Na atualidade, a utilização do rótulo “Fascismo” revela um desiquilíbrio chocante. Isso pode ser exemplificado na reação à recente demissão do Secretário da Cultura Roberto Alvin, após ter citado, com alguma variação, um pensamento de J. Goebbels, o ministro da comunicação de Hitler. Para se constatar o desequilíbrio, basta rever a história.

O francês J. Rousseau, admirado na Pedagogia, em seu “O Contrato Social”, propôs o Coletivismo, uma teoria socialista. Argumentou que o individuo deve se render diante do Coletivismo. Ou seja, defendeu o Coletivismo como um totalitarismo do estado/governo subjugando o cidadão. Rousseau influenciou o renomado filósofo alemão I. Kant. Assim, o Coletivismo passou a integrar o pensamento filosófico na Alemanha. Isso fica evidente no ensaio sociopolítico de Kant intitulado “Idea for a Universal History With Cosmopolitan Intent”.

O discípulo de Kant, o alemão J. Fichte, avançou a proposta do Coletivismo, mas já com aspirações nacionalistas, com preferência pela etnia e cultura alemã. Outro pensador alemão, G.F.W. Hegel, foi influenciado por Rousseau, Kant e Fichte, não apenas na metafísica, mas também quanto a questão sociopolítica. É enorme o peso de Hegel na história e pensamento alemão. E isso como proponente do Coletivismo. Em “Philosophy of Right”, Hegel afirma: “Portanto, se o estado pede a vida, o indivíduo deve entregá-la.”

Na sequência, o também alemão Karl Marx, o pai do Marxismo-Comunismo, foi influenciado por Hegel, mas delineando o Coletivismo, ou Socialismo, pelo lado material-econômico da vida e com visão internacionalista. Entretanto, na Alemanha, a já historicamente existente vertente do Coletivismo nacionalista, privilegiando a etnia alemã, considerava inviável um socialismo internacional. E ela acaba fundando o Nazismo (Nationalsozialismus), ou, o Fascismo de Hitler. Aliás, Hitler afirmou: “…basicamente o Socialismo Nacional e o Marxismo são a mesma coisa.” Goebbels, PH.D. em Filologia, adotava pensamento semelhante.

Como as duas correntes, a marxista e a fascista, não se entenderam devido suas distinções, elas entraram em conflito na Alemanha. A versão fascista tomou o poder sob a liderança de Hitler. Depois, provocou a Segunda Guerra Mundial.

Com a derrota da Alemanha, bem como do Nazismo-Fascismo dentro dela, na Segunda Guerra, e estando a Rússia marxista-comunista do lado vitorioso, prevaleceu no mundo o Coletivismo-Socialismo internacionalista, proposto por Marx. Entretanto, mesmo antes da Segunda Guerra, com a vitória do Fascismo de Hitler na Alemanha, muitos marxistas já haviam percebido que a proposta deles não iria arrebatar os povos do mundo, como Marx havia profetizado. Depois da Segunda Guerra, observando a experiencia comunistas em países como a Rússia, isso ficou mais evidente para eles.

Frustrados, alguns marxistas são motivados a fundar a Escola de Frankfurt, com seus pensadores reinventando o Marxismo, criando assim o Neomarxismo, com proposta internacionalista. E hoje essa teoria molda, em boa medida, as instituições intelectuais do Brasil (Paralelo à Escola de Frankfurt, A. Gramsci, na Itália fascista, também faz semelhante revisão do Marxismo).

Foi tremendamente trágico o resultado histórico das duas correntes políticas: Fascismo-Nazismo e Marxismo-Comunismo. Mas isso não surpreende. Qualquer Coletivismo exige totalitarismo. Quanto mais avança o socialismo, mais centralização e opressão são necessárias. E a tragédia causada por essas correntes coletivistas não é segredo.

O Nazismo-Fascismo de Hitler, totalitário e socialista, matou cerca de 12 milhões de pessoas. E assim virou rótulo deplorável. E rótulo sempre utilizado como arma retórica pelo “Politicamente Correto”, a serviço do Neomarxismo, para silenciar um oponente. Porém, o Comunismo, baseado no Marxismo, que gerou o atual e popularizado Neomarxismo, matou o absurdo número de cerca de 138 milhões de pessoas (inclusive também perseguindo os judeus). Uma crueldade sem paralelo, como narra bem as 900 páginas da obra “O Livro Negro do Comunismo”. Cuba, ainda adorada pelos marxistas e neomarxista, participa integralmente dessa maldade histórica na proporção do seu tamanho.

Quando um pensamento de J. Goebbels causa pânico no Brasil, com gritos rotuladores de “Fascismo”, fica evidente o desequilíbrio da mentalidade e elite do país. Impressiona como Fascismo é repelido, mas o Marxismo, e seu filhote, o Neomarxismo, são tolerados e até abraçados por tantos. Repugnância apenas ao “Fascismo” revela um desequilíbrio decorrente de uma mentalidade doutrinada, desprovida de lucidez e crítica. Mentalidade formatada por ideologia conduz a estultícia homérica. É preciso calibrar a reação quanto ao coletivistas Marxismo e Neomarxismo.