Madre Teresa afirmou: “A pobreza mais terrível é a solidão, juntamente com ser indesejado.” Se não há dúvida sobre quão terrível é a solidão, também é verdade que a solidão é complexa e comum. O renomado escritor Thomas Wolfe confessou: “A plena convicção de minha vida atual baseia-se na crença que solidão, longe de ser um fenômeno raro e curioso, e peculiar a mim e outros poucos solitários, é elemento central e inevitável da existência humana.”

Essa solidão comum é experimentada mesmo no meio de uma multidão ou muitas amizades. No íntimo há um desejo intenso por algo que esteja “além” da realidade humana. É um anseio profundo da alma que não se satisfaz com algo, ou alguém, da realidade ordinária, finita e transitória. O psiquiatra Victor Frankl, profundo conhecedor da carência humana por ter sido prisioneiro dos campos de concentração nazistas, denominou essa solidão maior de “vácuo existencial”. É a solidão da alma.

Há a alternativa muito disseminada de se tentar satisfazer esse anseio pelo transcendente através do amor sentimental-sexual. Mas esse é um caminho equivocado. Um pensador já disse que o amor deixa de ser um demônio somente quando ele deixa de ser um deus. Alguém transformar o amor, entre humanos, em resposta final para o anseio da alma é entrar numa saga desapontadora.

O amor sentimental-sexual não é o prêmio último e pleno da existência humana, ainda que seja assim cantado pelas músicas românticas. O amor não pode ser realizado e experimentado na dimensão que comumente é descrito nas músicas românticas. Nenhum ser humano pode atender a profunda solidão da alma de outrem. E tudo se agrava ainda mais quando o amor romântico é reduzido apenas à transitoriedade do sexo.

Há aqueles que imaginam que tudo seria resolvido com mais popularidade e programas sociais. Quando realizava uma temporada de shows em Las Vegas, durante uma recepção no Hotel Hilton, Elvis Presley se isolou num canto e escreveu numa folha de um bloco: “Eu sou a única pessoa que conheço que pode andar num salão cheio de gente e se sentir sozinho.” Mas, longe de ser o único, nisso estava e está acompanhado de todos.

O premiado escritor Ernest Hemingway declarou: “Eu vivo num vácuo que é tão solitário como uma bateria sem carga e para a qual não há nenhuma tomada elétrica na qual possa se ligar.” Tanto Elvis como Hemingway morreram em situação triste e só. A solidão da alma é profundamente extraordinária e de uma carência muito específica.

Assim como uma pessoa com pais adotivos anseia pelo encontrar seus pais biológicos, a alma precisa se encontrar com quem lhe deu a origem e natureza eterna. Possuindo a dimensão eterna, a alma suspira pelo relacionamento com alguém dessa dimensão. E por isso não há descanso enquanto o anseio da alma não repousar no que é eternamente sublime, soberano e amoroso. O anseio da alma é pela experiência de adorar o que transcende todas as limitações da realidade imanente e finita.

A alma busca um objeto de devoção diante do qual ela se extasie em eterna maravilha, gratidão, esperança, direção, e, inclusive, submissão realizadora. Ou há esse encontro, ou, sem ele, sobrará um sentimento de nada e vazio. Sobrará o niilismo. É, então, ficar debaixo do aguilhão da solidão perene da alma.

O salmista (Bíblia, Sl 42), séculos atrás, já sabia desse drama, e o equacionou adequadamente: “Como a corça anseia por águas correntes, a minha alma anseia por ti, ó Deus. A minha alma tem sede de Deus, o Deus vivo. Quando poderei entrar e me apresentar a Deus?” Deus, em Cristo, chegou perto e se tornou acessível. Ele veio para atender o anseio da alma. Cristo é o amor de Deus chamando para si a alma solitária. Na noite de sua traição, Cristo garantiu aos seus discípulos: “Não os deixarei órfãos…” (João 14:18) Nem vida, e nem morte, separa o verdadeiro cristão de Cristo.