O filósofo Sócrates afirmou:  “Uma vida não examinada não vale a pena ser vivida.” Insensatamente, a maior parte das pessoas vive ocupada e entretida, sem nunca fazer um verdadeiro exame sobre a razão de seu viver. E o primeiro exame é a vida em si. Tudo começa com uma pergunta básica: Estou vivendo?

Se alguém pôde fazer a pergunta, obviamente que a resposta é sim, mas isso apenas na dimensão biológica. Entretanto, o ser humano é muito mais que biologia. Ele é espiritual. Vida humana, além da mecânica do organismo, envolve propósito, significado, esperança, alegria e paz. E isso não somente porque a vida tem essas facetas, mas também pelo fato do ser humano ser consciente delas. Isso cria um quadro inevitável e angustiante. Um ótimo organismo humano vivo e ativo pode estar morto espiritualmente, isto é, sem propósito, significado, esperança, alegria e paz. E aí, para escapar da angustia da falta de vida, entram os escapes e paliativos.

Nietzsche, um dos mais realistas em propor a vida sem a existência de Deus, portanto vida sem propósito e significado transcendentes, levantou uma conjuntura que poucos teriam coragem de enfrentar: “E se, num dia ou noite, um demônio se intrometesse na sua solidão e dissesse: ‘Esta vida que você agora vive, e tem vivido, você terá que vivê-la mais uma vez e outras inumeráveis vezes; Não haverá nada novo nela, mas as mesmas tristezas e alegrias… a ampulheta da existência será virada vez após vez.’ Você não se atiraria no chão e rangeria seus dentes, amaldiçoando o demônio que falou isso? “

Certamente há aqueles que discordariam de Nietzsche, mas discordariam porque não examinaram a vida. Vivem amortecidos pelos anestésicos do entretenimento e ocupação. Porém, aqueles que enfrentam essa questão da vida na nudez da realidade, como Nietzsche fez, sabem que eles amaldiçoariam o demônio de vidas repetidas, se elas fossem o caso. O fato é que falta vida a vida. É comum acontecer o que Sêneca, pensador romano do I Século, ponderou: “O maior dos males é deixar os vivos antes de morrer.”

Há uma urgente necessidade de resposta ao drama da vida. Ela é encontrada na afirmação de Cristo: “Eu sou o caminho… a vida…” (João 14:6). Palavras intrigantes. Ele poderia ter dito que Ele conhecia a vida. Ou, que ele poderia apontar o caminho para a vida. Mas, diferente dos gurus de plantão e fundadores de religião, Cristo diz “Eu sou… a vida”. Discordando do que disse Cristo, o comum é se pensar que vida plena vem de coisas, atividades e experiências. Desejando viver, as pessoas mais e mais se afadigam na busca de programas ou objetos, esperando encontrar propósito, significado, paz, alegria e esperança. Porém, Cristo foi categórico que somente ele é a vida.    

É crucial lembrar que Cristo também afirmou: “…eu dou minha vida para retomá-la” (João 10:17). Cristo é maior que a vida e a morte, e nisso ele também se distingue absolutamente de todos fundadores de religião. Ele foi soberano sobre a vida física dele mesmo após a morte. Ele é Deus manifesto em forma humana, aquele que é maior que a vida e morte.

E Cristo disse mais. Disse algo que incomoda profundamente: “Cuidado!… a vida de um homem não consiste na quantidade dos seus bens.” (Lucas 12:15). A busca de vida nas coisas e atividades é semelhante à saga de Sísifo na mitologia grega. Sísifo foi condenado a rolar uma pedra morro acima, mas sempre que estava perto do topo, a pedra escorregava, voltando ao sopé da montanha, tendo ele que sempre recomeçar. Assim é a busca de vida naquilo que não pode dar o propósito eterno para a existência. A verdadeira vida, o existir além do biológico, que envolve significado, propósito, esperança, alegria e paz, pode ser encontrada somente além das experiências sempre transitórias e das coisas naturalmente finitas. Isso depende da dimensão eterna, por isso dependem de Deus, que foi manifesto em Cristo.

Conhecendo esse drama humano, que se assemelha ao de Sísifo, Cristo anunciou: “Eu vim para que tenham vida, e a tenham plenamente.” (João 10:10) Somente em Cristo há a vida e vida plena. Isso porque Ele, através do perdão propiciado por sua morte na Cruz, proporciona ao ser humano o perdão e reconciliação já e eternos com Deus. E consequentemente, em Cristo, se inicia a vida, isto é, a vida vivida para o Eterno.

Então, primeiramente, em Cristo, o ser humano arrependido encontra paz ao saber que recebeu o perdão pleno e permanente na sua alma, perdão que assim é por ser graciosamente concedido por Deus em Cristo, mesmo porque esse estado de alma plenamente perdoada não é possível em nada mais além de Cristo, pois, somente o Evangelho tem uma cruz vicária. E depois do perdão pleno, toda efemeridade da existência humana adquire, em Deus, um significado e propósito eterno. É o adquirir de um novo viver com Deus e para Deus. Isso resulta no verdadeiro propósito, esperança, paz e alegria.

Em Cristo há vida plena porque através dele a vida não ganha apenas a extensão eterna, mas também ganha já a qualidade eterna. Dr. Kenneth Cooper, criador do método “Cooper” de condicionamento físico, visitando o Brasil anos atrás, falou ao Maracanã lotado: “Meu método pode dar mais anos a sua vida, mas somente Jesus Cristo pode dar mais vida aos seus anos.”.