O cuidado com o meio ambiente, intensamente bombardeado na sociedade, carece de uma justificativa. Uma mensagem que defende um dever moral precisa um embasamento racional e coerente que imponha esse dever. Porém, essa mensagem tem sido apresentada com muito barulho, mas desprovida desse embasamento moral.

A maioria abraça a tese do cuidado do meio ambiente por razões sentimentais. A postura ecológica foi associada à dimensão romântica e subjetiva do se sentir bem. Num mundo em que as pessoas, moralmente e/ou existencialmente, não se sentem nada bem, logo elas se apegam a qualquer ideia que pareça produzir um sentir bem. É uma atitude religiosa da busca da redenção pessoal. Uma boa obra que salve.

Como sentimentos variam de pessoa para pessoa, muitos se apegam a outros sentimentos, não abraçando o sentimento ecológico. E sendo o sentimento algo subjetivo, não há como transformar esse sentimento ecológico num argumento objetivo que sustente um mandamento universal. Cada um sente o que quer. Portanto, sentimentalismo não impõe o dever moral da ecologia.

Para outras pessoas a motivação ecológica é o modismo – ser “verde” é pop. Essas pessoas são manipuladas pela onda do momento. Adotando essa abordagem, a educação ecológica virou mera lavagem cerebral. No modismo não há uma motivação além da moda. Atitudes ecológicas são resultados de um frenesi ou necessidade de afirmação e aceitação. Como moda é uma preferência pessoal, ou, disposição subjetiva, uma moda nunca será obrigação de todos. O modismo não impõe o dever moral e universal do zelar pelo meio ambiente.

Há ainda a tese do dever ecológico como um compromisso do indivíduo com a humanidade, inclusive com as gerações futuras. Mas os proponentes dessa tese não dizem qual é a razão pela qual alguém deveria se preocupar com os outros, especialmente com os do futuro. Ser ecológico é trabalhoso e desconfortável. E o desmazelo ecológico de alguém não traz necessariamente repercussões sérias para ele durante seu tempo da vida. E se trouxer, ele pode também escolher ignorar isso. E mais, o egocentrismo é geralmente vantajoso. O tal do “dever para com gerações futuras” carece de justificativa.

Mas, ainda, há aqueles que estão motivados a cuidar do meio ambiente pela espiritualidade asiático-oriental nas diversas formas de panteísmo ou monismo. Movimentos como o Budismo, Hinduísmo e a “New Age” (Nova Era), estão em alta. A popularidade da yoga é um sinalizador dessa tendência. O fim último e superior é o indivíduo se esvaecer, ou, deixar de ser. E vir a se integrar a uma única unidade metafísica ou espiritual. Ensinam que a presente realidade, em sua multiplicidade, é maya, ou, uma ilusão. Precisa ser superada. E isso não se refere a harmonia entre as individualidades. Se trata de fundir num único bloco metafísico a individualidade dos seres e coisas. Nessa visão, natureza é maya, sendo o dever ecológico é sem sentido.

O Darwinismo é outra visão que precisa se ver com a ecologia. Nele, moral objetiva não existe. Moral é relativista, sendo apenas uma conveniência da vontade humana. A realidade é apenas uma massa material bruta. E, então, uma massa moralmente inconsequente, tanto no seu surgimento como no seu destino. Na evolução, vigorando a sobrevivência do mais apto, o único fator que move o indivíduo é a própria sobrevivência. Ou seja, não há nenhuma obrigação moral. A evolução não justifica nenhum compromisso com a preservação do meio ambiente, nem consideração ao próximo, no presente ou no futuro, pelo contrário.

Há apenas um racional que justifica e estabelece o dever moral da ecologia para a humanidade toda. É a verdade bíblica da criação – Deus criou a natureza. Sendo cada elemento da natureza uma criação de Deus, a criação é real, e não ilusão. E, então, ela tem um valor inerentemente bom em todas as suas individualidades. Por isso, pela ótica da criação, o ser humano vê nela algo estimável e precioso. E não sendo uma deusa, mas uma criação, a natureza não deve ser adorada. E pode ser desfrutada e utilizada para o bem do ser humano.

Porém, pertencendo criação a Deus e não ao ser humano, ela nunca deve ser abusada. Como o ser humano foi criado à imagem e semelhança de Deus, sendo assim também espiritual, ele é consciente do dever moral – fato empiricamente observado. E ele é moralmente responsável diante do Criador. Portanto, o ser humano interage com a criação consciente que é apenas um administrador da propriedade de outrem, e um outrem que tem ascendência sobre ele.

Como um mordomo moralmente consciente, o ser humano responde diante de Deus não apenas pelo bom uso da criação, mas também pelo bom uso de sua própria vida, bem como pelo bem-estar de seu próximo. Todos têm uma dignidade e valor eterno inerente por terem sido igualmente criados à imagem e semelhança de Deus. Portanto, como um cuidador da criação divina, o ser humano tem uma responsabilidade ecológica para com seus contemporâneos e com as gerações futuras.

Esse é o caminho da ecologia com justificativa racional que sustenta um mandato moral universal. E Cristo veio para levar o ser humano, através do arrependimento, perdão imerecido e transformação, a uma harmonia com Deus. E, consequentemente, levar o ser humano a um zelo ecológico e dever de para com o próximo no presente e futuro.