A busca pela face de Deus sempre fez parte da saga da humanidade. Dentro da Bíblia mesmo, cerca de 1.500 anos antes de Cristo, num momento difícil, Moisés já rogava a Deus: “Peço-te que me mostre a tua glória. ” (Êxodo 33:18). Séculos depois, Filipe clama a Cristo: “Senhor, mostra-nos o Pai e isso nos basta. ” (João14:8). Assim é a saga. É a busca pela resposta transcendental, sem a qual a história finita do ser humano não encontra um propósito e fecho que lhe dê sentido. Por isso essa busca tem movido o ser humano a criar todo tipo de religião e alternativas.

No seu sistema filosófico, Aristóteles deu o lugar de Deus à sua primeira causa, e ponderou: “A causa não causada, a mais desejada e a mais desconhecida. ” Seu discípulo, Platão, dentro da sua própria filosofia, argumentou: “É impossível conhecer a Deus, e se alguém o conhecesse seria impossível descrevê-lo. ” Desafiador é o drama humano diante do anseio de querer conhecer a Deus. Muitos, por concluírem que ninguém viu ou vê a Deus, se tornam céticos em relação a Ele, criando assim um problema maior por decretarem a inexistência ou ausência de Deus. Portanto, o desafio dessa busca exige um exame urgentemente necessário e honesto.

A verdade é que a Bíblia deixa claro que Deus não é parte da criação. Ele é o criador e por isso está além da criação. E, além disso, o ser humano se envolveu com o pecado, cuja essência é a busca de uma existência autônoma diante de Deus. Com isso surgiu uma barreira moral, portanto espiritual e existencial, entre Deus e o homem, a qual é intransponível para os recursos humanos.

Contaminado pelo pecado, o ser humano envolve-se com o mal, ou seja, com aquilo que é contrário ao caráter de Deus, se tornando assim incompatível e avesso a santidade de Deus. Diante desse quadro da inalcançável transcendência de Deus e da intransponível barreira da pecaminosidade humana, é desanimadora a condição do ser humano. O fato é que, realmente, está impossibilitado ao ser humano, por si mesmo, acessar a Deus. Se Deus puder ser acessado, dependerá de uma iniciativa Dele.

Esse quadro envolve o drama existencial mais profundo do ser humano. Nele é desesperadora a realidade humana que agoniza diante da questão: Como poderia o ser humano ver a Deus e se relacionar com Ele? Há uma resposta, e ela é a notícia mais maravilhosa que já soou ao ouvido humano.  A Bíblia revela que Deus, em Sua misericórdia, se voltou para o ser humano e tornou possível o ser humano contemplá-lo. Deus se tornou acessível, se apresentando com uma face possível de ser contemplada pelo ser humano.

No profundo e longo diálogo de Cristo com seus discípulos no Evangelho de João, a já mencionada pergunta que Filipe colocou para Cristo é crucialmente esclarecedora: “Senhor, mostra-nos o Pai e isso nos basta. ” (João14:8) É esclarecedora porque Cristo não se evadiu diante da questão, e nem mesmo tergiversou como fundadores das religiões fazem diante desse desafio. Cristo respondeu categoricamente e objetivamente a Filipe: “Você não me conhece, Filipe, mesmo depois de eu ter estado com vocês durante tanto tempo?  Quem me vê, vê o Pai. Como você pode dizer: Mostra-nos o Pai? ” Essa é uma resposta tão assertiva e crucial que força o ser humano a se render diante de Cristo, e apenas diante Dele, ou considerá-lo o maior louco da história. Porém, decretar a loucura de Cristo tem se revelado uma tarefa impossível.

Portanto, é fundamental se atentar concentradamente na resposta de Cristo: “Quem me vê, vê o Pai”. Cristo é Deus se revelando ao ser humano de forma concreta dentro da história.  Se alguém desejar ver a pessoa de Deus deve conhecer a pessoa de Cristo. É necessário ir às Escrituras Sagradas, observar atentamente, conhecer o que Cristo foi e é, e ouvir a voz Dele. Ali se verá, numa forma singela e acessível, o ser mais sublime que se conhecer, na verdade, o anseio maior da alma.  Olhando para Cristo se estará face a face com Deus. Cristo disse: “Quem me vê, vê o Pai”.

E o mais maravilhoso é que Cristo é justamente a provisão para a impossibilidade do ser humano construir a partir de si seu acesso até Deus. Inversamente, oposto as religiões, Cristo é Deus descendo até o ser humano. Ele veio para que o acesso à sua presença e pessoa, inviabilizado pelo pecado, fosse restituído ao ser humano. Deus veio em Cristo para ir à Cruz, onde a culpa do pecado foi caiu sobre Ele. Então, em Cristo, no arrependimento do ser humano diante de Deus, se refugiando no perdão provido na Cruz através da dádiva de Deus em Cristo, o acesso a Deus é possível e certo. E um acesso a um relacionamento eterno que a tudo transforma na forma de viver. Ver a Deus, através do modo plenamente manifestado em Cristo, é a experiência mais revolucionária que o ser humano pode experimentar. E a mais necessária e urgente.