O ator já está na casa dos quarenta ou cinquenta anos de idade. O papel dele no filme é de solteiro. Surge então a paquera e romance com uma atriz abaixo dos trinta anos. É mais uma aventura amorosa. E raramente esses atores madurões encenam uma estória de vida matrimonial e familiar estável. Em geral, o personagem madurão vive o que é mais próprio aos anos da juventude, e até da adolescência. Ele é um eterno garotão.

E, no que entendem por “amor”, é comum os ícones midiáticos reaparecerem sempre anunciando um “novo amor” na vida particular, cuja realidade, diferente da imagem produzida, é mais uma etapa de uma saga desastrosa. Vivem um constante desassossego e desajuste juvenil, movidos pelo egocentrismo antirrelacional, muito diferente da dignidade e seriedade do amor.

Isso é refletido no público que os imita, mas sem o glamour e dinheiro, vivendo uma história de desacertos, com terríveis turbulências sentimentais, desastres financeiros e consequências graves. Nessa busca, muitas plásticas, numerosas horas de musculação e aventuras sentimentais são a ordem do dia.

Platão, quatro séculos antes de Cristo, já advertia: “Não há questão que um homem de qualquer senso poderia encarar mais seriamente do que…  que tipo de vida uma pessoa deva viver”. Em outro lugar, ele comenta que seria uma tragédia se ter uma vida com saúde, aparência e fortuna, mas não dar um momento de reflexão sobre a vida como um todo, focando na virtude e caráter.

Essa fixação atual, na eterna juventude e adolescência, revela o desacerto do ser humano com sua realidade de vida que se dá num transcorrer irreversível. É o desacerto com a realidade que todos envelhecem e, que é necessária uma proposta de vida adequada para responder a todas as fases. Essa fixação revela uma insatisfação com a experiência real de vida, isto é, não há realização e preenchimento, salvo se a juventude for permanente. Esse desacertar com a realidade é uma tolice que leva a ilusão e frustração.

É milenar a saga lendária da busca da fonte da juventude, já mencionada por Heródoto lá no Sec. V a.C. Lenda essa revivida em momentos como o da incursão de Juan Ponce de León, em 1513, no que hoje é a Flórida nos EUA. O fato é que essa fonte nunca foi e nunca será encontrada. Perseguir uma eterna juventude é atitude e ilusão de quem não sabe viver. E sem o amadurecimento e estabilidade relacional, coleciona-se desgostos.

A vida bem vivida exige uma proposta realista que descarta a utopia da fonte da juventude. É preciso conhecer a proposta de vida que dê propósito e significado a cada fase real da vida, libertando a pessoa para viver bem a fase que está atravessando. E qualquer proposta de vida que não contemple e responda a realidade do envelhecer, é uma proposta inadequada. E o resultado é tolo e péssimo.

Em 2003, a então renomada revista americana “Newsweek” publicou o relevante artigo “Authentic Happinness” (Felicidade Autêntica). Ele apontava que o estudo da questão do bem-estar revela que “nossas circunstâncias na vida têm pouco a ver com a satisfação que experimentamos”. E acrescentava que saúde, fortuna, status e boa aparência têm pouco efeito no “bem-estar subjetivo”. Esse bem-estar interior se alcança por outro caminho.

Quem não tem na juventude um sentido de vida que também sirva, e se mantenha, na velhice, não tem ainda um verdadeiro sentido para sua vida. Saber viver a juventude, como saber envelhecer, inclusive enquanto cônjuge num casamento estável, são necessidades integrantes para uma vida bem vivida. Bem como são sinais de maturidade emocional e existencial.

É prudente acertar essa questão de vida na juventude, mas, se não foi feito, então é sábio acertar o mais breve possível na fase em que se encontra. O sábio milenar, nas Escrituras Sagradas, depois de ter vivido tudo e do melhor, advertiu: “Lembre-se do seu criador nos dias da sua juventude, antes que venham os dias difíceis e se aproximem os anos em que dirá: Não tenho satisfação neles” (Bíblia, Ec. 12:1).

O acerto de vida com Deus é que dá sentido e bem-estar à juventude. Mas um bem-estar que permanece nas outras estações da vida. Isso requer o encontro com Deus que faça dele a razão do viver. Isto é, viver com Deus e para Deus a vida toda, com um significado eterno, vivendo perdoado e em paz com Deus. Cristo veio possibilitar essa vida com Deus em todas as estações, e ainda na eternidade: “Eu sou o caminho, … a vida. Ninguém vem ao Pai a não ser por mim.” (João 14:6) Sem Deus, manifesto e viabilizado em Cristo, resta o correr atrás do vento.