O natal envolve uma estrela. Conforme a narrativa bíblica (Mateus 2), o nascimento de Jesus Cristo foi anunciado por uma estrela que orientou os magos do oriente.  Essa estrela ainda continua orientando quem atenta para ela.

No século VI dc, Dionísio Exíguo estruturou o calendário vigente a partir do nascimento de Cristo. Mas, como ele falhou em não considerar a data da morte de Herodes, é provável que o nascimento de Cristo aconteceu de quatro a seis anos antes do ano zero do calendário. Com essa possível alteração, alguns têm interpretado que a estrela foi a conjunção visual extraordinária de Júpiter e Saturno que se deu em 7 ac, como Kepler indicou. Há ainda os que a interpretam como sendo o fenômeno que se deu entre 5 a 2 ac, quando a estrela Sirius apareceu no modo helíaco com um brilho excepcional. Também é citada, como outra alternativa, a passagem do cometa Halley em 12 ac, mas essa é uma data anterior demais.

Todas essas especulações são equivocadas. A narrativa do natal deixa transparecer que aquela estrela foi um fenômeno sobrenatural e incomum, como outros que cercaram o natal. Ela foi uma obra específica e extraordinária de Deus, na vida dos magos, para servir unicamente ao evento do nascimento de Jesus Cristo – Deus conosco (Mt 1:23).

Atualmente o termo “mago” tem a conotação de mágico, místico ou embusteiro. Entretanto, originário da palavra “magos” do grego antigo usado na escrita do Evangelho, tal termo se referia a uma classe de sacerdotes-sábios descendentes da tribo dos Medos, conforme o historiador da antiguidade Heródoto. Os magos não eram reis. Eles compunham uma classe de eruditos que gozavam de alto prestígio em diversas cortes. Naqueles dias, antes da ciência racionalista, o conhecimento misturava campos distintos do interesse humano. Por exemplo, os magos lidavam com astronomia e astrologia.

Então, através da estrela do natal Deus vai ao encontro dos magos, a partir do conhecimento que eles tinham, em região tão distante de Israel, para os mover para a verdade maior que buscavam em suas pesquisas. Aí está uma das magníficas notícias do natal. Cristo nasce não somente para os judeus. Cristo nasce para todos que sinceramente e humildemente buscam a verdade, ainda que tateando, seja no que ou onde estiverem, chamando todos para a submissão ao conhecimento pleno de Deus manifestado Nele.  A estrela elimina qualquer seletividade cultural ou racial. Portanto, Cristo – Deus conosco – é oferecido a todos no natal.

É importante notar que aquela estrela não previu e nem determinou o natal, aliás, ela é discordante da astrologia. A estrela, extraordinariamente plantada por Deus no firmamento, apenas anunciou o natal já estabelecido debaixo do governo de Deus. Deus utiliza uma estrela sobrenatural para apontar a verdade maior aos magos, verdade essa que se encontra além do paganismo e astrologia. O fato é que Deus não brinca de esconder.  A estrela natalina aponta que Deus se revela a todo aquele que humildemente o procura, mesmo que inicialmente em conhecimentos equivocados, mas sempre movendo o inquiridor para o conhecimento pleno Dele na pessoa de Cristo – Deus conosco (“Emanuel”).

A viagem dos magos foi longa, cerca de 1.600 km, e deve ter levado de um a dois anos. Aliás, como Herodes ordenou o extermínio de bebês de até dois anos de idade (Mt 2:16), os magos devem ter encontrado Jesus além da fase de maternidade. Inclusive, a narrativa diz que Jesus já estava numa casa, e não mais na estrebaria. O texto bíblico não especifica, mas na tradição o número de magos aparece em quantidades que vai de dois até doze magos. Seja qual for o número deles, eram homens importantes, vindos de uma região renomada, viajando em estilo, portando tesouros e provavelmente assessorados por servos.

Diante da presença de uma caravana estrangeira e a inquirição que movia os magos, o texto bíblico diz que “Herodes e toda Jerusalém ficaram perturbados. ” (Mt 2:3)   O fato dos magos fazerem tal viagem para ver a quem não conheciam, e apenas para encontrar um menino numa simples casa, aponta que tal empreendimento tinha um objetivo extraordinário.

Devido ao exílio dos judeus nos séculos anteriores, os textos proféticos bíblicos haviam sido disseminados pelo oriente onde eles se estabeleceram, especialmente na Babilônia. Os magos, em sua procura pelo saber, devem ter tido contato e considerado, em alguma medida, as profecias bíblicas sobre a vinda do “Messias”, como, por exemplo, a profecia de Balaão: “Eu vejo… uma estrela surgirá de Jacó… um cetro se levantará de Israel. ” (Nm 24:17) Relevando os reinados humanos como o de Herodes, os magos perguntam a próprio rei Herodes: “Onde está o recém-nascido rei dos judeus?” E nesse diálogo, Herodes mesmo se refere ao “recém-nascido” como “o Cristo”, ou “Messias”. (Mt 2:4) De alguma forma, Deus usou uma estrela sobrenatural, interpretada por textos bíblicos, para conduzir os magos ao encontro do natal prometido pelos profetas, ou, ao encontro com um rei diferenciado, na verdade, o Rei dos reis.

Narra o Evangelho que, quando os magos chegaram a Jerusalém, perguntando onde estava “o recém-nascido rei dos judeus”, eles informaram o objetivo específico deles: “…viemos adorá-lo”.  E a narrativa continua relatando que, ao virem o menino, “prostrando-se… eles o adoraram… abriram os seus tesouros e lhe deram presentes: ouro, incenso e mirra.” (Mt 2:11) Isso, juntamente com a disposição da viagem, demonstra uma atitude de humildade, dependência e entrega. Enfim, os Magos fizeram todo o sacrifício para encontrar aquele que era digno de ser entronizado e adorado em suas vidas.

Ainda que com um entendimento limitado do Evangelho, o fato é que, esses homens que entram na história como magos, passam para a posteridade como adoradores do Deus eterno revelado em Cristo – o centro do saber, existência e salvação. O anseio necessário e fundamental de adorar, comum a todo ser humano, que é satisfeito somente em Deus, é possibilitado por Deus no natal através de Cristo – Deus conosco.