Se é fato que nestes tempos o temor a Deus desapareceu, também são óbvias as consequências dessa mudança. Problemas sempre existiram, mas tem se intensificado gravemente o pior: sociedade imoral, política desonesta, crime desenfreado, injustiça social, festividade bacanal, juventude desvairada, educação desorientada, matrimônio detonado e família desestruturada.

David Klinghoffer, um judeu-americano, argumentando mais sob o ponto de vista sociológico do que teológico, nos lembra que os “Dez Mandamentos” não são uma lista de tabus e nem de sugestões. Eles compõem o caminho necessário para uma vida plena, seja do indivíduo ou da comunidade, conforme Klinghoffer coloca em seu livro Shattered Tablets: Why We Ignore the Ten Commandments at Our Peril (Tábuas Quebradas: Porque Ignoramos os Dez Mandamentos para Nosso Perigo).

Idéia semelhante foi defendida pelo agnóstico Philip Rieff, sociólogo que se preocupou com psicologia e religião, falecido em 2006. Para ele a cultura se desenvolve quando existe a tensão entre o “eu farei” (“I will”) e o “não farás” (“Thou shalt not”), entre o desejo e o parâmetro refreador. Considerando a situação socio-comportamental da atualidade, Rieff diz que vivemos na anti-cultura porque a tal tensão desapareceu. O ser humano sempre solta seu desejo de forma desenfreada quando não há a orientação edificante dos parâmetros inibidores.

E Rieff conclui que, na falta de um “santo temor”, quando o “eu” substituiu Deus, nós nos tornamos um terror para nós mesmos. O falecido pensador Cristão Francis Schaeffer, intitulado “o apóstolo aos intelectuais” pela revista Times, escreveu que “liberdade” tem uma forma. Quando a “liberdade” é vista como ausência de parâmetros, ou de forma, o que se tem é o caos, ou o terror.

Rieff aponta que o ser humano no mundo ocidental adentrou ao perigoso terreno onde o medo, ansiedade e perda de significado transcendente, são suportados através da busca do prazer e escapes, indo das drogas às terapias. Produzimos uma sociedade informada, mas que se aproxima do estado de barbarismo, descrito por Rieff como um “rompimento sofisticado com a autoridade do passado que inibia”. Informação não é substituta para o temer aos santos parâmetros.

Os dois pensadores acima, o religioso Klinghoffer e agnóstico Rieff, encontram-se na tese comum que sem uma vida vivida diante de Deus, e Deus na forma adequada para ser a referência da vida como na revelação judaico-cristã, não há como se construir moralidade. A solução não virá das ciências humanas e nem informação escolar. E sem moralidade oriunda em Deus, vem o terror. O resultado é um ser humano angustiado e vazio, procurando o paliativo das terapias, religiosidade alternativa e drogas, escravo do consumismo, e isso enquanto também vive numa sociedade caótica e violenta.  Klinghoffer coloca bem que “o modo como uma cultura pensa sobre Deus irá determinar a longo prazo o que se pensa nela uns dos outros”.

A reversão dessa situação exige um encontro com o Deus revelado, tomando o que Ele estabeleceu como fundação da vida. Rieff denuncia que a religiosidade desenvolvida para agradar o mercado, apresentando um Deus conveniente e chegado, é um substituto artificial que não resolverá o problema do terror. Isso é verdade tanto sobre as inovações nas vertentes Cristãs como nas alternativas místicas, bem difundidas na mídia. Rieff diz que é necessário o conceito do “Soberano Senhor”.

Vive-se entre duas opções: ou se vive no “santo temor”, isto é, submissos às diretrizes de Deus, ou se vive no terror de si e dos outros. O ser humano já tem visto o suficiente do que ele, sem reconhecer a autoridade suprema de Deus em reverência e temor, é capaz de fazer e ser. Ou se abraçam a primeira opção, ou se aguarda o pior. Jesus Cristo disse que o maior dos mandamentos é “Amarás ao Senhor teu Deus de todo o coração… todo entendimento, e de todas as suas forças.” (Marcos 12:30) Esse é um amar holístico que envolve e transforma a vida e o ser por completo. Se não se encontrar o temor, o futuro é viver com o terror.