma construção social, até o ser humano é reduzido a uma construção. O ser humano é qualquer coisa que a cultura venha a construir.

O protesto feminino tem sido marcado por “abaixo a opressão masculina”. E também pelo grito “deixe a mulher liquidar o bebê em seu útero”. Argumentam que defendem a saúde da mulher, algo legítimo, mas na verdade a premissa desse protesto nada tem a ver com saúde. O grito é pelo direito ao aborto por demanda. Afirmam que a mulher faz o que quer com o seu corpo, mesmo quando envolver outro ser humano. A mulher que se diz oprimida quer oprimir, ou melhor, trucidar o bebê indefeso.

Como se conviver com uma contradição dessas? Bem, para o feminismo tudo está aberto à remodelação social para atender às conveniências e egocentrismos. Nessa fluidez caprichosa, o bebê no útero pode ser redefinido, ou reconstruído, arbitrariamente, como não sendo uma pessoa. E isso sem que se apresente objetivamente uma justificativa biológica-existencial. E assim, não sendo uma pessoa, o “bebê incomodo” pode ser descartado. O fato é que, no feminismo atual, da relatividade da construção social, o bebê não está protegido pelo parâmetro objetivo do ser humano ser uma criação de Deus.

A mulher será plenamente elevada quando a dignidade de toda humanidade orientar o movimento feminista. E isso vem através do parâmetro da criação: “à sua imagem… homem e mulher os criou.” O resgate do conceito da criação resgata homem e mulher para um convívio de conciliação e complementação na dignidade de seres humanos igualmente criados. E assim, a partir da grande humanidade advinda da criação, a luta pelos direitos da mulher beneficiará a todo injustiçado, seja a mulher, ou outros, como o indefeso ser humano no útero. E o “Dia da Mulher” será um farol para toda a humanidade.