Precisa ser avaliada a reação da mídia à matança na Nova Zelândia na semana passada. A reação demonstrada tem sua desproporção. É indiscutível que a perda de 50 vidas é profundamente lamentável. E ação do assassino australiano, Brenton H. Tarrant, é digna da mais elevada condenação. Diante disso, é compreensível o choque, mundo a fora, pelo acontecido, bem como o destaque dado pela mídia. Mas essas reações precisam ser focadas por um prisma maior.

Os mortos na Nova Zelândia eram fiéis islâmicos. Isso direcionou em muito as reações. Muito se fala de uma tal de “islamofobia” no mundo ocidental. E muito se luta contra ela, recebendo um enorme destaque na mídia. Desde que a mentalidade neomarxista formatou a cultura ocidental e sua mídia, nas recentes décadas, cooptando-as para causas “progressistas”, é feito uma propaganda intensa para promover o Islamismo como uma religião pacífica (uma tarefa desafiadora considerando que, diferente de Cristo, Maomé foi um guerreiro).

Paralelamente, o neomarxismo, também conhecido como marxismo cultural, entende, imprecisamente, que a cultura ocidental irá se livrar do capitalismo somente se os valores morais de base judaico-cristã forem eliminados. Por isso, os valores morais do cristianismo têm sido alvo de intenso ataque, especialmente os valores da família e gênero sexual.

Como ensinou Max Horkheimer, um dos ícones do neomarxismo, a causa deles avançaria não por armas, mas num processo desenvolvido “ano após ano… gradualmente infiltrando as instituições educacionais e sedes políticas…” Hoje se chega a situação quando é patente que esse objetivo foi atingido em grande parte, especialmente na mídia. E o esforço para desmanchar o cristianismo, visto por eles como base do capitalismo, é um dos alvos prioritários. Mas, como orientou Horkheimer, tudo é feito de forma muito sutil e gradual.

É visível que a tática no ar é tornar o islamismo em um perseguido e oprimido pelo “ocidente cristão” (“oprimido” é um termo chave para a luta neomarxista). E é também visível que exaltam insistentemente o islamismo como digno, objetivando nivelar o cristianismo em igualdade com todas as religiões. Ou seja, se levanta um para diminuir o outro. Navegando no relativismo oportuno da pós-modernidade, a afirmação que Cristo é “a verdade” exclusiva, deve ser reduzida, na estratégia neomarxista, a “uma verdade” relativa equiparável a todas as outras. Enfim, ainda que islamismo e neomarxismo sejam distintos, o islamismo é um porrete oportuno nas mãos neomarxistas para açoitar a cultura cristianizada do ocidente.

Voltando ao massacre acontecido na Nova Zelândia, focando no enorme destaque dado a ele na mídia, é necessário recordar alguns dados do recente ano 2018. Uma tragédia medonha aconteceu em um ano, e se deu na maior parte no mundo islâmico: 3.066 cristãos foram assassinados, 1.252 cristãos foram sequestrados, 1.020 cristãos foram estuprados, centenas foram presos e 793 igrejas cristãs foram queimadas. Dos 10 países que perseguem e oprimem os cristãos, 8 são islâmicos.

É inegável que há algo profundamente errado na mídia e intelectualidade ocidental. Há uma perspectiva político-filosófica que distorce a visão da realidade. Para se perceber isso basta considerar os dados: 50 islâmicos mortos na Nova Zelândia versus 3.066 cristãos assassinados em apenas um ano. E então comparar esses dois dados à luz da ênfase dada pela mídia para a cada um deles. É preciso procurar muito nos jornais para talvez se encontrar alguma notícia de “rodapé” sobre a enorme tragédia dos cristãos ao longo de 2018 inteiro. O tal do “oprimido” do neomarxismo não se aplica aos cristãos. Isso não interessa a ele. Há muito tempo a mídia desconsidera os cristãos no mundo, exceto quando se trata de alguma notícia inócua ou quando há um fato cristão que, isoladamente, é útil para a causa neomarxista.

Um dado foi ignorado nas notícias sobre o acontecido na Nova Zelândia. A mortandade se deu numa cidade, a terceira da Nova Zelândia em população, cujo nome é “Christchurch” – Igreja de Cristo. Esse nome é crucial. Os chamados Peregrinos de Canterbury, cristãos Anglicanos muito devotos, vindos da Inglaterra, chegaram ao local de Christchurch em 1850. O nome da nova cidade já estava decidido antes deles desembarcarem – foi caso pensado. Vieram em quatro navios com capelão, médico e professor em cada um, trazendo 2.000 livros, órgão para a igreja e diversas casas pré-fabricadas.

Enfim, foi esse tipo de gente, com profundos valores cristãos-bíblicos, que fundou a maravilhosa cidade de Christchurch, bem como a atrativa, ordeira e desenvolvida Nova Zelândia. Um local que é procurado e acolhe imigrantes mulçumanos vindos desesperançosos de suas turbulentas terras islâmicas. Os valores de uma cultura são determinantes para a cidade e nação que ela constrói. Os valores cristãos, como foram na fundação da Christchurch, são sublimes, inigualáveis e edificantes. Infelizmente a mídia, cegada pela ideologia, distorce as diferenças entre valores tão distintos e está impedida de enxergar os valores cristão como eles são. Mas, para os que sabem discernir os fatos, a luz brilha.