Tendo iniciado no século XVII, o Iluminismo tornou-se o pensamento dominante na Europa do século XVIII. Por isso essa época é chamada de século das luzes. A proposta iluminista ditou a marcha da humanidade até tempos recentes. É verdade que algumas luzes brilharam no Iluminismo, mas ele também resultou em desencaminhamento e frustração.

Entre os muitos aspectos do Iluminismo, destaca-se nele uma confiança plena na suficiência razão humana. Uma ilustração disso é a conhecida fundamentação a que chegou Rene Descartes: “Penso, logo existo.” O Iluminismo propôs o racionalismo. Isso significava um rompimento com a necessidade da revelação divina. O ser humano sozinho, operando sua racionalidade apenas, encontraria e formularia todas as soluções e respostas para a existência humana.

E isso incluía uma nova visão de ciência, nada modesta, que resultou no “cientificismo”. Isto é, a ciência do chamado “método científico”, pautado pela dedução e observação, seria entronizada. A crença era que a “ciência racionalista” poderia prover todas respostas e soluções. Portanto, o Iluminismo era extremamente otimista.
O Iluminismo, levantando-se contra tudo o que era imposto ou autoritário, combateu as monarquias absolutistas. Ele foi a força intelectual por trás da revolução francesa em 1789. E, no Brasil, na mesma época, foi uma das motivações da fracassada luta de Tiradentes. Mais tarde, o Brasil receberia um novo impacto do Iluminismo através do Positivismo.
Uma das crias do Iluminismo foi o pensamento de Augusto Comte no século XIX. Influenciado pelo racionalismo advindo do Iluminismo, Comte propôs que a humanidade, tendo passado pelo estágio religioso, e depois filosófico, iniciava o estado positivo, ou, científico. E, criando o estudo da sociologia, formulou uma teoria na qual o método cientifico foi aplicado para solucionar e estruturar a sociedade.

E, pensando em organizar a política e país como se fosse um organismo, Comte propôs seu modelo de governo republicano para repor as monarquias. Porém, esse republicanismo não propunha a democracia, mas uma sociocracia. A proposta era um estruturalismo social, integrando os indivíduos como elementos funcionais da sociocracia. Enfim, o Positivismo formaria sociedades que venceriam as mazelas e limitações humanas.

Brasileiros foram estudar na Europa, na época de Comte, onde aderiram ao Positivismo que acabou aportando no Brasil, sendo especialmente difundido na academia militar no Rio de Janeiro. Toda uma geração de oficiais foi formada nesse pensamento. O resultado foi a proclamação da república em 1889 sob a iniciativa de militares. E como o lema de Comte era “amor como princípio, ordem por base, progresso como alvo”, introduziu-se “Ordem e Progresso” na bandeira nacional.

Enfim, o tempo passou, e o Brasil e mundo revelam que as promessas do Iluminismo e Positivismo foram ilusões. Em pleno século XXI, ainda que resquícios iluministas sejam achados, sabe-se que o conhecimento racional, ou o racionalismo, não conseguiu entregar o que prometeu. Formar uma sociedade e indivíduos holísticos, moldados pela virtude, bem como encontrar o propósito da existência, está além do conhecimento científico. E a razão humana tem suas tendências e insuficiências. E sabe-se que o ser humano é algo que extrapola o campo das ciências. Enfim, ciência tem suas limitações.

O que muda para melhor o ser humano, e sociedade, é o império de um conhecimento chamado sabedoria. Ela é um conhecimento, mas que não é fornecido pela informação científica ou racionalismo. Sabedoria tem natureza formativa a partir de valores transcendentes ao mundo físico e razão. E sabedoria até independe da informação científica. Há pessoas de pouco estudo formal, com conhecimento cientifico-cultural limitado, mas que são sábias. E há pessoas com muito conhecimento cientifico-cultural que vivem de forma estulta. E mais, conhecimento científico-cultural, sem sabedoria, torna o indivíduo mais capacitado para o mal.

A sabedoria envolve primordialmente a prudência. Essa perspectiva já era ensinada, séculos antes de Cristo, no livro de Provérbios (Bíblia). Prudência é o refletir antes de agir, objetivando a edificação. Sabedoria, então, é essa consciência que a ação humana é consequente. E consequente para o bem, causando a edificação, ou para o mal, trazendo destruição. Mas, a sabedoria plena não pensa em consequência apenas num tempo limitado. A sabedoria plena considera a consequência eterna dos atos humanos.

O livro de Provérbios aponta o caminho dessa perspectiva e viver: “O temor do Senhor é o princípio do conhecimento, mas os insensatos desprezam a sabedoria e disciplina. ” (Pv 1:7) O viver sábio vem do pensar e agir diante de Deus na perspectiva eterna. Sendo consciente de quem Deus é, o sábio pensa e age com temor diante dele. O resultado é uma vida construtiva, com propósito e segurança. Temer a Deus é saúde para o viver. E isso exige conhecer e abraçar a verdade que “…Cristo é o poder de Deus e sabedoria de Deus.” (Bíblia, I Co 1:24)