O cuidado com o meio ambiente, intensamente bombardeado na sociedade, carece de uma justificativa. Uma mensagem que prega um dever é uma mensagem de ordem moral, portanto, precisa um embasamento que a imponha. Qual é o arrazoado que transformaria o cuidado do meio ambiente em um dever moral?

A maioria abraça a causa ecológica por razões sentimentais. É uma postura associada ao romantismo e subjetivismo do se sentir bem. Num mundo em que em geral as pessoas, especialmente pelo egocentrismo, não se sentem nada bem, logo se apegam a qualquer ideia que pareça transmitir um sentir bem. Uma salvação por mérito próprio e compensação. Porém, sendo o sentimento algo subjetivo, e variável, não há como transformar esse sentimento ecológico num argumento objetivo que sustente um mandamento universal. Portanto, sentimento não sustenta o mandato ecológico.

Para outras pessoas a motivação ecológica é o modismo. Ser “verde” é pop. Essas pessoas agem manipuladas pela onda do momento. Em geral, a educação ecológica virou mera lavagem cerebral pelo modismo. Não há uma motivação além da moda. Tudo se resume a um frenesi movido pela necessidade de afirmação e aceitação. É questão de se parecer atualizado. Como moda é uma preferência pessoal e disposição subjetiva, uma moda nunca será obrigação de todos.

Há ainda aqueles que defendem o cuidado do meio ambiente com a tese do compromisso do indivíduo com a humanidade toda, particularmente com as gerações futuras. Mas esses proponentes não dizem qual é a razão pela qual alguém deveria se preocupar com os outros, especialmente com os do futuro. Ser ecológico é trabalhoso e desconfortável. Para o ser humano, sempre marcadamente egocêntrico, esse apelo não impõe nenhum dever. E o desmazelo ecológico de alguém não traz repercussões sérias durante o tempo da vida dele. E se trouxer, ele pode também escolher ignorar isso. O fato é que o caminho mais vantajoso é ser egocêntrico e nada ecológico.

O domínio do Darwinismo destrói o dever ecológico. Diante da tese de origem evolucionista, a única obrigação que o ser humano tem é com a própria sobrevivência. E o resto é com a evolução. O fato é que a evolução não justifica nenhum compromisso com ecologia, pelo contrário. Enfim, com o Darwinismo, Deus sai de cena e entra o ser humano como fonte e centro da verdade. Surge o humanismo. Ser humano por ser humano, sociedade por sociedade, cada um escolhe seu caminho mais conveniente para seu prevalecer e evoluir.

Mas, ainda, há aqueles que estão motivados a cuidar do meio ambiente pela espiritualidade asiático-oriental nas diversas formas de panteísmo ou monismo. Movimentos como o Budismo, Hinduísmo e a “New Age”, estão em alta. Nessa cosmovisão comum a eles, a busca primeira é o muito desinteressante alvo de o indivíduo se esvaecer, ou deixar de ser, e vir a dissipar em uma crida unidade metafísica ou espiritual. Esse alvo da unidade metafisica absoluta, equivocadamente parece justificar a ecologia.

Conforme o Budismo, o universo que conhecemos com sua diversidade é mera ilusão (“maya”), portanto, uma condição inferior que deve ser ultrapassada, indo para unidade absoluta. Sendo a natureza ilusória, portanto uma condição inferior, não há um valor inerente na natureza enquanto individualidades, tais como o ser humano, uma árvore, um rio, etc. Eles podem e devem esvaecer. O alvo é eliminar individualidades e diversidades. Ecologia foge do escopo do panteísmo e monismo.

Há apenas um racional que justifica e estabelece o dever moral da ecologia para a humanidade toda. Esse caminho é a verdade bíblica da criação. Cada elemento da natureza é uma criação de Deus. A criação é real, e não uma ilusão. E, sendo criada com suas diversidades, cada parte e individualidade tem um valor inerentemente. Isso impõe um dever moral sobre o homem para com toda natureza. Não sendo uma deusa, a criação pode ser utilizada para o bem do ser humano, mas, sendo criação, nunca deve ser abusada por ele. Ela pertence ao Criador.

E sendo o ser humano criado a imagem e semelhança de Deus, ele tem um valor inerente diferenciado, devendo, então, tanto o indivíduo com o seu próximo serem preservados, hoje e no futuro. E criado com essa “imagem e semelhança”, o ser humano também tem uma consciência e responsabilidade moral diante de suas ações. Portanto, o ser humano não é o “deus” da criação. Ele é um beneficiário, mas como um mordomo da natureza – criação e propriedade de Deus.

Como mordomo, o ser humano responde diante de Deus pelo bom uso da criação a ele confiada. Esse é o caminho da ecologia com justificativa racional, portanto, com um mandamento moral universal. E Cristo veio para levar o ser humano, através do arrependimento, perdão e transformação, a uma harmonia com Deus. E, consequentemente, levá-lo a uma harmonia ecológica e com o próximo.