Novela é prato diário da dieta da família brasileira, consequentemente, ela tem formatado os cidadãos. Uma pesquisa constatou que, depois de décadas de novela, indivíduos e sociedade foram transformados. A questão é que tipo de mudança tomou lugar. Ou ficou melhor, ou ficou pior.

A pesquisa foi executada pelo economista peruano Alberto Chong, pesquisador do Banco Interamericano de Desenvolvimento e adepto do politicamente correto. Isso foi há cerca de 10 anos. Como as novelas não mudaram a mensagem que transmitem, mas a intensificaram, então, o que se concluiu em termos de impacto há anos atrás, agora está mais solidificado. Em entrevista, Chong comentou os dados que a pesquisa dele revelou.

Chong afirma que “a novela é, de longe, a maior atração da TV e é veiculada pela Rede Globo, que tem mantido um domínio quase absoluto do setor por cerca de três décadas.” A Globo, muito imitada pelas concorrentes, firmou as novelas como cardápio comum do Brasil a partir do governo militar, formando um apartheid cultural. O governo militar se preocupou em combater os terroristas e guerrilheiros do velho marxismo que objetivava implantar a “ditadura do proletariado.” O alvo dos esquerdistas era puramente transformação econômica. Buscavam o fim da economia capitalista, e de livre mercado, para impor a forma comunista.

Entretanto, enquanto isso, já aportava no Brasil o novo marxismo, também conhecido como neomarxismo e marxismo cultural. Essa ideologia foi disseminada entre os produtores de TV, especialmente os de novelas. Alguns, como Dias Gomes, tornou-se marxista convicto e declarado, outros, ainda que não confessando a ideologia, foram influenciados por ela. A ideologia vem dos pensamentos de Gramsci, mas especialmente dos escritores da denominada Escola de Frankfurt. O governo militar combatia o marxismo ortodoxo que afrontava o regime agressivamente visando mudar o sistema econômico, enquanto isso o neomarxismo se infiltrava e agia livre no entretenimento televisivo.

Ao invés de luta exclusiva contra o sistema econômico do capitalismo e livre mercado, os neomarxistas propagam que a luta deve ser contra a cultura, ou, valores morais vigentes. Eles entendem que, destruindo os valores morais vigentes e tradicionais, destroem o capitalismo. A proposta ecoou no Brasil. “Durante o período da ditadura, os autores já viam nas novelas a oportunidade de lutar contra o sistema, apresentando novas ideias e valores,” pondera Chong. E ele adiciona que essa luta envolve também a “crítica a religião” – entenda-se: cristianismo.

Os adeptos dessa ideologia se infiltraram nos meios de comunicação e universidades. Essa presença neomarxista, iniciada durante o governo militar, dominou a cultura quando a democracia plena foi reimplantada no Brasil. Atualmente a ideologia domina a universidade, especialmente a pública, bem como a mídia e jornalismo. Ainda que nem todos confessem ser adeptos da ideologia, o fato é que a visão deles revela que foram formatados pela ideologia.

Entre excitações e choros dos dramalhões de novela, o povo foi se tornando libertino. E um personagem social, segundo Chong, foi alvo peculiar e chave nessa estratégia: a mulher. O sucesso do objetivo foi alcançado devido que o publico feminino é o que mais acompanha as novelas. O alvo era mudar a mulher. A pesquisa de Chong revela que, nas novelas, “62% das principais personagens femininas não tinham filhos e 26% eram infiéis a seus parceiros.”

Chong relata que, quanto ao divórcio, “estima-se que as taxas aumentaram de 3,3 em cada cem casamentos em 1984 para 17,7 em 2002, mais do que em qualquer outro país latino-americano.” E ele adiciona: “Percebemos que, quando a protagonista de uma novela era divorciada ou não era casada, a taxa de divórcio aumentava, em média, 0,1 ponto percentual.” E, a propalada “emancipação feminina”, é resultado aplaudido por Chong: “A busca do amor e do prazer pelas personagens femininas também é uma constante em qualquer trama – mesmo que ela tenha de cometer adultério, o que também é comum nas histórias.”

Um ícone da tragédia é a novela “Malhação”. O público alvo são os adolescentes, muito vulneráveis e ainda em formação. O titulo “Malhação” calha bem para essa novela. Nela o ser humano é malhado e malhado, sobrando um jovem moralmente e existencialmente destroçado. Em nome de um pretenso objetivo de provocar um debate sobre assuntos desafiadores, na verdade esse programa doutrina, sutilmente, o jovem no caminho da libertinagem e relativismo moral. E não poderia deixar de doutrinar quanto ao homossexualismo e transgênero.

Depois de anos de novela, e outros meios afins, sobra uma sociedade moralmente confusa e sem valores objetivos, entregue aos valores subjetivos num relativismo moral. Assim surge espaço e dominam o egocentrismo e hedonismo, especialmente na dimensão sexual, deformando o indivíduo, família e sociedade.

“Há um caminho que ao homem parece direito, mas o fim dele conduz à morte”, adverte a Palavra de Deus (Pv 14:12). Quem puder, salve a si mesmo, e sua família, preservando-se das novelas. O Senhor Jesus Cristo alertou: “Entrai pela porta estreita, pois larga é a porta e amplo o caminho que levam à perdição, e muitos são os que entram por esse caminho.” (Mt 7:13-14)