Um assunto que não morre é o que acontece com aqueles que morrem. Sendo espiritual, portanto distinto de tudo mais no universo, o ser humano inevitavelmente conjectura sobre o pós-morte, tanto sobre si mesmo como sobre os que já se foram. Como o existir é a dimensão mais essencial do ser humano, as questões sobre o além são fundamentais. E, se honestamente consideradas, podem ser agonizantes.

Alguns fogem dessas questões se tornando inconsequentes. Agem como se elas não estivessem na sua mente. Eles as ignoram ou as evitam se distraindo com a vida. Focam no aqui e agora pensando como se fossem seres inferiores, isto é, sem a dimensão espiritual. E há aqueles que lidam com essas questões projetando o viver como se fossem eternos. Obviamente que atitudes assim empobrecem o ser humano. Elas mutilam a dimensão mais elevada nele existente – a consciência espiritual da eternidade.

Outros enfrentam as questões do pós-morte de forma estóica. Dizem que as examinaram e concluíram que não há nada além. Afirmam que o caminho é viver sabendo que tudo cessa por aqui mesmo. Tentam tirar o máximo da vida enquanto aguardam o momento de se tornarem o nada, isto é, a morte. Essa é lamentável porque é uma posição sem resposta.

As incessantes e perenes perguntas sobre o pós-morte permanecem. A capacidade espiritual de projeção futura não permite que elas desapareçam da mente humana, inclusive daqueles que dizem caminhar para o nada. Eles acabam vivendo numa constante negação. Afirmar que não há resposta para um problema não é resolver o problema.

E há os religiosos que enfrentam a questão se orientando pelo que suas crenças dizem.  Apenas variando em fórmulas, as religiões são idênticas no fundamental – o ser humano deve purgar suas culpas através de seu próprio esforço. Dependendo da religião, isso pode ser aqui ou após a morte, no além ou em muitas vidas. Assim recai sobre o ser humano o trabalho para compensar sua culpa.

O Cristianismo, segundo o ensino apostólico na Bíblia, difere de todas as religiões por dois fundamentos basilares. Primeiro, a fé cristã, segundo o Evangelho, proclama a ressurreição corpórea de Cristo – uma exclusividade histórica. Em segundo lugar, ela afirma que o ser humano sempre termina devedor e nunca poderia compensar sua culpa por si mesmo. Porém, ela também informa que houve a intervenção de Deus através da encarnação em Cristo. E Ele, movido por amor e graça, socorreu o ser humano cobrindo cabalmente a culpa humana. Isso se fez em Cristo morrendo numa cruz, tomando sobre Ele a condenação e culpa do ser humano. O justo pelo injusto – graça divina, ou, dádiva divina.

Essa morte de Cristo, sendo uma obra divina, é plena, suficiente e perfeita. Nada ficou para ser compensado. Todo arrependido que confessa e clama pelo perdão conquistado por Cristo na cruz, nada deve diante de Deus. Esse é um encontro maravilhoso que revoluciona o ser humano.

Essa obra substitutiva de Cristo é eficaz porque Ele, sendo Deus encarnado, não ficou retido na morte. Ressuscitou vitoriosamente, demonstrando assim que Nele, além de sermos totalmente perdoados, também somos destinados para a vida eterna com Ele. Por isso o Cristianismo, no ensino apostólico, desconhece qualquer necessidade do ser humano purgar suas culpas aqui ou no além.

Diante do desafio da morte, os apóstolos cantaram a vitória garantida e imediata. Eles nunca sofreram com a incerteza sobre o seu destino pós-morte, e nem com o dos outros cristãos falecidos. O apóstolo Paulo dançou diante da morte exclamando: “Onde esta, ó morte a sua vitória?”. (I Coríntios 15:55) Ao invés do terror de aguardar agonias purgadoras após a morte, Paulo celebrou: “…desejo partir e estar com Cristo.” (Filipenses 1:23)

Registram os Evangelhos que um criminoso cheio de culpa foi crucificado ao lado de Cristo. E ali esse criminoso clamou que Cristo fosse misericordioso com ele. Diante do quebrantamento e fé dele, Cristo não o informou que ele passaria por sofrimentos purgadores. Mas deu uma resolução imediata e eficaz, inclusive em relação a eternidade. Cristo respondeu categoricamente: “Eu lhe garanto: Hoje você estará comigo no paraíso.” (Lucas 23:43)