Victor Frankl foi um renomado psiquiatra em Viena, na Áustria, que amargou alguns anos num campo de concentração Nazista. No meio daquela miséria, o Dr. Frankl observou que muitos prisioneiros definhavam e morriam, enquanto alguns conseguiam prosseguir. Frankl sobreviveu ao campo de concentração e publicou o que aprendeu sobre o ser humano naquela prisão. 

Ele descobriu que os prisioneiros que conseguiam sobreviver, àquelas agruras, eram aqueles que tinham algo pelo que esperar. Frankl escreveu: “Qualquer tentativa de restaurar a força interior do homem naquele campo, tinha que primeiro ter sucesso em lhe mostrar algum alvo futuro.”

A pergunta basilar é: O que você aguarda que o motiva a viver hoje? Como é comum à realidade dos seres humanos, sempre se fita numa das esperanças comuns: formatura, emprego, namoro, casamento, filhos, netos, compra de casa, aposentadoria, férias, festa, etc… Lá dentro o ser humano crê que algo melhor está por vir, e por isso enfrenta o hoje. 

Se o aguardado é uma esperança legitima, não há nada de errado em se animar com a possibilidade de ela acontecer, e nem de se alegrar quando ela for realizada. No entanto, esse atravessar da vida sempre sendo empurrado, apenas, de uma esperança transitória para outra, é uma corrida ilusória. Esse sempre esperar por algo que vem e passa, até que não haja mais nada a ser esperado, é se anestesiar até que o fim chegue. E quando esse fim chegar, a conclusão será que tudo foi um correr atrás do vento.

A verdade da vida é que todos precisam de esperança para viver. Esse contínuo esperar motivador é o espírito humano vivendo o presente, mas com a eternidade em foco. Isso é próprio da natureza dele. Uma natureza que exige a realização além do presente furtivo. E como as esperanças transitórias são menores do que a vida, nenhuma delas responde, em última instância, ao clamor por uma esperança eterna que habita no íntimo. 

O escritor do Salmo 39, na Bíblia, enfrentou honestamente esse drama da existência humana e encontrou a resposta: “Sim, cada um vai e volta como a sombra. Em vão se agita, amontoando riqueza sem saber quem ficará com ela. Mas agora, Senhor, que hei de esperar? Minha esperança está em ti.”

A esperança que satisfaz a inquietação do ser humano será encontrada somente no eterno: Deus. Quando houver a esperança eterna, aquela que não passa, haverá a verdadeira razão para o viver e descansar no íntimo. E, as esperanças menores da vida deixarão de ser frustrantes e vazias quando elas forem vividas para Ele e Nele – o eterno. 

Cristo veio para trazer a esperança eterna. Ele veio para tomar sobre Ele na cruz a culpa humana. Essa culpa inclui o colocar as esperanças transitórias no lugar que pertence a esperança em Deus. Em Cristo, mediante o sacrifício da cruz, há perdão e reconciliação com Deus para todo arrependido que, cansado de viver suas ilusões transitórias, se rende integralmente a Deus. Por isso somente em Cristo é possível o encontro de um viver pleno da esperança eterna. Nele há plena razão para se viver a transitoriedade de cada dia.