Nesta semana faleceu tragicamente uma jovem de 21 anos na Inglaterra. Ela trabalhava na área da saúde, mas decidiu ganhar um dinheiro extra. Começou a se oferecer, à noite, para sexo virtual pela webcam. Jerome Dangar a contratou para sexo com “perigo e degradação”. Ela acabou morrendo sufocada enquanto ele assistia à encenação, conforme noticiou a FoxNews.

Em maio de 2018, a revista TeenVogue, dedicada ao público adolescente, trouxe um artigo orientando adolescentes sobre como transarem o sexo anal, inclusive os encorajando a praticarem o ato. Tudo com mínimos detalhes e aprovação.

Esses são apenas dois exemplos dos rumos sexuais do mundo atual. Rumos de uma sociedade que disse não a qualquer limite sexual-moral. É proibido colocar parâmetros. Eles são rotulados como “conservadores” e “opressores”, portanto, desprezíveis.

Em junho de 1969, a polícia de Nova York invadiu o bar gay Stonewall. Reagindo, os gays se organizaram para reivindicar direitos. E foram vitoriosos mundo afora. Por isso junho é o mês das paradas gay em muitas cidades. Celebrando os 50 anos do fato neste mês, artigos foram escritos nos principais jornais americanos. Eles são elucidativos.

Um deles é o do jornalista, e homossexual, Dr. Nathaniel Frank: “A match made in heaven – Gay-rights activists advanced radical aims by marrying them to a traditional institution” (Publicado no “The Washington Post”). Ele aponta corretamente que esses novos caminhos sexuais podem ser entendidos a partir do movimento gay. Entretanto, ao mesmo tempo, refletem a influência da essência do movimento gay.

O artigo de Nathaniel Frank argumenta que o movimento gay moveu a sociedade a repelir atitudes repressivas quanto ao sexo, tornando aceitável o sexo fora do casamento, bem como comportamentos sexuais que antes eram considerados pervertidos. O movimento gay promoveu a liberdade sexual plena do indivíduo.

Julgando a demanda judicial Obergefell v. Hodges em 2015, a Suprema Corte dos EUA legalizou o casamento homossexual. É relevante o artigo “Chasing the L.G.B.T.Q. Millennial American Dream”, publicado no “The New York Times.” Nele Jeremy Allen aponta que as informações disponíveis revelam que, se no primeiro momento os gays buscaram o casamento, os gays da geração millenials, nascidos entre 1980 e 1990, não têm o mesmo interesse. Comparado com os heterossexuais, a porcentagem do casamento gay desceu em 50%.

A análise do artigo narra que a busca da legalização do casamento gay era apenas para tornar os gays como aceitáveis no dia a dia, entretanto, em grande parte, gays não querem realmente o casamento. Entendem que casamento pertence a sociedade tradicional que eles rejeitam. O movimento gay quer romper com essa sociedade. E quer mais, quer transformá-la moralmente.

Aceitar o casamento é ser assimilado pela sociedade conservadora. E, objetivando a liberdade, família é indesejável porque ela não é simples e tira a liberdade. Além de ser gay, como a sociedade os enquadrou, eles querem ser “queer” (estranho/equisito), outro termo em inglês para gays. Nathaniel Frank informa que o alvo não é tornar os “queers” socialmente iguais aos demais, mas tornar os demais iguais aos “queers”.  O alvo do movimento não é aceitação, mas revolução da sociedade.

Frank recorda que já em 1989, num artigo na revista gay “Out/Look”, levantava-se a pergunta se o casamento era o caminho para a liberdade gay. O artigo argumentava que o real desejo do movimento gay era produzir uma comunidade larga e não famílias nucleares e monogâmicas.

No movimento gay atual, segundo Frank, o questionamento é se querem ser reconhecidos como normais ou querem revolucionar o mundo derrubando todo tipo de repressão. Naturalmente, então, surge com força os gays “libertários”, denunciando que o movimento gay está se enfraquecendo, registra Frank. O movimento gay, dizem, está sendo enquadrado pela sociedade.  Ele cita Martin Duberman, um eminente pensador e ativista gay de décadas, que afirma temer que o LGBT, uma vez moralmente inovador, agora está ficando acomodado ao focar em “casamento”.

No dia 30 de junho aconteceu a tradicional Parada Gay de Nova York, mas no mesmo dia aconteceu outra parada Gay e 150 organizações gays apoiaram a nova Parada. São críticos da Parada tradicional, acusando-a de se ter sido assimilada pela sociedade, inclusive pelas corporações financeiras. E assim a parada não mais representa o verdadeiro movimento gay. E nem promove maior liberação dos valores sexuais, conforme o artigo de Corey Kilgannon “Clash of Values: Why a Boycott is Brewing Over Pride Celebrations”, publicado neste mês no “The New York Times”.

Enfim, as conclusões são claras. O movimento gay não é sobre ele ser aceito pela sociedade, mas sim sobre ele revolucionar a sociedade como um todo. Ele busca erradicar qualquer limite moral-sexual. Ao reivindicar o direito ao casamento, o movimento gay não estava interessado em casamento. Ao introduzir homossexualidade no casamento, o alvo era descaracterizar e atingir o casamento, uma das bases moral da sociedade.

A luta do movimento gay é primeiramente filosófica, e não legal e pragmática. E não é uma luta limitada a certos direitos, mas sim uma luta que não conhece limites. É luta pelo erradicar o conceito de que há valores morais limitadores, portanto, que há valores sexuais, necessários, corretos e dignos de serem respeitados.  O objetivo é o direito à liberdade para a prática de qualquer forma sexual, sem limites. Seja na prática sexual entre homossexuais, seja entre heterossexuais. O objetivo é que todos adotem a postura libertina. E a natureza de tal abordagem, baseada na liberdade irrestrita, implica consequentemente que não cabe limite de idade.

Portanto, quando a sociedade aceitou o apelo para debater e conceder direitos, pensando que atendia o clamor de vítimas, ela foi uma desavisada quanto a real natureza filosófica de quem fazia esse apelo. Seria, então, a sociedade a verdadeira vítima? Não se a sociedade é concordante com o desejo da libertinagem sexual em seu meio. E tudo indica que esse é o caso. Sobra aguardar as consequências. O tempo revelará. Se alguém se interessar, a Palavra de Deus ousa antever o futuro.