Numa palestra em 1948, Albert Einstein afirmou o seguinte: “O verdadeiro problema está no coração e pensamentos dos homens. Não é um problema físico, mas ético… O que nos aterroriza não é a força explosiva de uma bomba atômica, mas o poder da maldade do coração humano”. O que Einstein disse, já havia sido dito, muitos séculos antes, pela Palavra de Deus.  Está escrito: “Todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus” (Bíblia, Romanos 3:23).

Esse “Todos pecaram” denuncia que o mal está presente em todos os seres humanos. Há uma atração e desejo pelo errado em toda a raça humana. Isso não quer dizer que não se encontre vestígios do bem no ser humano. A Bíblia explica esses vestígios pelo fato que o ser humano foi criado à “imagem e semelhança” de Deus. Isso esclarece porque todos, até criminosos, têm seus momentos nobres. Mas a essa “imagem” foi abafada pela tendência maligna que adentrou a humanidade. Assim, o mal que se manifesta desde a tenra idade. 

Esse veredicto bíblico descarta o conceito atual que os seres humanos são naturalmente bons, conceito legado por pensadores como Rousseau. O cerne do problema humano não é social, psicológico e nem emocional. O cerne é moral, e isso na individualidade. A corrupção social atrai o indivíduo porque ela encontra ressonância na natureza decaída dele. O desacerto existencial e emocional vem de se estar desalinhado com os propósitos estabelecidos por Deus.

O “Humanismo”, afirmando que o ser humano é a fonte da verdade, promulga que o ser humano é naturalmente bom. E, então, a sociedade se torna a fonte do mal, transformando o indivíduo em mera vítima. Porém, ao se abraçar essa visão humanista, ninguém explica de onde vem o mal da sociedade. A incomoda conclusão é que ele pode apenas vir dos indivíduos. Eles formam a sociedade. Por isso as ciências humanas, por embarcarem nessa perspectiva equivocada, a de que a mal não está no individuo, estão naufragando. E assim será enquanto não se admitir que o problema do ser humano é moral e ele é responsável pelos seus caminhos tortos. A Palavra de Deus, e não o ser humano, é a fonte da verdade. E ela faz o diagnóstico preciso.

Por ser o pecado comum a todos, a partir da individualidade, não há instituição social isenta ou que possa salvar o indivíduo.  Aleksandr Solzhenitsyn, autor do livro “O Arquipélago Gulag”, que conheceu bem a natureza do ser humano tanto no capitalismo como no comunismo, ponderou: “Se houvesse pessoas más cometendo insidiosas ações más somente em algum lugar, então seria necessário apenas separá-las de nós e destruí-las. Mas a linha dividindo bem e mal corta através do coração de cada ser humano. E quem está disposto a destruir uma parte do seu coração?” O mal desconhece limites de classes, agrupamento ou instituições sociais. Onde está o ser humano, ali está o pecado.  

Apesar das bravatas comuns de moralismo e declarações de auto-retidão, lá no fundo todos sabem que são pecadores. Basta um momento de lucidez e análise sincera das intenções, ações e palavras, para se conhecer a verdadeira realidade interior. O fracasso moral acontece quando se pensa, fala e age. Porém, há o erro comum de se admitir que o pecado é realmente comum a todos, inclusive a si mesmo, mas isso numa platitude que nada significa. É preciso que a consciência de que se é pecador seja uma experiência aguda, como a do profeta Isaias: “Ai de mim! Estou pedido! Sou um homem de lábios impuros e vivo no meio de um povo de lábios impuros.” (Isaías 6:5) É o se chegar a verdade que – “Independente da verdade que os outros pecam, reconheço e assumo o meu pecado.”

O fato terrível é que Deus, sendo perfeito em sua pureza moral, não coaduna com a miséria moral humana. E, conforme a Palavra dele, a consequência é que todos “estão destituídos da glória de Deus” (Romanos 3:23).  Há um abismo, entre Deus e o ser humano, que é insuperável a partir da realidade humana. A solução precisa vir de alguém que está além dessa realidade humana. A verdade é que toda fala e proposta humana, religiosa ou científica, sempre naufragará até que encontre um resgatador hábil para a extensão da corrupção do coração humano. E um resgatador imune a essa condição caída. 

A conclusão inevitável é que esse resgate poderia vir apenas de Deus. E já veio. A mesma Palavra de Deus, que expõe a miséria humana, também afirma que “Deus prova o seu próprio amor para conosco, pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores” (Romanos 5:8).  Isto é, se a realidade do ser humano é miserável e insuperável pelos seus próprios méritos, também é verdade que Deus, sendo essencialmente gracioso, se voltou para o ser humano com seus recursos infindos através de Cristo.  Deus, na morte vicária de Cristo, sofre a pena do pecador. E assim perdoa e transforma. Os quebrantados, que finalmente exclamam “ai de mim”, irão correr para o resgate gracioso em Cristo. E encontrarão libertação. Mas somente esses quebrantados.