Todo ser humano acaba se rendendo diante de um altar. Todos buscam uma forma de salvar sua existência. Não há ser humano sem uma devoção suprema. Alguns acabam se rendendo de forma declaradamente “religiosa”. Eles afirmam que há uma entidade suprema a quem devem o seu culto. Muitos fazem isso diante de objetos, atribuindo aos mesmos poderes e qualidades transcendentais. Um exemplo disso é encontrado na forma popular do Budismo ou Cristianismo.

Mas há aqueles que, julgando-se mais informados, negam que cultuam qualquer coisa classificada como “religiosa”. No entanto, como é inevitável, eles também se devotam ao seu “deus” supremo, na forma de entidades “seculares”, como o materialismo, dinheiro, sexo, prazer, poder, pessoas, seu ego, uma causa, etc… Escolhem algo que julgam valer a existência, colocam esse algo em primeiro lugar, e primeiramente prestam todo esforço e dedicação a esse algo. Seja na forma “religiosa” ou “secular”, todo ser humano se agarra a uma devoção.

A busca de algo que dê razão a existência não é o problema. O ser humano, criado como ser espiritual, sabe que a vida necessita de um sentido além de si mesmo. Ele foi criado para cultuar. O problema é quando a “divindade” cultuada pertence a esfera finita da criação, portanto, não superior a existência. Nada no universo criado pode ser alvo desse culto supremo. Isso é a prática de “idolatria”, a ilusão do prestar culto a quem ou aquilo que não é adequado para recebê-lo.

Esse perigo é o alvo do mandamento das Escrituras: “Eu sou o Senhor, teu Deus… Não terás outros deuses além de mim. Não farás para ti nenhum ídolo, nenhuma imagem… Não te prostrarás diante deles, nem lhes prestarás culto… (Ex. 20:3-4). A advertência da revelação divina busca prevenir o equivoco de se cultuar aquilo que não é Deus. À parte de Deus, tudo é finito e dependente. Somente o eterno, onipotente e verdadeiro pode plenamente preencher o anseio espiritual, e isso tudo somente Deus o é.

Colocar qualquer coisa no lugar ou junto a Deus é cair no engano. A existência humana sempre acabará revelando com enorme desapontamento como é grande o erro da idolatria. Deus, sempre comprometido com a verdade, adverte que o ser humano não permita que sua inevitável necessidade espiritual seja arrastada para o erro da idolatria. “Eu sou o Senhor… não terás outros deuses…” Os ídolos, ou “deuses”, acabam detonando a vida humana.

O processo da idolatria tende a ser sútil. Na forma religiosa geralmente começa com a procura de certos objetos religiosos para auxiliar na devoção a Deus. Aos poucos o objeto é alvo de devoção, passando a receber o que é devido somente a Deus. Na forma secular o processo é através da atração e deslumbramento por algo, e, pouco a pouco, a vida toda passa a girar em torno desse algo. A sabedoria divina nos ensina a constantemente avaliar nossos valores e atrações à luz das Escrituras, sondando se nosso íntimo e exterior se guiam pela verdade “Eu sou o Senhor… não terás outros deuses…”

Esse Deus único, que maravilha o ser humano com sua plenitude, deslumbra ainda mais porque Ele é pleno em misericórdia. Ele manifestou na história a verdade dessa tremenda misericórdia de forma indiscutível na pessoa de Cristo. Não obstante a rebeldia comum do coração humano de insistir em ser idólatra, Deus chama ao arrependimento e perdão mediado pela morte de Cristo na Cruz. Ele chama ao encontro com a verdade – Ele mesmo. O único que é digno e adequado para ser adorado e adorado exclusivamente. E somente aí o ser humano será plenamente satisfeito. “Eu sou o caminho, a verdade e a vida, ninguém vem ao Pai, a não ser por mim”, afirmou Jesus Cristo (Bíblia, Jo 14:6).