Depois de 84 dias sem pescar nada, Santiago, o velho pescador, volta ao alto mar para tentar a sorte outra vez. A pescaria se transforma numa luta pessoal intensa, mas fadada ao nada. Essa é saga do livro “O Velho e o Mar”, escrito por Ernest Hemingway. Publicado em 1952, esse livro lhe rendeu os prêmios Pulitzer e Nobel. Tendo Hemingway vivido em Cuba, o motivo se inspira nos pescadores cubanos, mas objetiva questionar a existência humana.

Sozinho no mar, em seu pequeno bote, Santiago fisga um enorme peixe. Ele luta intensamente por dois dias com o peixe, inclusive sofrendo cortes da linha enrolada em seu corpo. No terceiro dia, já cansado, o peixe cede, e Santiago o acerta com o arpão. Então, ele amarra o peixe na lateral do bote e começa a retornar.

Porém, o peixe deixa um rastro de sangue, atraindo tubarões. Depois de um dia inteiro de ataques dos tubarões, e contra-ataques de Santiago, acaba restando apenas o esqueleto do peixe. Santiago chega exausto à sua choupana, e adormece. Acorda no outro dia despertado pelo seu amigo, o garoto Manolin, que lhe traz um café. Depois de dizer a Manolin que ainda pescariam juntos novamente, exaurido, volta a dormir. Assim conclui o drama.

O livro revela a visão Hemingway sobre a vida humana – uma visão existencialista. Assim como foi a pescaria de Santiago, assim é a existência humana. Não há nada além do lutar e existir. Portanto, não há nenhuma certeza, nenhum valor espiritual e ético, e nenhum propósito transcendente. Tudo acaba em nada. Continuar a existir é apenas uma escolha de coragem diante do nada. Há apenas aquilo que se decide fazer a cada momento.

O renomado filósofo existencialista, Jean Paul Sartre, expôs o pensamento no livro “Náusea”: “Eu surgi por chance. Eu existo como uma pedra, planta… aqui estamos nós comendo e bebendo para preservar nossa preciosa existência e… não há nada, nada, absolutamente nenhuma razão para a existência.” Então, se o ser humano vive, é pela simples coragem de querer existir, pois não há nada que transcenda sua finitude.

Sartre é diferente dos ateus incoerentes e auto iludidos. Bem como é diferente daqueles que dizem crer em Deus com uma fé conveniente, superficial e sentimentalista, sem nenhuma consequência para o modo de ser e viver. Sartre é diferente porque ele é honesto e coerente com o crê, ou seja, coerente com seu existencialismo ateu. Semelhante à visão de existência ilustrada por Hemingway na pescaria do velho Santiago, Sartre resume assim a existência humana: “O ser humano é uma bolha vazia flutuando sobre o mar do nada.”

Todos ainda descobrirão que são um mero “Santiago”. Cada ato do viver, incluindo o concluir, constitui uma saga vazia. Como MacBeth de Shakespeare disse, “A vida é uma história contada por um idiota… nada significando.” Viver é um absurdo, diriam os existencialistas.

Cerca de nove séculos antes de Cristo, o grande rei Salomão escreveu: “Não me neguei nada que os meus olhos desejaram; não me recusei a dar prazer algum ao meu coração.” (Bíblia, Ec. 2:10) Depois concluiu: “Que grande inutilidade!… nada faz sentido! O que o homem ganha com todo o seu trabalho em que tanto se esforça debaixo do sol?” (Ec. 1:2) Depois de tudo dito e feito, a vida em si apenas é um vazio.

Hemingway conheceu sucesso na vida, recebendo gloriosos prêmios. E viveu coerentemente sua visão existencialista. Porém, aos 61 anos estava deprimido, vazio, e entregue ao álcool. Já numa segunda tentativa, com um tiro de espingarda conseguiu dar fim a sua vida. A verdade é que, como a vida não tem sentido transcendental, para os existencialistas tanto faz viver como morrer. Diante do grande absurdo chamado existência humana, o suicídio é apenas mais uma opção na vida. Ele não é nem melhor e nem pior.

Há um único escape desse absurdo. Um escape que provê a vida com significado sublime e propósito eterno. O rei Salomão sabiamente conclui assim seu livro: “Lembre-se do seu Criador nos dias da sua juventude, antes que venham os dias difíceis… em que dirá: Não tenho satisfação neles.” (Ec. 12:1). A vida não precisa, e nem pode, ser reduzida a um absurdo. Em Cristo, no perdão gracioso propiciado pela cruz, Deus oferece o encontro com Ele, possibilitando assim o desfrutar da vida eterna e plena de significado. Cristo introduz uma nova perspectiva para a saga humana: “…eu vim para que tenham vida, e a tenham plenamente.” (João 10:10).