Durante a construção de uma catedral, um visitante perguntou a um pedreiro o que ele estava fazendo. O pedreiro respondeu: estou assentando tijolos. Então o visitante fez a mesma pergunta a outro pedreiro que também assentava tijolos.  E ele respondeu: estou construindo uma catedral. Atividades equivalentes, mas propósitos bem distintos. Questionamento semelhante cabe a vida humana: ao se viver, o que se está primordialmente fazendo? Há um propósito maior que justifica e harmoniza as facetas da vida humana?  Ou ela é apenas um afadigar com fragmentações sem nexo? A questão crucial é: Para o que primeiramente se vive?

As pessoas passam rapidamente pelos anos de vida numa corrida infinda atrás de muitas coisas. Consumidas pelas demandas da sociedade e mídia, girando estonteadas, elas ficam ocupadas ao ponto de não poderem pensar se há uma razão que justifique a correria existencial delas. É preciso parar e refletir. Qual é a razão central do viver? Ao que se está entregando os poucos anos que se tem neste mundo? Depois de tudo dito e feito, será possível dizer que o propósito do viver valeu a pena?

O comum é as pessoas correrem atrás de tudo. São presas de tudo que o mundo e mídia balança na frente delas. E não conseguem precisar qual é realmente a finalidade central de suas vidas. Vivem uma vida fragmentada e desconexa. Elas não têm um centro que estabeleça e conecte as facetas da vida. Elas não constroem uma organização existencial e edificante no todo. Vivem muito atarefadas, mas uma existência sem nexo.

Mas todos, conscientes ou não, perseguem prioritariamente algum propósito de vida. Para alguns a corrida é atrás daquilo que é material ou financeiro.  Para outros é o poder, status ou prazer. E há aqueles que, de forma mais nobre, vivem para a família. O fato é que à volta de algum altar o ser humano queima seus anos. Mas todos esses altares, inclusive a família, são menores que a vida. São essencialmente finitos e fugazes. Eles não são suficientes para dar nexo ao todo da existência humana e sua dimensão eterna.

O não ter um altar central à altura da sublimidade e transcendência da vida humana leva a um desequilíbrio e fragmentação desconexa. Harmonização equilibrada e nexo exigem um propósito prioritário que administre adequadamente o todo da vida. E isso exige um propósito central que informe sabiamente o que é devido a quem, a que, quanto e como. É preciso refletir e examinar. Se, por exemplo, a razão da vida for o material, então a família e pessoas serão medidas e tratadas de acordo com o material. Muitos, tentando contornar essa situação lamentável, se tornam vidas “esquizofrênicas”, conflitantes e fragmentadas. Por exemplo, eles são uma coisa fora de casa e outra em casa. E, como em geral uma separação total das facetas é difícil, a conturbação acaba aparecendo.

Um propósito central de vida deve ser algo pelo qual vale a pena viver, especialmente diante da eternidade. E deve ser um propósito que também responda e organize lucidamente todas demandas da vida e de forma edificante. E isso na somatória de todos os anos de vida e à luz da eternidade, produzindo uma história eterna holisticamente bela, coerente e construtiva. História de sucesso numa área da vida, mas com destroços em outras, é existência fracassada.

Os propósitos centrais adotados que sejam menores do que a vida são ídolos do coração que dominam a vida. Ídolo é tudo o que toma insuficientemente o lugar de Deus. Ídolos são pequenos demais para a vida humana e são sempre daninhos.  O ser humano foi criado por Deus e para Deus. Somente a transcendência dele pode atender o todo e a sublimidade da vida. E isso na dimensão eterna.

Quando glorificar a Deus é o propósito central da vida, cada faceta da vida é colocada no lugar certo, na medida equilibrada, com o valor recomendável, rejeitando o que é destrutivo. E tudo isso num projeto eterno, conforme o anseio inevitável do espírito humano. Com Deus chega a verdadeira harmonia e nexo ao afã do existir no seu todo. O apóstolo Paulo instruiu assim: “façam tudo para a glória de Deus.” (Bíblia, I Coríntios 10:31)

Cristo veio para viabilizar esse propósito único e adequado – viver para a glória de Deus. Em Cristo há a possibilidade do encontro e acerto definitivos com Deus. E o glorificar a Deus passa a reger a diversão, sexo, família, profissão, finanças, emoções, etc. Cristo leva a pessoa a viver para quem ela foi criada – Deus. E aí tudo se organiza, equilibra, faz sentido e edifica. Nessa proposta os anos vêm e vão, realizações são conquistadas, e uma história harmoniosa, sábia, bela, edificante e eterna é escrita.