“Você poderia, por favor, me dizer que caminho devo seguir daqui para frente”, perguntou Alice ao gato Cheshire, num dado momento da peregrinação dela, na estória do livro “Alice no País das Maravilhas”. O gato respondeu: ”Isso depende, em grande parte, para onde você quer ir.” Alice retrucou: “Não me importo muito com isso.”  O gato concluiu: “Então não importa que caminho você siga.”

Equacionar corretamente momentos decisivos da vida, quando rumos diferentes se apresentam, é chave para o viver sábio. O caminho certo é o do destino correto é edificante. Errar na escolha é catastrófico. Um caminho não  deve ser escolhido porque tem a entrada mais atrativa, nem porque é o mais fácil, e nem porque é o mais popular. Os sábios são prudentes, por isso escolhem o caminho que seguem primeiramente pelo critério do destino. E não há como separar um caminho do seu destino. A consequência vem.

Conforme o diálogo da Alice com o gato, ela não entedia a problemática da escolha de um caminho a seguir. Não se importava com o destino. Uma eleição se aproxima dos brasileiros. É hora de escolher o caminho certo, isto é, atentar para o destino. Poucas eleições foram críticas como esta. Será trágico se o eleitor, nesta eleição, tiver a mesma atitude da Alice.

Nesta eleição para presidente e Congresso, o eleitor está diante da bandidagem lisa na política, promessas enganosas, identidade partidária nula, etc. Porém, o crucial nesta eleição é entre dois destinos muito divergentes:  socialismo, ou não. E é importante notar que os socialistas, em graus variados, inclusive alguns da estirpe comunista, compõem a maior parte dos candidatos e partidos. É preciso garimpar para encontrar os que não são socialistas.

O socialismo se infiltrou poderosamente nas universidades, MEC, mídia e política. A formatação intelectual do socialismo atual vem do “novo marxismo”, também conhecido como neomarxismo, ou, marxismo cultural. O comum é as pessoas apoiarem o socialismo sem serem informadas e conscientes dos pressupostos desse pensamento, ou, do destino dele. A maioria tem sido formatada pelo novo marxismo em alguma medida. Virou um modismo.

O marxismo clássico, assim como o novo marxismo, reduzem a vida humana a essência meramente  materialista-financeira. Assim, pregam como solução, de todos problemas, um governo que controle a economia toda, inclusive a do indivíduo-cidadão. O marxismo visa fazer uma distribuição geral, pretensamente igualitária, do material. O governo é quem deve cuidar da vida e finanças do cidadão. Uma vez iniciado o caminho socialista, ainda que em passos suaves, ele nunca é saciado. Sempre tende a se tornar mais ferrenho em tomar o que é do cidadão e transferir para o governo. E para dominar o financeiro do cidadão, logo as liberdades civis vão sendo cerceadas. E para introduzir o socialismo provocam uma luta entre a classe dos menos abastados contra os mais abastados. E isso até chegar a um governo totalitário. Adeus liberdade!

Mesmo um programa governamental, legítimo, de contribuição e benefícios justos de aposentadoria, dando a cada um segundo o que contribuiu, é imperfeito. E é ineficiente porque fica na mão da sempre incompetente administração governamental. Mas o socialismo não é sobre programas como o de aposentadoria pactuada. O socialismo é sobre tirar a posse de alguém e, forçosamente, distribuir para os outros. E isso sem considerar se esse recebimento é merecido ou não. Esforçados, acomodados, ou vagabundos, são igualmente beneficiados. Mas o problema maior é que a proposta socialista é equivalente ao roubo. Socialismo é tirar do cidadão o que é legitimamente dele para dar ao outro.

Salvo auxílio temporário e responsável a situações catastróficas, o que realmente cabe aos governos é primeiramente garantir que os relacionamentos sociais e econômicos sejam justos. Eles devem garantir que cada cidadão tenha liberdade para, justamente, construir sua própria vida.  “Bondade governamental”, ou tomar o que é do alheio para distribuir para os outros, é injusta. E sempre acaba em maldade terrível, conformem a história comunista demonstra.

E socialismo é economicamente inviável. A eficiente e visionária primeira-ministra da Inglaterra, Margaret Thatcher, alertou acertadamente: “Governos socialistas, tradicionalmente, fazem uma bagunça financeira. Eles sempre acabam com o dinheiro dos outros… nacionalizam tudo… tentam controlar tudo. Eles, progressivamente, reduzem as escolhas à disposição das pessoas comuns.” O fato é que governos socialistas fracassam proporcionalmente na medida em que se aprofundam no apossar do que é do cidadão. E o intenso grau de expropriação do  comunismo é garantia de tragédia.

O marxismo clássico, focando apenas na distribuição material e financeira, se provou equivocado. E fracassou terrivelmente. Pensadores desse campo, frustrados com os resultados, criaram o novo marxismo. No lugar de apenas abolir o sistema financeiro-material vigente, concluíram que deviam partir para a revolução moral e cultural. E passaram a falar não somente em luta de classes econômicas, mas em luta de classes culturais. Construíram a visão do “oprimido cultural”, para somar ao “oprimido econômico”. Colocaram todos contra todos. É uma guerra civil cultural para desmontar tudo, esperando que no fim algo melhor venha surgir.

Na leitura deles, o problema é que valores morais em vigor, particularmente a família, sustentam a ordem econômica vigente. Então, entra a luta cultural. Para isso, eles adotaram o novo conceito de verdade pós-moderna. Deixando de ser entendida como “aquilo que é”,  verdade passa a ser aquilo que se constrói. É a verdade relativa. Valores morais deixam de ser verdade absolutas e podem ser reconstruídos em qualquer forma. Assim, no poder, os socialistas do novo marxismo implantam tanto o totalitarismo econômico como o totalitarismo moral, impondo valores “reconstruídos”.

Nessa luta de classes culturais-morais, os novos marxistas lutam para desconstruir, primordialmente, o matrimônio e família, combatendo a forma deles historicamente praticada. Nessa direção, a figura do homem, marcada pela masculinidade, deve ser eliminada. Surge o feminismo ferrenho que faz a guerra dos sexos, desejando o fim da masculinidade. Também detesta a figura de esposa. E algumas feministas são até anti-maternidade. Nessa luta de subversão cultural que visa atingir família, matrimônio e masculinidade, prolífera a formação do homem andrógino. E a homossexualidade e transgênero viram bandeira preferida. Esse  totalitarismo objetiva dominar também as crianças, ficando os pais em segundo plano. O governo socialista deve ter a autoridade para doutrinar as crianças no novo modo de ver família e sexualidade, e pais são obrigados a aceitar. E erotizar as crianças na nova sexualidade é um dos objetivos.

Nesta eleição o eleitor tem dois caminhos: socialismo, ou não. Isso não quer dizer que todo candidato não socialista é recomendável. E nem que o modelo divergente seja perfeito. Há diversas facetas problemáticas que precisam ser analisadas. Mas, acima de tudo, o eleitor tem que escolher entre o totalitarismo econômico e moral do socialismo, ou não. Se o eleitor apoiar o destino do novo marxismo, votando em socialistas, certamente irá amargar um futuro desastroso.