A exposição “Queermuseu” no Santander Cultural em Porto Alegre, encerrada sob protestos, é um sinalizador forte sobre o caminhar da sociedade. E nos acontecimentos relacionados ficaram evidentes as forças e pensamentos envolvidos na batalha atual da sociedade.

Diante da interrupção da exposição, os defensores e promotores dela, e maior parte da mídia, gritam que houve cerceamento da liberdade de expressão. Falam muito em arte, e que arte não pode ser censurada. Nisso há muito engodo. Arte é neutra. É apenas uma ferramenta que pode expressar diferentes ideias e valores. A questão não é se arte deve ser censurada. A questão é o valor moral que uma dada obra artística quer comunicar. E, ainda mais crucial, é o fundamento, ou visão de vida e ser humano, que embasa tal valor.

É obvio quais ideias e valores que as artes do “Queermuseu” querem promover. Na maior parte, a proposta dominante da exposição estabelece tanto o ser humano, como sua sexualidade, como algo sem forma definida, podendo ser levado, sem limites, a todo tipo de experiência. É a tese construtivista do pós-modernismo que domina grande parte dos meios acadêmicos, artísticos e midiáticos.

Esses, por pensarem em “ser humano” e “sexo” com essa visão libertina e indefinida, entendem que são eles os que creem em liberdade de expressão. Porém, são incoerentes. Eles não aceitam o contraditório. Eles não abrem espaço e até processam quem, por exemplo, afirmar que homossexualidade é perversão e que a fornicação é imoral.

Há razões diferentes para se opor a mensagem do “Queermuseu”. Equivocadamente, os defensores do “Queermuseu” denominam e reduzem todo aquele que se opõe a “conservador”. É certo que muitos dos que se opuseram à exposição mereça essa denominação, e talvez até seja a maioria. Seriam pessoas que preferem os valores que receberam de gerações passadas. São contrárias a novos valores e costumes porque não se sentem confortáveis com mudanças. Mas conservadorismo dificilmente ganhará essa batalha cultural.

A exposição “Queermuseu” é a vanguarda em voga. Ela revela para onde muito provavelmente a sociedade esteja caminhando. Mas, muito mais, essa exposição revela o fundamento, e os valores decorrentes dele, que têm formatado ultimamente a sociedade através da mídia e meios acadêmicos. E então, fundamento, e valores, que ditam a direção que a sociedade seguirá.

Esses valores se baseiam numa visão de mundo e humanidade como fruto do acaso. Assim, sendo o ser humano um mero acidente cósmico, ele constrói valores e vive como ele quiser. Não há nada transcendente para orientar o ser humano. Há apenas os desejos e pensamentos humanos. A homossexualidade é um ícone marcante dessa visão. Continuando esse racional a formatar a sociedade, ele poderá perfeitamente justificar e levar a pedofilia, zoofilia (bestialidade) e incesto.

Grande parte dos conservadores atuais têm a mesma crença quanto a origem e natureza do ser humano, diferindo apenas em não apreciar as mudanças propostas. Porém, com essa base comum ao conservador e ao vanguardista, definindo o ser humano como um acidente cósmico, dificilmente a balança penderá para o lado conservador. Cerca de 40 anos atrás ninguém ousaria afirmar que a homossexualidade é normal, e muito menos mencionaria “casamento homossexual”. Hoje esses itens são palavra de ordem. O conservadorismo perdeu. Saudosismo não é apto para a batalha cultural.

Entretanto, a denominação generalizada de “conservador”, para todo aquele que se opõe aos valores da exposição “Queermuseu”, é equivocada e até desonesta. Há aqueles que se opõe não por conservadorismo. São aqueles cuja justificativa, para se opor, não se baseia na preferência e tradição pessoal ou social. É uma oposição com um racional informado, embasado e independente de tradição, ou, conservadorismo.

Essa oposição fundamenta-se na visão que o ser humano é uma criação definida e especial de Deus. Há razões diversas e obvias para justificar essa visão. Entre outras, a existência e natureza do fenômeno “ser humano”, e seu viver, pedem uma explicação que é atendida somente se ele for uma criação especial a partir de um Criador transcendente.

Essa visão de ser humano, como uma criatura especial de Deus, define quem o ser humano é, os valores que devem nortear seu viver e, então, a mensagem que as artes devem promover criativamente. Isto é, há uma forma. A ação criativa é bem-vinda e é dadiva divina para o ser humano, mas deve respeitar os parâmetros da forma da criação e seu Criador. Fora dessa forma há um desnortear e destruição. Essa visão de criação nada tem a ver com o conservadorismo. Aliás, essa visão é novidade que adentrou o mundo de sempre.

No passado havia um mundo muito alinhado com a mensagem do “Queermuseu”. Era o mundo Greco-Romano. Nele o ser humano não tinha um valor inerente, e universal, advindo da criação divina, conforme ensinam as Escrituras judaicas-cristãs. Consequentemente, isso produzia um dado modo de vida. Entre outras coisas, a pedofilia era aceita, homossexualidade era praticada, aborto era aprovado, escravidão era legitimada, luta de gladiador era diversão, etc. Essa era a visão conservadora do mundo Greco-Romano. A proposta do “Queermuseu” é uma volta à visão de ser humano desse mundo passado.

Foi nesse mundo que irrompeu, então, a novidade da mensagem de Jesus Cristo. Irrompeu informando a necessidade e possibilidade do ser humano se reconciliar com seu Criador através de Jesus Cristo. E reconciliando, o ser humano podia descobrir a forma edificante para seu ser e viver. Foi com essa novidade revolucionária do Evangelho que o mundo mudou. Sem essa verdade do Evangelho, os grupos atuais movidos apenas pelo mero conservadorismo dificilmente prevalecerão. Bem provavelmente o futuro será do “Queermuseu”, e suas consequências. Mas no Evangelho há esperança.