“A vida… é uma estória contada por um idiota, cheio de fúria e muita agitação, mas nada significando”, conforme a declaração do personagem  Macbeth na peça teatral de Shakespeare. Não há como discordar dele, exceto se houver um sentido maior que traga nexo para a existência humana.

O simples fato do ser humano existir levanta cinco perguntas inevitáveis e fundamentais: De onde vim? (origem da existência humana). Por que vivo? (propósito da existência). Para que vivo? (significado da existência). Como devo viver? (ética). Para onde estou indo? (destino da existência).

Essas perguntas não podem ser escolhidas e nem eliminadas. Elas são impostas a todos pelo simples fato de se existir. Alguns adotam fugas para evitar tais perguntas, como droga, prazer e materialismo. Porém, elas e suas consequências acabam aparecendo, nem que seja no instante derradeiro quando a morte for iminente. E o agravante é que a existência é um absurdo se não há resposta adequada para essas questões.

As propostas das “religiões”, nas suas muitas formas, e nisso estão incluídas as filosofias seculares, existem por causa da inevitabilidade dessas questões fundamentais da existência. Tais propostas religiosas e filosóficas devem ser julgadas pelas respostas que dão a cada uma dessas questões. E o julgamento delas deve verificar não apenas cada resposta individualmente, mas também se as respostas em conjunto, de uma dada proposta, se harmonizam num sistema coerente. Se não se harmonizar, ou não sustentar um nexo para a existência, a tal proposta religiosa, ou filosófica, é incoerente e inadequada, portanto, reprovável.    

Por exemplo, se a crença for que o ser humano é apenas um acidente cósmico e um objeto físico, produzido pela evolução mecânica da matéria ao acaso, então se falar em obrigação de se viver moralmente é algo sem justificativa. E mais, acidente cósmico não tem significado para a existência. Assim, nessa proposta materialista, o ser humano se reduz a um cisco no universo e desprovido de base para ética e significado. E mais, qual seria o destino ultimo desse ser humano essencialmente materialista e de origem aleatória?

Outro exemplo de proposta é a crença espiritualista que a origem da existência humana vem da necessidade de se compensar aqui, através de atos benevolentes, culpas de vidas passadas. Nessa proposta de reencarnação e purgação, a benevolência de um indivíduo, para com o próximo, retira o sofrimento do próximo, impedindo que o próximo se beneficie do seu sofrimento que o purgaria do seu karma. Então, o benevolente causa um mal ao sofredor a quem ele auxilia. E é repreensível o fato do benevolente caridoso assim agir por motivação egoísta, isto é, pensando na sua própria purgação.

O teste da coerência revela que somente Deus, revelado nas Escrituras Sagradas, satisfaz essas perguntas de forma harmoniosa, dando nexo a existência.  Nas Escrituras, a Bíblia, o ser humano não é um acidente e nem simples matéria. Ele é uma criatura especial de Deus. Ele criou o ser humano à sua imagem e semelhança, e por isso o ser humano é espiritual. É por isso que o ser humano tem essa consciência existencial ampla que se depara com as cinco perguntas fundamentais.

E tendo sido criado por Deus, o ser humano foi criado para Deus. Portanto, o ser humano tem uma razão de ser que é transcendente, ou eterna. Assim, o ser humano deve viver conforme os valores do caráter de Deus e viver de forma que glorifique a Deus. E, sendo especialmente criado, todo ser humano tem um valor inerente. Então a ética tem sua sustentação e referência. E o destino final da existência é Deus, o eterno.

Longe do absurdo, em Deus se alcança um existir holístico, harmonizando coerentemente as respostas para as questões acima. O erro humano, que levou ao vazio e desorientação, foi romper com essa verdade de que o ser humano deve existir à volta de Deus e conforme a vontade dele. Entretanto, Ele é um Deus misericordioso. Através do perdão possibilitado pela morte de Cristo na cruz, Deus proporciona a reconciliação com Ele e um novo começo para um viver com nexo.