O que há na casa: pai ou genitor? A tendência atual é confundir essas duas funções. A urgente necessidade é de um entendimento lúcido sobre a diferença entre pai e genitor. E então tomar a posição correta quanto a paternidade. Há genitor demais, mas está faltando pai.

Genitor é o que gera. Se um ser humano nasceu, é porque um homem deu sua contribuição física. Aliás, há um voluntarismo masculino para desempenhar o papel de genitor. Há uma avidez masculina pelo sexo. E, como relacionamento sexual produz criança, há muitos genitores por aí. Mas ser apenas genitor é atitude insuficiente e pequeno. Aliás, apenas gerar, é uma função que qualquer animal cumpre bem.

Ser pai é superior à função de genitor. Pai é a posição moral assumida por um homem para com seus filhos. Isso requer hombridade e caráter aprovado. Ser pai envolve compromisso de vida e um relacionamento único com filhos. Pai é o que, gerando ou adotando, assume o cuidado e a responsabilidade pela vida do filho. Ele responde tanto pela formação moral como pela provisão material do filho.

Paternidade é compromisso sério. Pai tem tempo para quem ele gerou. Para ele, filhos não são responsabilidade exclusiva da mãe. Pai soma com a esposa na tarefa de educar. E pai não transfere os filhos, seja para a escola, terapeuta, parentes ou outro. Ele reserva horas e dias para estar com seus filhos. Ele procura diariamente dar atenção, amor e disciplina.

Pai é o que provê materialmente. Ele sabe quanto custa cuidar de uma criança e procura fazer o melhor que pode. Ele não abandona a criança e nem deixa a mãe carregar sozinha essa responsabilidade. No caso de divórcio, um verdadeiro pai não precisa de juiz para estabelecer pensão para o filho, e muito menos ele enfrenta cobrança judicial ou cadeia. Voluntariamente, o pai provê o sustento digno de seu filho.

Pai é aquele que transmite ao filho a direção e convicção moral.  Ele não permite que nenhum outro, nem a mídia, especialmente a televisão, roubem o lugar dele como educador-mor na vida de seu filho. Para ser pai é preciso ter um embasamento, a partir de Deus e a criação, que sustenha e defina a ética e ética que edifica. Ele não é formatado pela moda. E aí, sabendo lucidamente a diferença entre o certo e o errado, convicto de seus princípios, o pai é aquele que pode moldar sabiamente seu filho. Pai é moralmente informado e posicionado.

Então, pai tem condições de ensinar os princípios básicos que preservam a dignidade e respeito de todo ser humano, bem como de alertar sobre o que desconstrói e destrói o ser humano. Por isso, ensina valores que dignificam e protegem tanto o próprio filho como os familiares e semelhantes. O filho que tem pai não precisa ser corrigido pelas autoridades ou sociedade. Esse filho não é o tormento da cidade, vizinhança, escola e nem é a tristeza da família.

Pai é aquele que assume seu papel de marido e pai, bem como dignifica sua esposa – mãe de seus filhos. Ele honra a aliança com sua esposa. Ele é respeitoso e fiel. E no que depender dele, o casamento permanece. Assim fazendo, ele transmite ao filho uma lúcida identidade e correto comportamento sexual, encaminhando seus filhos a terem uma formação coerente com a masculinidade ou feminilidade com que nasceram. Os filhos aprendem a diferença fundamental entre homem e mulher, e como os dois sexos devem se relacionar harmoniosamente e de forma complementar. Assim, o pai também transmite o que é um relacionamento conjugal-familiar saudável.

Por palavra e exemplo, tanto no matrimônio como fora dele, pai ensina a seu filho homem que a mulher não é um objeto a ser explorado pelos homens. Ele ensina que a mulher é um ser humano a ser respeitado. E que no relacionamento conjugal ela deve ser amada em dignidade e compromisso. E assim ensina como esse relacionamento com uma mulher é desejável.

E, através da convivência respeitosa com sua esposa, pai demonstra para sua filha, através de suas palavras e exemplo, o que é um homem honrado. E que por isso ela não precisa ter aversão a homens, podendo então, com sabedoria, buscar se realizar matrimonialmente. E, nessa educação, ela aprende a triar homens dignos e indignos. Assim, o pai também ensina que a filha não precisa ser leviana, desvalorizando ou mercadejando seu corpo e dignidade, para se sentir aceita e satisfeita diante dos homens. Finalmente, pai é carinhoso, não formando uma filha carente, desesperada por homem, que se joga em relacionamentos fortuitos ou precoces.

Pai é aquele que sabe que ele pode dar somente o que ele tem, especialmente no caso dos valores morais e espirituais da fé. Então, ele busca conhecer, se encher e praticar esses valores. Pai conhece e aponta o caminho superior. Ele sabe que a vida é muito mais do que ter e fazer, bem como ele sabe que a vida não se define pelo “aqui e agora”. Ele sabe que há um valor eterno que dá a verdadeira e plena direção moral, bem como provê propósito holístico para a vida humana. Pai atenta para a Palavra de Deus: “Pais, não irritem seus filhos, antes criem-nos segundo a disciplina e o conselho do Senhor.” (Efésios 6:4).