Refletindo sobre a vida, a partir de Juscelino Kubitschek, o ex-presidente Lula ponderou: “JK sofreu tentativas de golpe, foi acusado de muitas coisas e chamado de ladrão. Depois de morto, foi reconhecido como um dos melhores presidentes do Brasil. Quero ser reconhecido em vida. ”

Nascido em 1902, JK foi criado, juntamente com sua irmã, por uma mãe viúva, professora de escola na periferia de Adamantina – MG. Perambulava descalço e morava em casa simples sem banheiro. Porém, JK se aplicou aos estudos, enquanto trabalhava arduamente, vindo a formar-se em medicina. Casou-se, mas deixou um currículo manchado na sua conduta moral. E também aprendeu a língua inglesa. E, depois de se eleger governador, culminou sua biografia como presidente do Brasil em 1955 e pai de Brasília.

JK visionou e realizou a revolução desenvolvimentista e geoeconômica do Brasil. Sem populismo e assistencialismo, foi um presidente que planejou algo significativo e o fez, deixando um legado indiscutível e permanente. Além de Brasília e seus impactos profundos, com JK o Brasil cresceu 7,5% ao ano e se abriu para o investimento estrangeiro. Porém, também cresceram a inflação e a dívida pública. E se questiona se os sucessos de JK, como a construção de Brasília, foram as melhores opções de sucesso.

É difícil imaginar que, num país com um currículo denegrido, não tenha havido nenhuma corrupção na vultuosa movimentação financeira que se deu nas obras de Brasília. Porém, nada foi comprovado. Alguns argumentam que não houve investigação e comprovação porque os tempos eram outros. Há muita verdade nisso.
A Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (NOVACAP), que JK criou em 1956, foi alvo de muitas acusações pela oposição UDN. Então, JK respondeu entregando a direção da NOVACAP à UDN, entretanto, opina-se que depois disso a corrupção aumentou. Aliás, é dito que o casamento nefasto de empreiteiras com governo federal nasceu com Brasília. Mas, o fato é que JK morreu possuindo um patrimônio pessoal modesto.

Enfim, pelo aplaudível e pelo resguardável, o legado de JK está consolidado. Fica a história de um cidadão que cresce em condições pobres, mas não se acomoda intelectualmente. Gradua-se em medicina e sempre trabalhando. No aspecto matrimonial, deixo a desejar. O legado de JK é marcado pelo aspecto predominante de um presidente visionário e de realizações positivas que permanecem, sendo aplaudidas até hoje. Bem como, com peso bem menor, fica o questionamento sobre possíveis corrupções nas obras de Brasília, mas sem nenhuma comprovação legal, particularmente em relação a JK.

Na reflexão acima sobre JK, a opinião do ex-presidente Lula é concordante com a avaliação dominante – JK foi reconhecido plenamente somente depois de morto. O ex-presidente Lula também disse que, diferente de JK, queria ser reconhecido positivamente em vida. Como parece difícil que o reconhecimento em vida venha acontecer, terá que se aguardar a avaliação póstuma na história do ex-presidente Lula. Porém, é imperdoável o princípio que a aprovação póstuma é construída em cima do realizado em vida, mesmo que não compreendido em seu tempo.

Fica a lição de vida. A forma como se vive é determinante para o legado positivo, mesmo que o reconhecimento venha posteriormente. Aliás, um reconhecimento positivo em vida que seja equivocado ou falso, não sobrevive no julgamento da história. Na essência, o que conta é medida da sabedoria com que se viveu. Oportuna é a Palavra de Deus: “Procure obter sabedoria… Dedique alta estima à sabedoria, e ela o exaltará; abrace-a, e ela o honrará. ” (Bíblia, Provérbios 4:7-9) E ela explica: “O temor do Senhor é o princípio da sabedoria…” (Pv 9:10)