Novo ano chegando, resoluções são adotadas. Porém as estatísticas revelam que a maior parte das pessoas não realiza suas resoluções. Por que resoluções são derrotadas? E por que muitos não têm disposição, ou visão, nem mesmo para fazer uma resolução?

O problema está na resolução. Quando ela é uma proposta isolada do universo composto pelo todo da pessoa, a resolução não prospera. Desse modo, a resolução é feita, acaba derrotada, e tudo continua como sempre foi. A resolução é boa e necessária, mas ela isoladamente é superficial e impotente.

Dr. Jeff Stibel, empresário de sucesso, mas também um acadêmico da neurociência, diagnosticou bem a causa mais comum do fracasso das resoluções no artigo “O Segredo de Não Quebrar a Resolução do Novo Ano” (“The Secret to Not Breaking Your New Year’s Resolution”). Ele aponta que o ser humano, em geral, é um pensador de curto prazo. O ser humano pensa de forma imediata quanto a sobrevivência e recompensa. O prazer de curto prazo, sacrificado se a resolução for cumprida, se sobrepõe a recompensa de longo prazo da resolução cumprida. E assim, o desconforto exigido para se cumprir as resoluções, derrota a intenção de se executá-las.

No entanto essa saga de resoluções infrutíferas pode ser interrompida. Dr. Stibel aponta o segredo: “…o único modo de fazer mudanças duradouras é conectar com a motivação e o significado mais profundos por trás de seus objetivos.” Há motivações para resoluções que vem de razões nobres e de certa profundidade, como, uma resolução pensando na família e a saúde. Porém, a conexão mais profunda é com a dimensão basilar e essencial do ser, ou, a dimensão espiritual. É nessa dimensão, comum a todos nas variadas formas, que estão os fundamentos da pessoa, ainda que a maior parte delas não seja consciente de sua própria base espiritual. A superfície das pessoas reflete a subjacente dimensão espiritual.

Para uma resolução prosperar é preciso que ela seja fruto e se sustente em uma motivação vinda dos valores básicos, ou, espirituais. Motivação superficial derrota resolução. Por exemplo, é preciso que a resolução de emagrecer ou exercitar não seja movida pela superficialidade da vaidade. A resolução de deixar o cigarro ou drogas não prospera sem uma profunda justificativa e motivação além de alguma recompensa prática. E também não prospera a resolução de querer ser alguém de melhor comportamento moral apenas por reputação ou vantagens.

Para prosperarem, as resoluções precisam de um embasamento espiritual. Nos níveis subjacentes devem habitar valores que torne a pessoa e vida em algo sagrado. Isso é ter valores que exijam um cuidado com a dadiva do corpo e da vida. Valores que reconhecem a dignidade dos outros e, então, impeça comportamentos que prejudiquem os outros. E, conjuntamente, serão valores que não objetivam recompensas imediatistas, mas recompensas de longo prazo. Portanto, resoluções que prosperam vem de uma condição espiritual que seja adequada para prover a necessária motivação e justificação espiritual para elas.

O Evangelho de Jesus Cristo é sobre essa essência e fundamento espiritual. E é sobre a transformação espiritual do todo do ser humano, e que, consequentemente, atinge o superficial dele. O apóstolo Paulo descreveu isso assim: “Se alguém está em Cristo, é nova criação. As coisas antigas já se passaram; e eis que surgiram coisas novas.” (Bíblia, II Co 5:17) Porém, como se dá essa transformação holística cristã?

Em outro lugar o apóstolo a explica citando a sua própria experiência: “Fui crucificado com Cristo. Assim, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim. A vida que agora vivo no corpo, vivo-a pela fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim.” (Bíblia, Gl 2:20) É a experiência mais profunda e transformadora que o ser humano pode experimentar. E não vem dele, mas de um obra sobrenatural em Cristo.

Cristo não é muleta e nem artificio para o que convém e interessa. Por não ser fiel a essência do Evangelho, a disseminada atual pregação e música “evangélica” são apenas a exploração através de promessas de imediatismos e superficialidades. É uma mensagem que passa longe da profunda conversão evangélica verdadeira mediada pela morte substitutiva de Cristo no lugar do pecador, envolvendo arrependimento e transformação holística, levando a reconciliação com Deus. Por isso, essa nova pregação “evangélica” não transforma fundamentalmente o indivíduo e não tem impactado positivamente a sociedade brasileira.

É bem diferente a real pregação evangélica – bíblica e histórica. Ela não é sobre magia para oportunismos. O encontro com Deus em Cristo, conforme o Evangelho, não é um acalentar das conveniências e anseios superficiais através de alguns truques religiosos. Não é um cosmético. O encontro com Cristo produz uma revolução total, mudando todos os valores subjacentes, ou, valores espirituais – “estou crucificado com Cristo”. Nela, se há muito a ganhar espiritualmente, há também muito a perder em termos de conveniências imediatas.

Por esse encontro com Deus em Cristo surge um viver com Cristo e para Cristo. E um viver que passa a medir e organizar tudo pela dimensão eterna diante de Deus. E, iluminado por Ele, com uma nova espiritualidade e valores, se formula resoluções edificantes e que prosperam. É mudança holística da raiz até a superfície. E assim o indivíduo convertido muda em relação a moral, corpo, emoções, paixões, hábitos, tempo, lazer, finanças, família, trabalho, relacionamentos, etc. “Já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim.”