O ser humano tem consciência do conceito de “futuro” e da dimensão “eternidade”. E por ter essa consciência o ser humano difere de tudo mais no mundo e universo. A Bíblia diz que Deus colocou a eternidade no coração humano (Eclesiastes 3:11), através de uma criação especial (Gn 2:7).

É natural o ser humano considerar a dimensão da eternidade e ansiar por ela. É fator integrante do seu ser e existir. Negar a eternidade exige um constante esforço contrário ao que é natural. E o descartar dela torna a existência algo incompleto e angustiante. Para o desafio da eternidade se apresentam as respostas alternativas da reencarnação e ressurreição.

A reencarnação, totalmente distinta da ressurreição, é uma alternativa que enfrenta obstáculos firmes. A reencarnação se baseia em impressões subjetivas, alegadas por alguns poucos, sobre possíveis vidas passadas. Não são fatos objetivos, portanto, são apenas meras especulações intimistas. E podem ser explicadas como fenômenos próprios das sensibilidades humanas.

Além disso, o princípio da reencarnação ensina que há necessidade de repetidas vidas para um processo purgatório até que se atinja a evolução moral devida. Atingindo essa evolução, o espírito seria liberto do ciclo de vidas corretivas neste mundo. Porém, a Bíblia informa que o fracasso humano é geral e irremediável (Rm 3:23). E a experiência comprova isso. Então, ninguém deixa esta vida em estado de perfeição. Assim, pelo princípio da reencarnação, o ser humano está destinado a um eterno retorno. E mais, divergindo da reencarnação, a doutrina Cristã afirma: “Aos homens está ordenado morrerem uma só vez…” (Hebreus 9:27, Bíblia).

A reeencarnação levanta as dificuldades desafiadoras sobre porquê e quando foram criados o mundo e humanidade. Divergindo da reencarnação, o ensino cristão, conforme a Bíblia, informa que o propósito original para a vida humana na terra nunca foi purgação ou evolução, e sim uma criação boa de Deus (Gênesis1:31). Isso até que o ser humano cedeu ao pecado.

Conforme o ensino reencarnacionista, as boas ações em prol de necessitados são necessárias para a evolução espiritual. Entretanto, com esse entendimento, as boas obras se tornam egocêntricas. Elas visam primeiramente o benefício do próprio caridoso. E essa caridade cria uma incoerência, pois a ação do caridoso é um desserviço para o carente, uma vez que o carente necessita da purgação do seu karma.

A doutrina da reencarnação está correta tanto em reconhecer que o ser humano é marcado pela falha moral, como em conectar isso com a questão eterna, porém, é equivocada quanto ao equacionar a solução. O caminho da ressurreição tem a solução adequada. E a ressurreição encontra sua única base objetiva, ou histórica, na ressurreição exclusiva de Jesus Cristo, que passa pela morte dele na cruz. Cristo responde ao problema moral e a questão da eternidade.

Como nenhum ser humano, a partir do advento do pecado, é ou pode se tornar perfeito diante de Deus, a única saída para o ser humano é um amplo e eficaz perdão divino, e perdão gracioso. O sacrifício de Cristo, no lugar do ser humano, é o meio para esse perdão. É a única provisão que não contradiz o caráter justo e, ao mesmo tempo, amoroso de Deus.

Na cruz, em Cristo, a justiça de Deus é satisfeita e amor imensurável dele é manifestado – graça absoluta. E é uma solução que confronta e transforma o ser humano, produzindo uma vida de boas obras. Mas, tendo já sido perdoado por graça, suas boas obras visam não a si mesmo, mas glorificar a Deus – o resgatador e razão da vida. Esse é o modo da cruz e ressurreição.

Mas, se Cristo não ressuscitou, a morte dele na cruz é, no máximo, a morte de uma pessoa bem-intencionada, ainda que equivocada. Ou seja, a morte de Cristo não foi a ação divina em prol da justificação do ser humano, mas a ação de alguém circunscrito a limitação humana. Se Cristo não ressuscitou, Ele é alguém menor do que a vida e morte, como é qualquer ser humano. E, então, sem a ressurreição, não há perdão e reconciliação com Deus. Consequentemente, não há esperança de eternidade.

Negar a ressurreição de Cristo requer argumentos que desautorizem a historicidade desse fato. Ela é factualmente registrada em documentos fidedignos, com relatos logicamente concatenados e alinhados com um plano histórico. É um dado objetivo e suscetível ao exame público. São milenares as tentativas de desabonar a ressurreição de Cristo, mas ela continua em pé. Solidamente embasada, a Páscoa é a mais bela música já ouvida pelo ser humano. “… vos entreguei o que também recebi: que Cristo… ressuscitou…, Onde está, ó morte, a tua vitória? ” (I Corintios15:3-4 e 55, Bíblia).