Num simpósio de educadores dos EUA, realizado no outono de 1987 na prestigiosa Universidade de Harvard, Frank Rhodes, reitor da também prestigiosa Universidade Cornell, foi um dos oradores. Ele discursou alertando que a situação da época exigia que as universidades focassem com “atenção real e contínua no bem-estar intelectual e moral dos alunos”. Um aluno no auditório, exaltado, gritou: “Quem vai dar essa instrução? Que moralidade nós vamos seguir?” Grande parte do auditório aplaudiu em concordância. E Frank Rhodes se sentou sem poder responder.

Em outros tempos tudo seria diferente. Agora resta apenas a escuridão. A sociedade não tem resposta para a pergunta levantada pelo aluno. Que moralidade? Qual é a referência maior para a ética? Seria a ética conforme a vontade do indivíduo, seja lá qual for? Seria o consenso social, seja lá qual for?  Quem define o certo e o errado? Não obstante as agitações e realizações atuais da humanidade, não se sabe como se deve viver. Muito se fala, as opiniões são diversas, mas é um andar em círculo que não consegue apontar o caminho. É uma escuridão total. Enquanto isso imperam as drogas, crime, corrupção, violência, falência da família, educação desencaminhadora, ser humano como objeto, sexo destrutivo, ciência eticamente cega e culto ao material e hedonismo.

O ser humano é vazio e destrutivo. E a sociedade agoniza. Aleksandr Solzhenitsyn, escritor Russo contemplado com o prêmio Nobel, afirmou: “A luta pelo nosso planeta, física e espiritual, uma luta de proporções cósmicas, não é um assunto vago do futuro, ela já começou. As forças do mal têm iniciado uma ofensiva decisiva. Você pode sentir a pressão, porém, suas telas e publicações estão cheias de sorrisos e brindes estampados. Sobre o que é essa alegria?” A verdade é que as trevas desceram. E a sociedade ri e festeja… é um gargalhar para a morte.

A tese marxista que ainda domina a mente de muitos, equaciona tudo do ponto de vista econômico. A leitura é que os problemas humanos seriam resolvidos se fosse eliminada a pobreza e houvesse distribuição da riqueza. Ou seja, se a miséria financeira for erradicada, então a miséria moral também é erradicada.  Porém, qualquer ato de justiça social é resultado da dimensão moral, e não o contrário.

E, essa divisão entre mal e bem através da perspectiva que reduz a existência humana ao material apenas, não poderia estar mais longe da verdade. Para rebatê-la é preciso apenas acompanhar o noticiário do dia ou a conversa dos conhecidos. C. S. Lewis, o falecido renomado professor de Oxford e Cambridge, já apontava que: “O maior mal não é realizado nos recantos sórdidos do crime… Ele é concebido… desenvolvido… planejado… em escritórios acarpetados, aquecidos, e bem iluminados, por homens calmos com colarinho branco… que não precisam erguer suas vozes”. A miséria moral ignora classes socioeconômicas.

A influência da tradição judaico-cristã trouxe luz para a humanidade através da propagação das verdades de Cristo. Nunca o mundo foi cristão no sentido de todos serem verdadeiros discípulos de Cristo. Porém, o mundo foi permeado, para melhor, pela influência dos valores da mensagem de Cristo. Não obstante a imperfeição sempre ter existido, a sociedade ocidental foi melhor enquanto inspirada pela convicção dos valores revelados nas Escrituras Sagradas. A luz clara brilhava afirmando que o ser humano é uma criatura especial de Deus, com um valor intrínseco, bem como um propósito digno e eterno para sua existência. E afirmava que existir é estar sob o olhar de Deus.

Referindo-se a Cristo, o apóstolo João declarou: “Nele estava a vida e esta era a luz dos homens” (João 1:4). Mas, agora chegam os tempos quando a luz é rejeitada. As palavras de Dio Chrisostom, pensador grego do primeiro século, é uma descrição oportuna: “Como homens com olhos feridos, eles evitam a luz por a acharem dolorida, enquanto que as trevas, que não permitem que vejam nada, são preferidas por serem agradáveis e concordantes”.  A maravilhosa notícia é que, mesmo que as trevas tenham descido sobre a humanidade, aquele que se submeter ao desconforto da luz verá o caminho da vida. Jesus declarou: “Eu sou a luz do mundo! Quem me segue nunca andará em trevas, mas terá a luz da vida.” (João 8:12)