Quando, em 490 ac, as superiores forças militares da Pérsia chegaram à baía de Maratona, para invadir a Grécia, elas foram derrotadas. Entre outras histórias sobre essa batalha, há aquela que deu origem à modalidade da “Maratona” nas Olimpíadas a partir de 1896. Aconteceu que, após a vitória dos gregos sobre os persas, um mensageiro, chamado Fidípides, correu cerca de 40 km, de Maratona até Atenas, para anunciar a vitória. Ao chegar à Atenas, Fidípides teria bradado: “Nós vencemos!” E, em seguida, exausto, caiu morto.

Certamente essa não é a melhor forma de terminar, ainda que seja celebrando uma vitória. Que vitória? Entretanto, Fidípides ilustra a forma mais comum como as pessoas terminam suas vidas. Mesmo que colecionem vitórias finitas e efêmeras, colhem nada na soma final, então, chegam à derrota total.

A sabedoria da vida não é, primeiramente, sobre as diversas conquistas, mas sobre como se termina a corrida da vida total. Fragmentos de vitórias, que terminarão numa trágica derrota total ao final, como no caso de Fidípides, é o mais lamentável dos cenários.

A questão não é se haverá um término, e sim como será esse término. Será vitorioso? Se vitorioso, que tipo de vitória será essa? Fugaz ou transcendente? Seguindo a agitação em voga, a maioria está consumida por uma corrida pelo dinheiro, prazer, poder e sexo. E, experimentando isso e aquilo, até as pessoas se sentirem cheias de vitórias. Porém, qual é o tempo de validade disso tudo? Qual será a conclusão dessa corrida toda?

Algumas perguntas são inevitáveis. Qual será o balanço final da vida? Qual o propósito maior de todos os esforços e projetos? Esse propósito transcende ao terminar de tudo aqui? Essas perguntas críticas implicam em outras mais basilares: A pessoa está vivendo para Deus? Como ela terminará a vida diante de Deus? E, então, qual é o destino do viver dela agora à luz da eternidade?

No primeiro século, já contemplando o seu fim enquanto espera a execução de sua pena de morte, e ilustrando sua vida com metáforas da luta e corrida dos jogos gregos antigos, o apóstolo Paulo afirmou: “Combati o bom combate, terminei a corrida, guardei a fé.” (Bíblia, II Tm 4:7). Muitos combatem, mas o combate errado. Outros terminam a corrida, mas uma corrida fugaz e finita. E eles nada têm guardado que transcenda aos jogos da vida. Perturbadora é a pergunta de Cristo: “Pois, que adiantará ao homem ganhar o mundo inteiro, e perder a sua alma?” (Bíblia, Mt 16:26).

O apóstolo Paulo tinha os olhos fitos no término. O término pautava o momento presente dele. E esse é o segredo. Mais importante do que o começar é o terminar. Ele lutou e correu, mas movido por uma fé em Cristo, bem guardada, que o conduzia a um término transcendente. E assim concedia o significado e realização plena à luta do dia a dia. A saga dele foi orientada pelos parâmetros da vida com e para Deus, através da mediação de Cristo. Ele moldava o presente pela eternidade.

Enquanto a graça de Deus permite, ainda há tempo de se começar um viver que conduza ao término sábio. E assim o significado eterno preencha o efêmero agora. Tudo começa com atender ao chamado de Deus em Cristo para uma nova corrida com Ele no rumo eterno. No perdão gracioso, bem como na nova vida decorrente, propiciado pela morte de Cristo na cruz, há oportunidade de justificação e transformação. E o Cristo que ressurreto, sendo maior que a finitude, é a garantia da dimensão e propósito eterno – a verdadeira vitória.