Nada como um bom Dia das Mães para o balanço financeiro do comércio. Esse lucro comercial pode ser legítimo, porém, segundo Anna Jarvis, aquela que mais entende sobre o “Dia das Mães”, todos nós ficamos no prejuízo se esse lucro for o que move o Dia das Mães.

Anna Jarvis foi marcada profundamente pela vida de sua mãe, Anna Maria Reeves Jarvis. Sua mãe abriu mão de fazer um curso universitário para se dedicar à educação de seus quatro filhos e cuidar do marido enfermo. Anna Maria era do estado de West Virginia, nos EUA. Durante a guerra civil entre o sul e o norte dos Estados Unidos, Anna Jarvis presenciou sua mãe organizando grupos de mulheres para cuidar dos feridos.

Grafton, a cidade de Anna Maria, ficava nos limites entre o sul e o norte. Ela era membro da Igreja Evangélica Metodista, na qual atuou por 20 anos como professora do Curso Bíblico Dominical. Evangélica convicta, ela se empenhou pela reconciliação dos combatentes em meio à guerra. Por isso instruía suas enfermeiras voluntárias para que cuidassem igualmente dos soldados do norte e do sul.  Findo o conflito, Anna Maria iniciou um movimento de reconciliação, criando o “Dia da Amizade das Mães”, que visava a reunificação das famílias divididas pela guerra.

Quando Anna Jarvis perdeu sua mãe, em 1905, dedicou-se a promover o valor de mulheres de valor como sua mãe.  A Igreja Metodista em Grafton, movida por Anna Jarvis, celebrou o primeiro “Dia das Mães”, tornando-se conhecida como “A Igreja do Dia das Mães”. Depois, Anna Jarvis e suas companheiras se mobilizaram para estender essa celebração a toda nação. Em 1914 o presidente Woodrow Wilson oficializou o Dia das Mães nos Estados Unidos. O resto do mundo seguiu o exemplo.

Como parte da celebração do Dia das Mães, Anna Jarvis introduziu o costume de se presentear um cravo branco, a flor favorita dela. Logo os floristas passaram a não dar conta da demanda de cravos brancos. Então, promoveram o presentear de qualquer tipo de flor. O comércio acabou dominando o Dia das Mães, o que causou profunda revolta em Anna Jarvis, que partiu para o contra-ataque. Ela começou a incitar as pessoas a não dar presentes no Dia das Mães. É relatado que Anna Jarvis chegou a atacar pessoalmente alguns estabelecimentos comerciais. Ela afirmou: “Eu quero que esse dia seja um dia de sentimento, não de lucro.” Mas ela, que foi vitoriosa ao instituir o Dia das Mães, perdeu sua batalha contra o comércio.  Em 1920, o Dia das Mães já era uma das celebrações mais lucrativas nos EUA.

A questão que se coloca é sobre o verdadeiro lucro que sobrou do Dia das Mães. Esse dia tem origem na celebração da reconciliação e formação moral de filhos. Se esse é o verdadeiro lucro, então, atualmente estamos em grande prejuízo. O Dia das Mães precisa voltar à sua origem, visando o lucro da harmonia e reconciliação no casamento e família, bem como a formação moral e emocional dos filhos. Obviamente, o dever dessa volta recai também sobre os pais. Seres humanos precisam crescer num ambiente no qual mãe e pai pratiquem a fidelidade, respeito e sacrifício. Se assim não for, o prejuízo irá muito além do Dia das Mães. Haverá prejuízo para o individuo e sociedade em níveis incalculáveis, como já se presencia.

Anna Jarvis estava certa. Se o único lucro do Dia das Mães é o comercial, então ele corre o risco de ser apenas um dia de bajulação materialista de sociedades, famílias e indivíduos esfacelados e fingidos do ponto de vista moral e relacional. Com relacionamentos e valores nos níveis atuais, o Dia das Mães é uma celebração pobre. Ele está no prejuízo. O valor real desse dia, do qual carecemos urgentemente, é ele ser um dia da solidez da harmonia na família e casamento, sustentados pela fidelidade, conciliação e sacrifício, nutrindo as crianças em valores edificantes de mães e matrimônios moralmente sólidos.