Quando, em 490 ac, as superiores forças militares da Pérsia chegaram à baía de Maratona, para invadir a Grécia, elas foram derrotadas. Entre outras histórias sobre essa batalha, há aquela que levou a criação da corrida “Maratona” nas Olimpíadas de 1896. Aconteceu que, após a vitória dos gregos, um mensageiro chamado Fidípides correu cerca de 40 km, de Maratona até Atenas, para anunciar a vitória. Ao chegar a Atenas, Fidípides teria bradado: “Nós vencemos!” E, em seguida, exausto, caiu morto.

Certamente essa não é a melhor forma de terminar, ainda que celebrando uma vitória. Entretanto, essa é a forma mais comum como os projetos humanos terminam, inclusive como terminam as vidas humanas. Terminam em vitórias finitas e efêmeras. Isso é verdade mesmo com a medalha de ouro olímpica.

A sabedoria da vida não é, primeiramente, sobre as diversas conquistas, mas sobre como se termina a corrida da vida. A opção de derrota deve ser recusada, mas vitórias que terminarão em nada, como foi a de Fidípides, devem ser igualmente recusadas.

Projetos, e finalmente a vida, têm necessariamente um término. A questão não é se haverá um término, e sim como será esse término. Será vitorioso? Se vitorioso, que tipo de vitória será essa? Fugaz ou transcendente? Seguindo a agitação em voga, a maioria está consumida por uma corrida pelo dinheiro, prazer, poder e sexo. Qual será a conclusão dessa corrida?

Nas Olimpíadas de 1968, no México, 75 atletas começaram a maratona, mas apenas 57 a concluíram. John Akhwari, tanzaniano, estava entre os que terminaram, entretanto, foi o último a chegar, sendo recebido por apenas 75 pessoas que restavam no estádio. Mas, todos o aplaudiram calorosamente.

Akhwari havia se contundido gravemente no percurso, porém, ele arrastou sua perna ferida até a linha final. Depois, questionado porque persistira, ele explicou: “Meu país não me enviou para cá, numa viagem de 10.000 milhas de distância, para eu apenas começar a corrida. Meu país me enviou para terminar a corrida”.

Isso é fato. O simples concluir tem sua virtude numa maratona olímpica, ainda que uma virtude fugaz. Porém, na corrida da vida não há virtude em simplesmente terminar.  Na vida o que conta é o tipo de conclusão da vida. Algumas perguntas são inevitáveis. Qual será o balanço da sua vida? O que se falará sobre sua vida? Qual o propósito maior de todos os esforços e projetos? O seu propósito maior transcende o término? Sua pessoa transcende o término terreno? Essas perguntas críticas implicam em outras mais basilares: Você vive para Deus? Como você terminará a vida diante de Deus? Qual será o seu destino na eternidade? E, então, qual é o destino do seu viver hoje à luz da eternidade?

No primeiro século, já contemplando o seu fim enquanto espera a execução de sua pena de morte, e ilustrando sua vida com as figuras da luta e da corrida dos jogos gregos antigos, o apóstolo Paulo afirmou: “Combati o bom combate, terminei a corrida, guardei a fé.” (II Timóteo 4:7). Muitos combatem, mas o combate errado. Outros terminam a corrida, mas uma corrida vazia e fugaz. E eles nada têm guardado que transcenda os jogos da vida. Perturbadora é a pergunta de Cristo: “Pois, que adiantará ao homem ganhar o mundo inteiro, e perder a sua alma?” (Mateus 16:26).

O apóstolo Paulo tinha os olhos fitos no término.  E esse é o segredo. Ele lutou e correu, mas movido por uma fé, bem guardada, que o conduzia a um termino transcendente. A saga dele foi orientada pelos parâmetros da vida com e para Deus, através da mediação de Cristo. Ele fitava o sentido da eternidade enquanto lidava com a vida. A vitória dele foi bem distinta daquela vivida por Fidípides.

Enquanto a graça de Deus permite, ainda há tempo de se começar o começo sábio que conduz ao término sábio. E um término que dê significado eterno às conquistas transitórias. Tudo começa com atender o chamado de Deus em Cristo para uma nova corrida com Ele no rumo eterno. No perdão gracioso e nova vida propiciados pela morte de Cristo na cruz, bem como por sua ressurreição, há oportunidade de perdão e transformação. É uma perspectiva de vida eternamente vitoriosa. Enquanto há tempo, é preciso alinhar a corrida da vida com o término eternamente vitorioso com Deus. Isto é, um viver, lutar e terminar que são transcendentes e significativos.