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Há um embate moral intenso na atualidade. E o rotular é uma tática que está sendo aplicada ferrenhamente. A tática é lançar mão do que se etiquetou com réprobo, inclusive as vezes sem o devido entendimento, para carimbar negativamente quem discorda. Isso é feito de forma muito comum quando a questão é a moral da sexualidade, particularmente relacionada ao homossexual e transgênero.

Um dos rótulos mais usados é “preconceituoso”. Se alguém não concorda, moralmente, com a homossexualidade, ele é escrachado como preconceituoso. É preciso se contrapor a isso resgatando a origem e definição de “preconceito”. A influência Cristã salgou a cultura com o preceito que todos seres humanos são igualmente dignos por serem todos criaturas especiais de Deus. Assim, julgar o valor moral e dignidade das pessoas, a partir da raça ou etnia delas, se tornou um pecado, e finalmente, um crime. É o pecado do “pré-conceito”.

Não se deve condenar alguém por causa do físico, antes de se observar o comportamento moral dele. O “ser” não define o “agir-fazer”. O raciocínio é claro e simples. “Preconceito” é o termo que denota um “conceito” que se dá “previamente” a uma pessoa antes de se observar a conduta dela. Por se referir a um “conceito” moral que é “pré”, o “preconceito” é sempre uma avaliação injusta e equivocada. Assim é a questão da discriminação racial.

Quando surgiu a causa gay, querendo ela derrubar as barreiras morais que a repelia, seus militantes lançaram mão da rotulagem. “Preconceito” foi uma das grandes armas. Se alguém se opõe ao “gayzismo”, essa pessoa é atacada com o rótulo “preconceituoso”. Não se discute os meandros da prática homossexual e nem as definições de ser humano estabelecidas naturalmente a partir da criação.

Como preconceito racial é algo inaceitável, o movimento gay sabia que se conseguisse transferir o rotulo que se aplica, corretamente, a questão racial, para a causa da homossexualidade, a batalha estaria ganha em grande parte. E então começou o bombardeio incessante. Todos que discordam da homossexualidade, e afins, são apelidados de “preconceituosos”, igualando-os aos que discriminam racialmente. É uma tática do movimento gay para encerrar o debate, dar um “cala-a-boca” e fugir do argumento.

Entretanto, do ponto de vista lógico, há um abismo instransponível entre a questão racial e a homossexualidade. Esse abismo não permite o apoderar do termo “preconceito” pela causa gay. Quando alguém discrimina racialmente, ele está sendo “preconceituoso” porque dá antecipadamente, apenas pela cor da pele, um conceito de valor negativo ao próximo. Isto é, faz juízo de valor, quanto a condição moral do próximo, antes de conhecer a conduta dele. Porém, distintamente, se alguém se opõe a homossexualidade, ele não está emitindo um “preconceito”, mas “´pós-conceito”. É julgamento sobre a conduta. A questão racial é sobre natureza biológica, a questão sexual é sobre escolha de comportamento.

Quem se opõe a homossexualidade, assim o faz por entender que homossexualidade fere a proposta da criação do ser humano, tão obviamente manifesta na natureza. Homossexualidade é uma alteração da obra divina, e certamente tem consequências graves. Então, para quem é convicto da posição que o ser humano é uma criatura especial de Deus, a prática da homossexualidade não pode ser aprovada. E quem assim julga, o faz com um “pós-conceito”. Julga um comportamento.

Essa reprovação não é impetrada previamente a alguém. O julgamento da prática homossexual, e da pessoa quanto ao ato em si, acontece somente após o fato consumado – é o “pós-conceito”.  É obvio que um homossexual pode ser moralmente virtuoso em muitas áreas da vida. Mas, virtuosidade em diversas áreas morais na vida de uma pessoa não isenta o erro dela em uma dada área.

Porém, não seria, o próprio fundamento da criação, que desautoriza a homossexualidade, um “preconceito”?  Sim. Mas nesse nível da pressuposição, quem defende a homossexualidade, opondo-se àqueles que a condenam a partir da criação, também tem igualmente um “preconceito”. Assim, nessa dimensão e uso, o termo “preconceito” perde qualquer sentido enquanto argumento. Todos tem um “preconceito”. Todos partem de algum fundamento, conscientes disso ou não. E, lamentavelmente, a maior parte não é consciente do seu fundamento. E por isso se enredam no erro. Como pressuposição, a questão é saber qual dos “preconceitos” é mais coerente e são.

O fato é que a rotulação de “preconceito”, para quem se opõe a homossexualidade, é indevida e até tola. A sexualidade tem consequências graves para as pessoas. O debate moral exige nexo e não por rotulação. Exige analise da pressuposição. O raciocínio é sistêmico. É urgentemente necessário se definir a origem do ser humano, e então, quem ele é. E consequentemente, como ele deve viver. A sexualidade tem seu molde na criação.

Se a origem humana é um acidente cósmico, e o ser humano é apenas mais um cisco inconsequente no universo, então qualquer coisa passa. Definições do “ser”, e de moralidade, são apenas conveniências abertas a qualquer tendência que prevaleça. Inclusive, nesse modo, tanto a dignidade de todas as raças, como a negação dela, é apenas uma questão de modismo. Nada do que vier deve ou pode ser lamentado. Porém, tudo muda diametralmente quando se afirma o pressuposto que “Criou Deus o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.” (Gn 1:27)