Em 1994 nos EUA, Brian Kelly estava no hospital à beira da morte. Então ele passou à família seu desejo para o funeral. E o desejo dele foi atendido quando o patrão dele, um empresário dos fogos de artifício, foi a uma convenção das indústrias de fogos de artifício na cidade de Pittsburgh em agosto de 1994. Lá houve um momento especial no qual o patrão de Brian disparou um rojão de 35 cm. O rojão subiu deixando um rastro de dois cometas prateados e depois explodiu enchendo o céu de estrelas verdes e vermelhas. Dentro desse rojão, entre as estrelas, estavam as cinzas do corpo cremado de Brian Kelly.

O ser humano é um ávido perseguidor da glória. Alguns insistem nisso até mesmo no fechar das cortinas de sua vida. Mas essa perseguição em vida e morte acaba sempre em gloriosas cinzas. As realizações humanas, por mais espetaculares que possam ser, são sempre como o explodir de um fogo de artifício no céu da noite. Impressionante, mas essencialmente fugaz. Assim é a vaidade intelectual, o poderio financeiro, o status profissional, o orgulho pessoal e o exibicionismo artístico e atlético.

Não obstante essa verdade ser evidente, o ser humano teima insistentemente em querer encontrar sua glória. A razão é que a glória seria o experimentar da transcendência, isto é, ir além de ser apenas um mortal como os demais humanos. Porém, essa busca precisa encontrar a lucidez. O ser humano precisa entender que nele não há tal glória, portanto, seu anseio de transcender a sua finitude e mortalidade é uma impossibilidade. O caminho correto é abandonar a realização pessoal através da transcendência da glória humana. Glória pertence e é encontrada apenas em outro ser bem distinto do humano.

O rei francês Luís XIV construiu um reinado glorioso, muito bem simbolizado pelo seu grandioso palácio de Versalhes. Dizem que Luis XIV se auto intitulou “O Grande”, e muitos atribuem a ele a frase “eu sou o estado”. No funeral dele, em 1715 na catedral de Saint Denis, tudo ficou na penumbra. Apenas uma vela pairava sobre o caixão dele, ilustrando e focando a glória suprema de Luís XIV. O bispo Massilon, ao iniciar a missa funeral, apagou a vela e bradou: “somente Deus é grande.

Essa é a lucidez muito necessária. Com ela o ser humano encontra a verdadeira transcendência, ou seja, a verdadeira glória naquele que é realmente glorioso. É preciso apagar as velas humanas e lembrar que a fulgente e inextinguível luz pertence a Deus. E nele, então, é que está a resposta para o anseio humano de se libertar da fugacidade.

Já no VI século ac, o profeta Jeremias advertia: “Assim diz o Senhor: Não se glorie o sábio em sua sabedoria, nem o forte na sua força e nem o rico em sua riqueza, mas quem se gloriar, glorie-se nisto – em compreender-me e conhecer-me, pois eu sou o Senhor…” (Bíblia, Jeremias 9:23-24) Somente Deus tem atributos que sustentam e se adequam a natureza da glória. Além de a verdadeira glória ser impossível para o ser humano, glória é impropria para a natureza humana. Glória humana faz mal ao ser humano e aos seus relacionamentos. Glória humana ilude e distorce as perspectivas, produzindo um viver desacertado e artificial. O ser humano não foi feito para a glória.

Essa insensata perseguição de glória é insistente e precisa ser tenazmente resistida através da busca de Deus. É um exercício constantemente necessário, pois não é preciso muito para o ser humano ficar tolo e desconectado da realidade. Quando um líder do império romano realizava uma conquista militar de certa grandeza, ele era honrado com um desfile em Roma diante da aclamação popular. O líder vitorioso ia em pé numa charrete, mas atrás dele se postava um escravo sussurrando ininterruptamente: “Olha para trás, e se lembre que você é apenas um homem. Lembre-se que você é mortal. ” A isso é preciso acrescentar as palavras de Jeremias: “…quem se gloriar, glorie-se nisto – em compreender-me e conhecer-me, pois eu sou o Senhor…”